Arquivos Mensais:setembro 2009

Ser-capaz-de-escutar

Ser-capaz-de-escutar

The TulipsNo geral, a nossa existência social é tão coagida e apressada que o encontro se torna difícil e raramente dá um resultado positivo.

Assim, é verdade, que de alguma maneira o ser-capaz-de-escutar possa se colocar como uma precondição da orientação comunicativa de mundo que possibilite uma brecha para um possível encontro. Em todo caso, isso, ao menos, nos retiraria da experiência de solidão e de incompreensão, estreitamente ligada ao descaso com a vida de relação.

Sem correr grave perigo, o ponto de vista alheio pode ser valioso, pois dá acesso a uma via para a escuta do conhecido (ou o sabido) e do ignorado (o não-sabido), meio que faz irromper alétheia, o descobrimento.

Escutar solicita a não-indiferença àqueles que partilham seus saberes e experiências conosco. E é claro que nem sempre isso é tranquilo, pois, no geral,  somos treinados, culturalmente, a duvidar dos sinais da vida e das escolhas disponíveis àquele que sabe ouvir.

Intuitivamente, consideramos que a rede da Vida indica os relacionamentos como caminhos para que ampliemos nossa criatividade e sensibilidade com as outras pessoas. Mas, como hábitos cristalizados, em muitas ocasiões, estar em companhia provoca dispersão…

Como a nutrição íntima depende da capacidade de prestar atenção às nossas necessidades e sentimentos, o saber escutar  pode favorece uma maior consciência sobre o que necessitamos de fato, porquanto a Mãe Terra coloca à nossa disposição muitos interlocutores diferentes, aptos a nos ajudar a descobrir respostas às nossas perguntas mais essenciais.

Além disso,  a habilidade da escuta evita o desperdício do precioso tempo de outras pessoas, pois impede que joguemos, nelas, queixas ou enunciados vazios. No lugar das lamúrias, mais cientes da nossa autoexpressão, simplesmente nos colocamos à escuta, atentos aos perigos de recair no “tagarelar” em vez de compartilhar.

Para ir além de nós mesmos, precisamos acolher  a atitude que implica um distanciar-se de si mesmo, pois não há escuta possível quando estamos colados ao próprio corpo. Ao contrário, a escuta possível depende do despojar-se do “eu já sei” para honrar a comunicação de o outro.

Eugênia Pickina

Um Blog dedicado a filmes

Um Blog dedicado a filmes

inspirarse

O grupo do transformar-se criou um blog dedicado a filmes. O objetivo é facilitar  através dos tags e de categorias o encontro dos temas que  se deseja aprofundar ou refletir.

Esperamos que este novo projeto cresça e que a linguagem mágica dos filmes e do cinema possa nós “inspirar” a reflexão sobre nós mesmos e sobre a vida.

http://inspirarse.wordpress.com/

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

pokekale1

(Parte quatro)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Processo de cura

O primeiro passo para a cura é a ACEITAÇÃO.

Diga a si mesmo: Sou essa pessoa com todos esses sentimentos internos, com essa maneira diferente de ser e estar no mundo. Porém, não esqueça, por outro lado, que tem um propósito claro e definido. Sinta-se ligado aos seus ancestrais ou esferas espirituais, que embora não veja, sente profundamente com os olhos da alma.  Você precisa honrar a existência, esse momento o qual está vivendo e encontrar a força na vulnerabilidade, a sabedoria na sensibilidade, o amor na não-agressividade, a certeza na desconfiança, a presença na ausência.

Diga: Sou assim e é exatamente assim que vou cumprir aquilo que me foi determinado.

Para ser mensageiro do novo, ou mensageiro entre o céu e a terra é necessário sentir-se pertencente ao lugar onde nasceu, afinal é aqui que está o agora.

Do que adianta nos sentirmos especiais, se nos isolamos e não compartilhamos? De que adianta um dom não-compartilhado? No isolamento não ocorre a transformação. Ao contrário, o crescimento é inerente à interação, ao envolvimento e à doação.

É necessário deixar de procurar pela validação externa. Não procure validação naqueles que não a podem dar. Só você sabe aquilo que está no mais profundo do seu ser e você possui essa certeza interna. Qual é a verdadeira validação? Com toda certeza é a interna, aceitando a si mesmo, com toda sensibilidade, diferença, com todo conhecimento interior. Não se sinta melhor nem pior que os outros. Saiba-se, simplesmente, diferente. Valide-se! Honre sua vida e sua diferença, afinal é a única coisa que realmente possui. Valide-se enquanto SER.

Sinta-se especial, sim! Nem santo, nem anjo, nem superior, nem inferior, nem mais espiritualizado, nem mais evoluído. Talvez mais desperto, apenas. Desta forma, poderá ser um mensageiro da certeza da eternidade da alma, com o conhecimento de que a matéria passará, mas que temos a vida para todo o  sempre.

Para que possa cumprir sua missão, precisa integrar o poder do seu coração, com a força do seu olhar. Perceber que existe um “Deus” comum a todos os seres humanos, que habita todas as religiões e que ama a todos, da mesma forma. E esse “Deus” é puro amor. Deixe o Amor fluir através de você!

Quem sabe, você possa despertar definitivamente e acordar! O momento é agora! Sua terra, lugar ou o planeta é este! Não existe outro, pois nada é ao acaso e toda vida possui, em si mesma, um projeto enriquecido de possibilidades! E, se você está aqui, é porque tem muito a contribuir! Rompa com as divagações ou o isolamento, pois não construiremos nada se não colocarmos alicerces nos nossos sonhos! A vida se anima, pela busca da unidade, integrando a diversidade e saindo da separatividade.  O importante é trazer a paz, harmonia, espiritualidade, unidade para o aqui e agora, nada está fora, em outro lugar, em outro planeta, em outra morada.

Não existe fora, só existe o agora!

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Fazer render o caminho

Fazer render o caminho

caminhoNão corras. Não tenhas pressa. Aonde tens que ir é só a ti. (Juan Jimenez)

Há que se vencer o medo da diferenciação, proximamente ligado à construção da identidade pessoal, pois para prosseguir no caminho, muitas vezes, é sensato morrer para um determinado estado de ser a fim de ressurgir para um novo estado.

Por exemplo, numa determinada situação cotidiana nem sempre a escuta ao Si-mesmo é celebrada, mas sim a escuta derivada do ambiente externo, o que pode dar lugar a um conformismo que instala, com o tempo, fugas e distrações resistentes ao processo da individuação.

Escutar o desejo do coração, o íntimo, para singrar, ainda que envolvido em incertezas,  em direção ao estado criativo e, com isso, superar o medo de ser rejeitado ou reprovado pelo meio em que se vive. Infelizmente, muitos indivíduos fixam-se nesse medo, o que resulta em sofrimentos e desajustes.

Tornar-se uma pessoa é um itinerário. Assim, se o indivíduo for capaz de escutar-se profundamente, de investigar  os medos, as aptidões latentes e as resistências não confessadas, alcançará acesso ao próprio pensar, ao próprio sentir, à própria trama que fomenta os recursos indispensáveis para a realização de uma identidade pessoal equilibrada.

O que nos chama é a tarefa do caminho. E essa tarefa, no geral, está dissociada da normose social e dos padrões massificados, à medida que o comprometimento sincero com esse chamado nos habilita para firmar a travessia dos medos e das ilusões… 

Simplesmente nos cabe o compromisso com o autoaprimoramento, intrinsecamente ligado a pequenas (ou grandes) transformações. Essa metanoia gradativa depende do despertar da letargia que permeia o mundo, solicitando de cada um de nós a transcendência da ignorância existencial, pois a vida traz latente o propósito que não serve somente ao sofrimento e à finitude, mas, sobretudo, ao amor e à florescência, afastando-nos, desse modo, da estagnação evolutiva.

Eugênia Pickina

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

pokekale1

(Parte três)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Aspectos práticos

Suponhamos que esta hipótese seja possível, a de que alguns de nós tenhamos vindo de outro sistema planetário. Temos então que considerar algumas coisas.

Se isto é possível temos que considerar o fato de que mesmo que não saibamos o porquê deve haver algum propósito.

Talvez para ajudar em alguma necessidade específica deste planeta, no qual estamos. Ou, quem sabe, trazer alguns novos dons e habilidades, continuar o nosso processo evolutivo, iniciado em um local distante, ou contribuir para a evolução deste, a partir inclusive de nossas diferenças. É difícil saber qual o propósito. Seguramente deve ter algum, se aceitarmos que tudo no universo tem um sentido, mesmo que nos escape num primeiro momento.

Entretanto, se não se pode retornar a esta pátria, por ela estar tão distante, nos resta acolhermos este sentimento nostálgico e validá-lo, para que ele possa ser aliviado, como as pessoas fazem aqui, quando com saudades de um país distante, para o qual não podem, no momento, retornar.  A aceitação faz com que o bem-estar se instale.

Ainda não nos é possível compreender claramente tudo isto, mas podemos, através da imaginação, nos reabastecer e nos preencher da força, do bem e do amor e aconchego desse “lar”  do qual sentimentos falta.

Segundo vários teóricos da mente humana, é necessário validar os sentimentos independentemente de sua veracidade ou autenticidade, para que ele possa ser alterado e modificado.

Então se você tem esse sentimento e sente como se estivesse longe de seu lar, um lar desconhecido para você, quer relacionado a  outro país  ou mesmo  outro planeta, você pode criá-lo em sua imaginação e trabalhar com esta imagem.

Visualização

Imagine então, que você veio de muito longe, de um planeta ou de uma estrela bem distante. E lá era uma pessoa “especial”, desenvolveu muitos dons,  muita sensibilidade, certa inocência de alma, uma forte vontade de ajudar!  Agora, imagine essa estrela ou planeta, perceba suas características (cor, textura, energia desse local, se há flores, oceanos, animais, edificações…Sinta-se totalmente integrado a esse local, perceba-se inteiro e tente imaginar, também, como são as pessoas  pertencem a esse lugar. Elas são afetuosas, amorosas, gostam de compartilhar? Estabeleça um vínculo com esse local, se reabasteça, fique o tempo que necessitar… Até sentir que está completo. Respire profundamente… Recorde todos os seus dons, anteriormente adquiridos, traga-os aqui para este momento, integre-os. Eles são seus.

Agora, volte… Sinta-se preenchido, completo, curado, pronto a compartilhar estes dons com este local onde nasceu ou com o planeta Terra, que escolheu como sua casa, sua morada, neste momento da sua existência. Procure, então, simplesmente “sair da sua toca” e ofereça o seu melhor.  Lembre-se que muitas cidades e países só se concretizaram pelo empenho de todos os que lá um dia se instalaram, apesar da saudade de suas terras de origem.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

“Recolhe-te aos teus espaço

como as aves retornam aos ninhos

depois de muito ver do alto”

“Vá mais longe que a alma grita

Vá mais dentro que o mergulho insista

Vá onde nunca tentaste

É lá o teu lugar”

Onde vês é onde vais…

“A coragem é mais que viagem

a todos os portos que fores capaz de ancorar.

Precisas transpor outras fronteiras e distâncias

Tudo é preparação, malas para a viagem que não tem fim…

“Desfaz malas, mas esteja sempre pronto a partir…”

“Nas estradas, nos atalhos que elas têm

no impulso de além adiante

profundo vai e vem”

“Buscamos longe o que está próximo e esquecemos de ir além…”

“Lembra-te dos quilômetros que a alma pede chão”

“Quanto mais longe vou, mais perto de mim estou”.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Infância Roubada

Infância Roubada

42-20277640

Depressão, ansiedade, dificuldades de aprendizagem, obesidade, pânico e diversas alterações de comportamento, são inúmeros os transtornos que aumentam a lista de atendimento de psicólogos, psiquiatras e pediatras. Crianças e adolescentes psico-somatizados como os adultos, sinalizam que algo não vai bem no desenvolvimento. Pais ansiosos, mergulhados num sistema cruel e exigente, que cobra posturas, incentiva a competição, maior rendimento e status, são massacrados e consequentemente massacram os filhos. Inúmeras atividades extra-curriculares tiram da criança e do adolescente o direito de brincar, de viver as experiências naturais e necessárias para o seu desenvolvimento. Cada etapa tem seu encanto e se perdidas, provocam um vazio, pois a criança deixa de ser ela mesma para atender as expectativas dos adultos. Projetos feitos sem a aprovação dos filhos dos filhos, levam a inúmeras situações que roubam a infância e adolescência. Quando não há tempo para entrar em contato com os sentimentos e as emoções, também não há esperança para os pais conhecerem seus filhos intimamente. Pais impacientes, ansiosos e imaturos “tercerizam” suas responsabilidades por falta de preparo emocional. O mais triste é que perdem também esta etapa de proximidade. As atividades extras são importantes quando bem dosadas e vem para a ajuda psico-social dos filhos. O exagero é que rouba dos filhos o direito de descansar e aprenderem a relaxar e podem levar a conseqüências posteriores. Um desenvolvimento natural, emocional e espiritual dará aos filhos e pais aconchego e uma educação de coração para coração. A linguagem Espiritual, do sentir, da amorosidade fará a integração natural da educação e os sentimentos. Neste espaço de harmonia ficarão as boas lembranças, a convivência saudável e a referência positiva. Limites, respeito, amor sem super proteção dará como resultado adultos saudáveis.

DICAS

Quantidade de tempo não é qualidade.
Ouvir com atenção cada filho em espaços individuais.
Ter contato físico e amoroso através de abraços, contato olhos nos olhos com freqüência.
Não projetar nos filhos aquilo que vocês não fizeram.
Ensinar aos filhos que nem tudo é competição.
Respeitar as individualidades.

Que todos os seres sejam felizes e em amor!!
Tereza Valler