A união entre as pessoas não se faz apenas a partir do que se conhece. Mais do que nossos saberes, podemos comungar a nossa ignorância, pois, desse modo, podemos nos auxiliar uns aos outros a melhor nos conhecermos.
E a consideração sobre o saber não saber, a douta ignorância, pode criar vínculos de escuta, pode dissipar o véu das supostas certezas, pondo a perigo os proprietários das verdades, sempre fechados ao novo e à existência da diversidade.
O momento que atravessamos pede uma atitude que resista ao preconceito em relação ao diferente, ao desconhecido, pois há sempre maneiras estrangeiras de aprender, desgarradas dos nossos usuais registros, convenientemente acolhidos e encolhidos pela rotina das horas e das velhas crenças…
Além disso, o compartilhar do não-saber tem a virtude de abrir as janelas das nossas visões para horizontes existenciais distintos, tornando-nos pessoas-pontes, as quais se permitem a emergência de novos conhecimentos e práticas para um existir renovado.
Trata-se tanto de facilitar a abertura para o diverso, como se permitir a travessia do conhecido e testado em direção ao desconhecido e não-experimentado, porquanto essa atitude colabora com a emergência de desafios e novidades que podem evitar, principalmente, a estagnação evolutiva.
O compartilhar do não-saber traduz, em si mesmo, uma alternativa para o não esclerosar, à medida que põe em prática o resgate da vastidão da alma.
Ora, a vastidão da alma é mantida, principalmente, por saberes conquistados e pelo não saber. Mas, este último, um convite para a aventura evolutiva, depende de um sujeito que reconheça humildemente que ninguém aprende sozinho, pois o aprendizado qualitativo (que transcende as regras do paradigma cartesiano) é conduzido pela arte do encontro…
Eugênia Pickina – Palavra Terra





A falta de alegria se cristaliza no hábito do girar em círculos, o que faz a alma adoecer, pois ela deseja abrir-se à transparência de qualquer circunstância que se anuncia.
Uma das mudanças principais alavancadas pela modernidade é a cisão mítica com o cosmos ou às dimensões do Mistério. Segundo Jung, as encarnações do significado, antes oferecidas pelos mitos e ritos, recuaram do Olimpo para o plexo solar, dando surgimento às existências neuróticas, superficiais e à árida sensibilidade dos modernos.
Sim, somos todos seres em evolução, caminhantes e aprendizes de um viver melhor com o outros e – principalmente – nós mesmos. É natural que ainda erremos, mas deve ser ainda mais natural a forma com que aprendemos com os erros e voltamos à quadra quântica. Voltar é necessário.
O fim do embotamento (causado, largamente, pela violência simbólica) seria, arrisco, também o fim da falta de sentido, pois exaustos com este modo de vida, moderno, e em busca de novos renascimentos, teremos de integrar o feminino e o masculino, teremos de valorizar o amoroso encontro.