Nenhum de nós consegue estar no mundo sem experimentar ferimentos. Basta recorrer à mitologia grega para encontrar em Antígona, de Sófocles, a máxima de que nenhum mortal consegue evitar o sofrimento à medida que “adentra” a existência.
E se as feridas da vida talvez comprimam a alma, somente o despertar para uma “vida escolhida”, e não uma “vida suportada”, trará significado à jornada.
Em consequência, ainda que sentir medo seja compreensível diante do alto-mar da vida, não podemos renunciar ao imperativo da navegação; e a renúncia se dá quando recusamos nos responsabilizar pelos desejos do coração (aquilo que é essencial) ou quando somos cúmplices da normose social, deixando de expressar nossa maneira de ser-e-viver.
Ora. Há um chamado à individuação ao qual não podemos escapar. E é isto que tem importância decisiva – encarnar os ditames do coração para tornar luminoso o curto episódio que dura até mesmo a mais longa existência na bendita Terra…
Para desfrutar com êxito da estada, então, podemos começar a ser sinceros com relação à nossa vida e, assim, reconhecer nossas feridas a fim de buscar curá-las, bem como assumir as nossas (reais) necessidades/metas.
Podemos começar em casa, com nós próprios, e compreender que é possível rejeitar as expectativas coletivas e, com coragem, procurar o próprio caminho, cientes de nossas fragilidades e limitações, porém abertos ao fato quântico de que aqui estamos, como viageiros, para aprender a irradiar, sem receios, a luz pura…
Que sua viagem seja boa, companheir@…
Eugênia Pickina
