O mundo invisível comanda o mundo visível e, assim, a história que conhecemos conscientemente, ou que achamos conhecer, raramente é a história inteira que se desenrola dentro de nós.
No geral, nossa atitude convencional é a de interpretar superfícies – o que dizemos, o que não dizemos, o que o corpo emite, o que as imagens oníricas insinuam, e daí por diante…
Descabida, então, a “soberania” do ego. Como efeito, reconhecemos com o passar do tempo, e não às vezes sem sofrimentos, de que temos menos controle na construção de nossas vidas do que havíamos idealizado.
E isso, no lugar de causar constrangimentos ou revoltas, poderá apenas resultar num reposicionamento do ego a fim de que, como uma testemunha ativa, perceba que a vida é um desenvolver progressivo do Mistério e, em consequência, uma natural recondução das escolhas em qualquer ponto da jornada…
Em muitas circunstâncias, portanto, a dificuldade na verdade diz respeito ao nosso enxergar de novo, ou de uma maneira nova, pois é saudável tanto reconsiderar como abrir mão de concepções e interpretações sobre si mesmo e sobre o mundo que nos cerca.
Sem dúvida, seríamos mais equilibrados se nos dispuséssemos com tranquila habitualidade a visitar o ambiente privado da alma para nos tornar, como explica Campbell, “transparentes à transcendência”, e como postura usual se permitir a oferta de insights profundos, advinda do mundo invisível, e que nos ilumina o horizonte do (precioso) caminho.
Eugênia Pickina
