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Auto imagem do santo(a)

Auto imagem do santo(a)

Outra autoimagem comum entre os buscadores da luz é a do santo. Confundimos desistência com renuncia, esquecimento e descuido de si mesmo com altruísmo, passividade com não violência, bondade com falta de proteção consigo mesmo. Não que não tenhamos estas qualidades, e sim porque, exageramos ou atuamos muitas vezes no lugar errado, quando a situação requereria de nós outro comportamento. O resultado é cansaço, carência, sensação de estar sendo injustiçado, desconsiderado, tristeza e depressão. Isso nos leva a um distanciamento das pessoas e intensificando o papel de santo, agora também, mártir, como compensação.
Apegamo-nos a esta imagem não como algo ruim, mas como uma condição especial apesar de incompreendida. Nela nos tornamos especiais aos olhos de Deus, mesmo que não reconhecido pelos homens.
A religião costuma reforçar esta autoimagem e o sofrimento de se identificar com ela é obviamente muito ruim. Ela nos afasta dos demais e ficamos cada vez mais solitários.
Precisamos rever este lugar. É possível que na infância ser bonzinho era uma condição de sobrevivência, mas será que os benefícios ainda são os mesmos?
Como renunciar algo que eu ainda não possuo, sem desistir? Como ser altruísta se ainda não conquistei amor por mim mesmo e sem valorizar o que tenho? Como atuar na não violência sem ter conquistado a coragem? Como ser bom com o outro sem ser bom antes consigo mesmo?

Flávio Vervloet

Autoimagem de Guru

Autoimagem de Guru

Usamos muitas estratégias para sobrevivência e o fazemos uso delas desde a infância. No processo da vida vamos elaborando cada vez mais, usamos da racionalização, intelectualização e sublimação à medida que vamos estudando e nos aprofundando na compreensão das coisas.

Estes mecanismos criam muitos pontos cegos, de maneira que não conseguimos mais enxergar num determinado ponto nossas distorções. Ai está o risco, muitos em torno de nós enxergam, mas resistimos ouvir e tendemos a nos afastar dos mesmos para não termos que confrontar o que nos incomoda.

Explicamos, justificamos, damos desculpas, criamos ou endossamos teorias que nos mantenha em nossos lugares conhecidos para não enfrentarmos nossos incômodos.

A mais complicada delas é quando vamos nos achando especiais, diferenciados e mais elevados que os demais, nos identificamos com o guru, o mestre, o iluminado ou quase. Passamos a acreditar nisto e nosso comportamento muda discretamente ou ostensivamente, e passamos a querer ter alguns privilégios e consideração pelos nossos pretensos dons ou qualidades elevadas. Se somos diferentes temos que nos destacar ainda mais mudando algo na nossa aparência, aspecto, entoação da voz, uso das palavras, gestos etc.

Este estado pode ofuscar o nosso discernimento, e nos levar ao retraimento e ao isolamento e com o tempo a prejudicar nossas saúde física ou mental. Este estado é comum nos buscadores da luz, há uma tendência natural de reforçarmos nossas diferenças no sentido de melhorarmos nossa estima. E também são armadilhas de nosso ego que não quer abrir espaço para nossa verdadeira luz.

Uma reflexão que pode nos ajudar, é lembrarmos sempre que todos somos iguais em importância, não há melhores ou piores, não há acima ou abaixo, não há os unicamente certos e outros unicamente errados, somos todos falhos, imperfeitos e filhos da mesma luz.

Flávio Vervloet