Momentos e atitudes inconscientes – vamos mudar?

positive thinkingSim, somos todos seres em evolução, caminhantes e aprendizes de um viver melhor com o outros e – principalmente – nós mesmos. É natural que ainda erremos, mas deve ser ainda mais natural a forma com que aprendemos com os erros e voltamos à quadra quântica. Voltar é necessário.

Quantos de nós ainda não sai do prumo, baixa a frequência, desconecta-se? Com isso quero dizer aquelas atitudes que podem – no começo – passarem despercebidas, como uma posição raivosa logo ao acordar, irritando-se com tudo, desde o passarinho que deixou a sua marca na varanda, o café que respingou na roupa e as notícias “deliciosas” do jornal (que servirão, inclusive, para alimentar esta raiva e seu processo degenerativo ao longo do dia). Não podemos deixar de lado o pessimismo atrator de mais pessimismo. Não, a tal estória do “o segredo” não é bobagem (aos menos na sua estrutura essencial), e os princípios lá discutidos têm plena aplicação no nosso cotidiano, basta prestar atenção. Uma reclamação gera energia para uma segunda reclamação. Um julgamento, dá espaço para mais um julgamento… e quando vemos, lá se foi o bom humor e muitas palavras sobre a vida dos outros, o que deviam e não deviam fazer, etc., etc.

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Interlúdio

van-gogh-vincent-giardino-fiorito-2403792O fim do embotamento (causado, largamente, pela violência simbólica)  seria, arrisco, também o fim da falta de sentido, pois exaustos com este modo de vida, moderno, e em busca de novos renascimentos, teremos de integrar o feminino e o masculino, teremos de valorizar o amoroso encontro.

Se imaginar é ver com o sentimento, a cada dia um aspecto enraizado na visão polarizada nos maltrata e nos convida à mudança, pois o que haverá melhor do que o reconhecimento das diferenças, segundo a totalidade da lógica da alteridade?

Esta velha angústia moderna que já tem séculos… Ela transbordou em tecnologias e (des)razões premiadas, mas que absorveram realidades de nações  e povos com metas amargamente ligadas à dor e ao mal-estar de almas castradas e exploradas.

Saramago alegou: “O mundo esquece tanto que nem sequer dá pela falta do que esqueceu”.

Não sei, mas no meu coração, sintonizado com mares e terras, sinto a alma dos semelhantes em busca de fortalecimentos e proteção arqueticamente articuladas às forças yang e yin, que ensejam trabalho e repouso, ação e acolhimento.

Fernando Pessoa poetou que a “humanidade esquece, sim, a humanidade esquece, mas mesmo acordada a humanidade esquece. Exatamente. Mas não durmo”.

De novo, mas voltados para dentro e em estado de vigília, podemos ruminar o fato de que não há acaso de rua nem de mundo. Tornamo-nos nossas feridas, mas o que amamos também, e podemos reparar o invisível que jorra no visível. Mais: deixar-se conhecer-e-fazer para vastamente sentir e, consequentemente, ser.

Pouco a pouco, então, o efeito de embotar-se será dissolvido, pois representará a ruptura com o ciclo repetitivo de papéis e complexos. E passaremos a abraçar, no lugar de evitar, as múltiplas metas da vida. Desse encontro o resultado será existir, então, desapegado do suposto para viver com mais plenitude o Si-mesmo.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

 

Cartas de amor

picassoEscrever cartas me seduz, pois o ímpeto se dá na direção de baixar a alma às relvas, depois subi-la nas velhas escadas, nas coisas novas e no tempo acesas, antes que o outro repare o meu olhar na sua humana e divina existência, à medida que o corpo, distraído, não vigia e, por isso, conta-me suas paixões e memórias… Eu, à espreita.

Escrevi muitas cartas durante a vida. Hoje, o e-mail ocupa o lugar da tinta, que me causa desembaraço, pois não preciso mais ir ao correio para pô-la na via do destino… Basta-me o perfume e a cor das flores, dos medos e do asfalto cálido e ajo às vezes como se recebesse o beijo de um anjo, que inspira e me faz enfrentar o riacho guri e os olhos do africano, que tornam inválidos meus poemas sobre o mundo, pois apenas quem muito sofreu pode arriscar um suspiro sobre o estremecimento da árvore que sacudiu ao abraço do vento…

“Todas as cartas de amor são ridículas”, argumenta Pessoa…

Contudo, o amor deseja ser contado, deseja ser retirado do fundo do coração. “Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”, exprime um Fernando convicto, que compreendeu, no labirinto do poema, algo sobre o amor…

Ridícula seria, pressinto, a velha angústia de quem não ama e não se permite sentimentos súbitos como um estranho, excessivamente abaixo – virado do interior em direção aos astros…

Sem dúvida, quem busca o amor buscado, no lugar dos desertos, à beira de um tímido lago ou do vasto mar, gozará os segredos do sentir-pensar, que poderão ser traduzidos para a luz, pois há bastante amor nele e suficientes serão o voo e o desatino.

As cartas de quem ama diz isso: todos os passos onde não estou e a andar lucidamente para prestar atenção e conhecer o outro (o amado) melhor por dentro, como distinto deste eu-mesmo, que o procura alegremente no interior-exterior para, enfim, gozar juntos a ressonância das vidas.

As cartas de amor despem o sono e tingem palavras que recordam a esperança do dia seguinte: enamorados sempre, mesmo que haja nevoeiros…

Eugênia Pickina – Palavra Terra

A Doença como Caminho

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Muita distorção tem sido feita em relação a este conceito “da doença como caminho”. Estas distorções, mais uma vez, refletem a uma interpretação mecanicista de um conceito ampliado e holístico. Tudo que uma pessoa doente não precisa é ouvir de alguém uma interpretação superficial e reducionista da possível causa psicológica de sua doença. Principalmente se  a sua enfermidade  é crônica e de difícil tratamento.

Soa como uma condenação, como uma acusação e induz à culpa. Não se pode mexer na dor de alguém sem muito amor e acolhimento.

Há muitos sentimentos envolvendo o estar doente, e principalmente quando  se  trata de uma patologia complexa e de difícil tratamento. Na verdade, simplificar uma situação,  qualquer que seja, com explicações superficiais, torna-se, muitas vezes, um ato de crueldade e insensibilidade com a dor do outro.

O conceito esboçado no livro “A Doença como Caminho” é um dos mais revolucionários em relação ao tema saúde e doenças. Ajuda ao doente a encontrar um significado para seu estado, a trazer um significado para um fator comum e recorrente na vida das pessoas: a doença, as enfermidades.  Isto porque leva em consideração que mente e corpo formam uma unidade, afinal o que ocorre com o corpo reflete aquilo  que se passa na mente.

A psiconeuroimunoendocrinologia confirma e explica esta  ligação estreita entre corpo e mente. As pesquisas sobre os fatores de estresse, ligadas a neurociências, também confirmam esta ligação.

A tentativa de catalogar e correlacionar doenças e sintomas a estados mentais e emocionais é sem duvida útil, mas não pode ser usada como manual para prescrever uma análise psicossomática. Os manuais são somente guias e indicações a serem refletidos. Carecem de profundidade e não trazem uma contextualização ao achado clínico. Ninguém “cria” um estado de enfermidade porque quer conscientemente isto, a não ser que isto faça parte de um transtorno mental.

O processo de somatização ocorre inconscientemente e está ligado a um contexto e a uma história de vida. Trazer para a consciência esta correlação gera impacto, surpresa e, às vezes, muita dor. Se o individuo não estiver maduro para entrar em contato com esta realidade, o comum é cair na culpa e auto-recriminação.

Neste caso o que deveria ser um fator de libertação acaba se tornado um fator de aprisionamento e agravamento do estado do paciente.

Já basta a dor de estar doente e a falta de esperança que, muitas vezes, acompanha a doença. Não é necessário ainda mais este peso e esta culpa.

Por isso, é preciso cuidado. O indivíduo enfermo pode ser acompanhado nesta reflexão e auxiliado nesta descoberta, porém ela deve ser  feita por ele mesmo.

Se esta correlação entre sintomas físicos e estado mental não surge espontaneamente  como um insight, o médico, psicólogo ou profissional de saúde precisa de ser cauteloso ao sugerir alguma possibilidade, no sentido de permitir que o indivíduo enfermo negue, caso  se ele não sinta  como verdadeiro para ele.

Este processo de descoberta compartilhada só pode ser realizado por um profissional de saúde habilitado para tal.  Caso contrário, o profissional corre o risco de se tornar não um agente de crescimento e significação, mas um complicador.

Para lidarmos com a dor do outro temos que ser sensíveis e profundamente humanos. Se assim não for, ao invés de agirmos como uma pinça que afasta os tecidos inflamados, movendo o agente da dor, agiremos como um bisturi que corta, insensível, um tecido já comprometido.

Por Flávio Vervloet

Amor por si mesmo e vida intersubjetiva: uma mesma trama

picassoDalai Lama já disse: “amar os outros é uma maneira especial de amar a si mesmo”.  Mas, em geral, resistimos a esse clima de afeto e de indulgência, mesmo cientes de que o amor pelo outro e o amor por si mesmo não são separados. E, aqui, reside uma de nossas dificuldades – a abertura do coração. E por quê?

Ao negar-se o amor por si mesmo, nos encerramos em nós mesmos. Passamos a usar, sem discernimento, as ferramentas mentais do julgar e do discriminar, afastados do fato de que é graças à vida de relação, às trocas interpessoais,  que podemos aprender a expandir, também, a qualidade dos sentimentos que nutrimos por nós mesmos.

Uma cultura que preza a educação puramente intelectual, limitada ao processo de aprender a conhecer e a fazer, inclina-se a desprezar o ser e o conviver, o que largamente dificulta o encontro entre pessoas, naturalmente predispostas à expressão de intuições autênticas e sem o receio de punições ou condenações verbais (expressas ou veladas).

Com efeito, amar a si mesmo liga-se basicamente à aceitação da aventura do trabalho interior, enraizado no reconhecimento da própria potencialidade de plenitude,  o que impulsiona o indivíduo a se aproximar  do melhor de si mesmo e, consequentemente, permitir-se a diversidade de novos relacionamentos, pois nascemos, sobretudo, para compartilhar e amar.

E é nesse sentido que podemos afirmar que somos “condenados” a Ser, pois somos habitados pela Presença,  e se ninguém pode obrigar ninguém à arte de amar, o ser humano se realiza (e se liberta) quando consente com o caminho da individuação, criativamente suscetível a encontros diversos.

Certamente, este convite-desafio possibilita uma lição colhida na concepção platônica de que “aprender é recordar”: do mesmo modo que ninguém pode aprender sozinho, ninguém pode amar sozinho, pois a autonomia e o amor próprio, base da autoestima, dependem também do cuidado com a vida intersubjetiva, responsável pelo florescimento dos experimentos e afetos apreendidos com o outro, que causam ressonância no si-mesmo.

Eugênia Pickina – Palavra Terra 

Zinnia – O arquétipo da criança interior

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“Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita atenção e educação incessantes.
Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa” (Jung)

“Toda criança nasce com a capacidade inata de rir e brincar, de penetrar na vida com a plena exuberância da alma alada.” (Patricia Kaminski).
Muitas vezes, quando as memórias da infância são dolorosas, fechamos nossa  criança dentro  de um  armário. Nosso ego adulto sufoca e suprime essa parte do Eu,ficamos embotados, sem criatividade, sem alegria. Mas a criança permanece e, mesmo contida,  dá sinais de vida e clama por nosso olhar, atenção e carinho. E mais uma vez vamos olhar para a natureza ao redor e observar essa flor chamada “Zinnia” ,que nos convida a “brincar. Vamos perceber o que ela quer nos dizer com seu gestual, qual é a mensagem?
Se observarmos as flores centrais , parecem crianças dançando, brincando de roda. Olhando atentamente, podemos entrar em contato com toda a alegria, leveza e descontração que a flor nos oferece. Parece que ela nos sorri o tempo todo e  nos envia  mensagens: Vamos validar a criança que habita em nós!  Vamos dar voz a essa criança!
Essa essência floral nos faz entrar em contato com a leveza da criança interior, que brinca e ri o tempo todo, traz um coração leve e muita alegria interior.
O bom humor é um sinal de que se está verdadeiramente num caminho espiritual equilibrado e é inerentemente humano.
Não precisamos ser excessivamente sérios,podemos nos divertir mesmo tendo inúmeras responsabilidades e compromissos. Vamos nos deixar envolver pela alegria, descontração e leveza dessa flor. Vamos “soltar” nossa criança interior!

Por Vilma Domeneghetti

Nada menos que ousar ser

NSA-tp0010209“O longo dia chega ao fim: a lua sobe lentamente: os Profundos lamentos dobram muitas vozes. Vinde, meus amigos, não é tarde para procurar um novo mundo” (Ulisses, de Tennyson).

Quando nascemos, recebemos lentes diversas: a herança genética (e pretérita), o sexo, a cultura, o nosso ambiente familiar, e todas elas influenciam nossa ideia de realidade e nossa forma de ser/estar no mundo.

Mas qual dessas lentes é central, qual delas explicaria nosso devaneio, nossa angústia, nossa sede de mudança e habilidades criativas?  Talvez, aqui, seria interessante compreender a noção de que essas lentes formam um “contexto” multifacetado, que oferece muitos recursos que nos conduzem, ou nos impedem, para lugares cada vez mais amplos em nossa experiência.

Mas, ao mesmo tempo em que é sabido que as crianças são guardiãs de dimensões elevadas, com pouca frequência nos lembramos que a saída da infância é um requisito necessário para o crescimento. E, como o reino da psique não se curva ao tempo cronológico (Khrónos), isso não altera o fato de que o que está no começo está presente o tempo todo, servindo como o impulso para a realização do Si-mesmo, segundo o auxílio de nossas forças vitais.

Jean-Yves Leloup afirma que há um desvio de percurso quando “não podemos impedir a nós mesmos de fazer o que o programa parental nos dita”. Trata-se, nesse caso, de ficar prisioneiro dos padrões sociofamiliares e, por razões diversas, passar a temer a escuta do desejo mais íntimo, vivendo uma existência traída, imposta (não-escolhida), distorcida.

Como o ser humano é um vasto projeto,  a pessoa evolui se desejar e à medida que trilhar o caminho da individuação. Para isso, há que resistir à normose, enfrentar os medos, fazer render seus talentos e intuir, serenamente, que estamos vivos para ser.

Transgredir os limites que nos asfixiam é uma tarefa que chama o herói e a heroína de nosso coração. Isso tende a facilitar os processos que nos ajudarão a nos tornar aquilo que trazemos em semente e latências (o vir-a-ser).  Até porque diz uma antiga profecia hopi: “nós somos aqueles que estamos esperando”…

Uma boa pergunta: “o que tenho a fazer na vida que é intransferível?” E outra fecunda pergunta para cada um de nós: “qual é a forma única através da qual a Clara Luz, a Inteligência Cósmica, se manifesta em mim?”

O caminho da individuação é uma tarefa inelutável. Mas, é importante recordar que o tornar-se diferenciado (liberto do “comportamento de ovelha”) é distinto do impessoal ou do narcísico… O itinerário da diferenciação está estreitamente ligado a uma abertura que faz com que a pessoa se transcenda a si mesma para expandir-se em outras dimensões –  e, sem fugas ou lamentos, ela poderá, de forma multifacetada, única-e-criativa, manifestar a vida e co-criar o bem e o belo no mundo.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

REBELDIA X LIMITE

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Um temperamento rebelde é necessário e saudável para que mudanças ocorram dentro e fora de casa. Desde a infância e juventude, quando reais valores são passados pelos pais, escola e sociedade, seres mais conscientes se formam. Levantar vozes contra sistemas que massacram é positivo. A passividade e a omissão fazem com que nenhuma mudança aconteça dos velhos padrões quer sejam na cidade, pais ou mundo. Que seria de nós se vozes não se levantassem contra abusos indiscriminados mundo a fora? Se crianças e jovens não fizessem suas queixas e reclamações desmascarando pais, escola e sociedade em abuso de poder? Do lado positivo, a rebeldia traz liberdade, conquistas, crescimento, livre expressão, criatividade e principalmente fortalecimento pessoal e emocional. Do lado negativo a liberdade sem limite se torna libertinagem. Formas negativas de chamar a atenção, através de birras, agitação exagerada, invasão de espaços, consumo de drogas, alcoolismo, violência, agressividade, sem o mínimo de educação e respeito levam seres a agirem na contra mão do caminho. Crianças e jovens donos da verdade, professores de Deus, achando que tudo podem, desde ferir pessoas até animais com atitudes hostis são frequentes nos dias atuais. Pessoas assim são chamadas ¨gangorras¨ que quando sentam todos levantam. Isto também serve para adultos. A noção de respeito ao próximo, do amor e compaixão pela natureza pelos seres e tudo o mais, é passado primeiro pelos pais, depois a escola e sociedade. Há deveres que são dos pais e outros que são de todos. Diante da realidade do mundo todos devem cuidar uns dos outros sempre que possível. Tudo começa na sociedade limitada (casa) e vai para a anônima (social). Uma educação exclusiva adotada pelos pais, onde nenhum espaço é aberto para o compartilhar e sinalizar atitudes negativas dos filhos, dará espaço a filhos egoístas, superprotegidos,¨poderosos¨, irresponsáveis e folgados. Acima de tudo sem poder pessoal e inseguros. Atrás de pais sufocados tem filhos folgados. Pais que não tem forças para educar, direcionar precisam ter a humildade de reconhecer que precisam de ajuda. Não ter estrutura para aguentar as frustrações dos filhos significa que eles próprios não lidam com as suas próprias frustrações. A manipulação estará presente e ao invés de doadores criativos, serão filhos e indivíduos manipuladores de emoções alheias em função de suas próprias necessidades e desejos. Tornam-se indivíduos caprichosos, mimados e insaciáveis. Estes nunca serão rebeldes, mas revoltados, de relações periféricas. Para os pais é necessário observar o que são as reais necessidades e o que são os caprichos, a vaidade. A criança que é suprida o tempo todo não terá a chance de experimentar os desafios tão importantes ao longo da vida. Estimular as qualidades e dons é importante, mas sinalizar o excesso é muito mais. Crianças super protegidas e sem limites, com adultos justificando sempre as atitudes negativas se tornam rebeldes sem causa. Rebeldia saudável só estará presente em seres livres dentro e fora. O limite é importante para possibilitar o retorno a fonte onde está guardado a nutrição dos sentimentos de amor, da verdade da realização. A realização do ser espiritual, mental e emocional requer amor e proteção na medida certa.

DICAS

• Não tenha medo de dizer não.

• Os filhos precisam de proteção e amor para um bom desenvolvimento emocional

• A verdade tem que estar nos olhos dos pais NUNCA minta.

• Estimule as boas ações e dê oportunidades para a individualidade.

• Dê bons exemplos nas próprias ações e atitudes pois os filhos tudo observam.

• Só prometa aquilo que pode cumprir.

Que todos os seres sejam felizes!!

Por Tereza Valler

Transitório e Confiança

passageiro

Ontem estávamos revendo o filme Sete anos no Tibete (1997), de Jean-Jacques Annaud (“O Nome da Rosa”), baseado no livro de Heinrich Harrer (personagem principal da estória). O que mais me impressionou no filme, afora a fotografia estampada pela beleza das montanhas da região, é o princípio de transitoriedade que permeia a filosofia budista.

Em vários momentos do filme isso fica claro, como quando da presença dos generais chineses na cidade sagrada de Lhasa, os monumentos dos deuses haviam sido feitos em manteiga, que ia derretendo, para demonstrar que tudo é passageiro, momentâneo. Além de fazer-nos perceber a passagem de tudo, constitui uma grande lição de desapego.

E é esse momentum que esquecemos no nosso dia-a-dia. Quando os problemas se apresentam, são eternos, infindáveis, de dureza irrestrita. Já nossa perspectiva sobre a felicidade é temerária, sentimos em expressá-la sob pena de perder o seu efeito, de acabar logo ou alguém derrubá-la, roubá-la, etc.

Quanto da cultura ocidental ainda trafega de ponta-cabeça nas nossa próprias mentes!

Contudo, é preciso destacar, isso já vem sido mudado e discutido há algum tempo, e hoje a consciência sobre o assunto já é indício de que possamos – facilmente – mudar a trajetória que vimos aplicando no nosso caminhar no Universo.

Eu gosto de acreditar no sentido de que somos co-criadores e de que podemos, a qualquer momento, inverter a polaridade do negativo-positivo para positivo-positivo (aplicada ao exemplo acima). O que quero dizer com isso é a necessidade de aplicação do conceito de devir, de mudança, do vir-a-ser sobre a nossa estrutura de viver a vida.

Uma das outras expressões do filme diz respeito à inutilidade da preocupação. O criador não deseja que nos preocupemos. “Preocupar-se para que? Se o problema tiver solução, nós iremos encontrá-la; e se não tiver solução, também não precisa se preocupar, porque não iremos encontrá-la” (Dalai Lama).

Concordo com Bombonato Jr (link*este link estava quebrado, por isso transmito o trecho do cache do Google). “A preocupação vem da incerteza de que o melhor irá acontecer, assim como esta incerteza vem da falta de confiança na vida, em Deus, nas Leis Universais que governam nossas vidas e, sobretudo, da falta de confiança em nós mesmos”.

A felicidade pode ser vivida desde já e, mesmo que temporal, que se estenda ao longo do momentos difíceis (que são, na verdade, lições para um melhor caminhar, que nos levam a mudanças, como aquelas ocorridas com o personagem Heinrich no filme). E crer na força do positivo, que se multiplica ao infinito, é um sentimento que traz inexplicável tranquilidade para o espírito. É a confiança plena que somos cuidados que altera essa visão limitada do nosso ser a afasta-nos da energia do medo (vale a pena a leitura deste texto).

Por fim, vale a pena relembrar que o Dalai Lama é o líder espiritual e temporal do povo do Tibete. Não é belo isso?

Saudações.

Marcos Pickina – spagbas.

Ser-capaz-de-escutar

The TulipsNo geral, a nossa existência social é tão coagida e apressada que o encontro se torna difícil e raramente dá um resultado positivo.

Assim, é verdade, que de alguma maneira o ser-capaz-de-escutar possa se colocar como uma precondição da orientação comunicativa de mundo que possibilite uma brecha para um possível encontro. Em todo caso, isso, ao menos, nos retiraria da experiência de solidão e de incompreensão, estreitamente ligada ao descaso com a vida de relação.

Sem correr grave perigo, o ponto de vista alheio pode ser valioso, pois dá acesso a uma via para a escuta do conhecido (ou o sabido) e do ignorado (o não-sabido), meio que faz irromper alétheia, o descobrimento.

Escutar solicita a não-indiferença àqueles que partilham seus saberes e experiências conosco. E é claro que nem sempre isso é tranquilo, pois, no geral,  somos treinados, culturalmente, a duvidar dos sinais da vida e das escolhas disponíveis àquele que sabe ouvir.

Intuitivamente, consideramos que a rede da Vida indica os relacionamentos como caminhos para que ampliemos nossa criatividade e sensibilidade com as outras pessoas. Mas, como hábitos cristalizados, em muitas ocasiões, estar em companhia provoca dispersão…

Como a nutrição íntima depende da capacidade de prestar atenção às nossas necessidades e sentimentos, o saber escutar  pode favorece uma maior consciência sobre o que necessitamos de fato, porquanto a Mãe Terra coloca à nossa disposição muitos interlocutores diferentes, aptos a nos ajudar a descobrir respostas às nossas perguntas mais essenciais.

Além disso,  a habilidade da escuta evita o desperdício do precioso tempo de outras pessoas, pois impede que joguemos, nelas, queixas ou enunciados vazios. No lugar das lamúrias, mais cientes da nossa autoexpressão, simplesmente nos colocamos à escuta, atentos aos perigos de recair no “tagarelar” em vez de compartilhar.

Para ir além de nós mesmos, precisamos acolher  a atitude que implica um distanciar-se de si mesmo, pois não há escuta possível quando estamos colados ao próprio corpo. Ao contrário, a escuta possível depende do despojar-se do “eu já sei” para honrar a comunicação de o outro.

Eugênia Pickina

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