Lutamos com esperança atrás de cada pedra e nos abrimos como uma grande estrela quando esquecemos as ofensas, quando praticamos o (demorado) perdão…
No curso da vida, nos domingos, sem a melancolia, encontramos no amor a aceitação pelos aspectos que queremos mascarar e, assim, não como uma flor fechada, paramos de julgar o outro, pois, ainda que de forma diversa, consideramos que sobre a terra nem sempre nossos pés estão firmes.
E junto ao amigo ou ao inimigo, os mesmos desejos de alegria neles residem, como exploradores que todos nós somos a perseguir a construção da autonomia.
Ora, abrir-se a uma ética. E é a ética da bênção que faz a alma extensa e blinda o coração contra a letargia e o desânimo, porque tanto os homens como as mulheres fazem parte do ciclo universal e têm o mesmo propósito de individuar-se.
Assim, sem o peso do preconceito, procurar ver no outro a sua dimensão luminosa, pois ele também serve ao divino, ainda que experimente fraquezas e hesitações.
Além disso, sem um critério claro, estamos constantemente projetando nossa vida psíquica na tela do mundo à nossa volta e, por isso, nas outras pessoas vemos aspectos que admiramos ou desprezamos em nós próprios.
Sangramos? Mas é com solidariedade que nos é dada novamente a chave do sossego. Nunca com ódios, ressentimentos, que fazem o corpo adoecer e o destino embaralhar o coração inteiro.
Carregar os sonhos, pois ser adulto não tem praticamente nada a ver com idade, e sim com o nível de discernimento e de responsabilidade pessoal (até onde a pessoa tenha evoluído) e suas tentativas de (nova) solução.
Integrar-se à Terra, morada comum, e ao seu caudal de possibilidades. Então, descerrar os olhos para que mágoa alguma nos afaste da semeadura e da felicidade.
Da mesma maneira, não se enclausurar em ideologias, mas recordar que o homem não é absoluto e, por isso, todos nós, a caminho, temos apenas interpretações relativas do absoluto. Então, fluir-e-passar…
Eugênia Pickina