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Expressão da minha alma

Expressão da minha alma

Desde que “aprendi” a meditar, o silêncio me persuadiu. Sei agora que tenho guardiões invisíveis que caminham ao meu lado desde que minha vibração não os assuste. Estar mal é portanto, uma poluição auto destrutiva. Acaricio meus sonhos todas as manhãs e agradeço a quem me ensinou a sonhar. Cada dia sou mais grata ao Universo o presente de um novo dia. Saio da cama disposta a não desperdiçar um só instante sequer, porque cada momento é uma partícula de eternidade. Caminho em paz pela vida, deixando intacta minha sensualidade. Do alto do meu otimismo, meu silencio grita: Sou Eu Mesma!! Sem prepotência nem baixa auto-estima, sem arrogância, nem fraqueza, sou Eu.Cada dia tento dar o melhor de mim.Quando estou com outra pessoa procuro a mais e melhor autencidade e oferecer o que tenho de melhor.Minha vida flui alegremente pois o crescimento faz de cada instante um festival.Não tenho duvidas. Vale a pena viver!! De café tomo amor ,almoço caricias,  janto abraços, sonho paraísos. Muitas pessoas não me entendem, mas não me importo! Deixei de fazer isso quando minha alma fugiu da prisão. Para as pessoas incompreensivas não esta prevista a plenitude nem a sabedoria. Até a honestidade é mal vista e a liberdade tem conotação ruim. No começo, tive que juntar meu corpo, meus corpos, que estavam em pedaços espalhados por aí. Minha alma estava chamuscada por tantos erros induzidos. A felicidade é sempre oportuna, lembro disso frequentemente para não deixar de viver nenhuma oportunidade. Desde que me apaixonei pela vida, o meu otimismo tem estado aqui. É que a vida é tão curta que quem se complica ou sofre á toa só faz dela ainda menor. Além disso, fiquei amiga do silencio e ele me ensinou que todo sofrimento é estéril, que sofre por sofrer não tem nenhum mérito e não garante um pedaço no paraíso.  Sei também que quando eu morrer vão me perguntar se fui feliz aqui na Terra, porque o paraíso está reservado para quem foi feliz nesta vida. Para os outros, sobra o inferno e lá pelo jeito não chove. Domesticar minha alma?..Não, obrigada, me proibiram de ser infeliz..

Por Tereza Valler

Balanço

Balanço

A vida, a prosa e a poesia transcorreram este ano como um riacho que provou das estações.

O escrever não rechaçou nada do que pôde garimpar em sua peneira de palavras, incrustadas no coração dos outros, à mercê da paciência da ação que reúne, arrisca e crê nos mistérios. Cumprimos a aventura, suspeito, embora tenhamos às vezes sofrido o desalento, o erro, o aprendizado, ou seja, vivido, nas trevas e nos espaços abertos, a nossa humanidade, que ainda é ensaio.

Poderia, por atrevimento, dar escuta à melancolia, pois, para abrir passagem, é preciso dirigir um olhar profundo para o que foi e se acumula no passado. Mas, não faremos desse modo porque a luz brusca da mudança impede a nostalgia multiplicar os desvarios de uma existência; então, se pôr em marcha.

Em cada época sentimos a presença do ódio, intolerância, amarguras e medos, fracassos e vitórias solitárias (estas duas são impostoras). Contudo, o canto do amor acompanhou os agonizantes, os fracos, os humildes, acalentou os poderosos e os indiferentes como uma tentativa (válida) de brotos à espera de fixar raízes… Ora, sabemos: há aqueles que podem sair das ilhas e afastar as brumas. Outros, ainda não. E mesmo assim o amor resiste.

O convite: abrir os olhos para dar sustento a quatro coisas preferidas: uma é a brandura quente e sem fim do amor; outra é arrastar-se ao inverno e conhecer o frio silvestre que esconde a chave no baú de gelo branco; outra é contar com a primavera e suas flores redondas; outra é o verão cálido das frutas cítricas e da chuva fina esvoaçante. Quanto ao outono, ele existe interestação e suas folhas são intermináveis…

Agora, caso haja a disposição do querer, no verão, podem viver dentro de si a luz, sair do escuro, pois a noite seguirá suas estrelas e o Sol espera sempre no campo para viver outro tanto…

Isso é tudo por hoje, pois o ano finda… E a Alma se alegra em havê-lo vivido, pois já não somos os mesmos.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

A aventura de Ser

A aventura de Ser

O que importa é que o caminho tenha um coração – Dom Juan/Carlos Castaneda

Humanizar-se é uma aventura endereçada à luminescência do Ser.

E essa aventura pode ter início através da mudança do olhar, quando a paz tem a oportunidade de perdurar caso paremos de negar a nossa realidade atual cheia de imperfeições, pois o Self, que emerge do ego, um dia se manifestará plenamente, como a borboleta da lagarta.

Talvez uma atitude que ajude a agenda dessa aventura seja a  adoção de não levar nada muito a sério. Em seguida, buscar enxergar o que há de positivo nos outros e a sombra em si mesmo, mas sem deixar de se ligar ao bem e ao belo que se desdobram em todas as situações.

Às vezes, em dias nebulosos, muitos reclamam a falta do sol. Mas, na realidade o sol está sempre presente. Então, a tarefa ordinária de cada dia é procurar ver além e não se deixar reter  pela circunstância temporária da falta ou da impressão (enganosa) da falta, pois tudo passa e é da essência florescer.

Sem dúvida, humanizar-se implica liberar-se das cadeias das normas parentais, sociais e culturais porque a liberdade é o grande desafio. E será essa liberdade que alimentará o roteiro aberto e criativo da originalidade, rompendo com as malhas convidativas, pois aparentemente mais fáceis, do jogo da inautenticidade e do já conhecido.

A escuta do Cristo no interior de nós mesmos também coopera com o discernimento adequado a cada instante e evita o estancamento do devir, dos que deixam de investir nos talentos que receberam da própria vida, porquanto essa voz interior exige fidelidade e ousadia, embora paradoxalmente dependa de atitudes inclusivas, colhidas na vida de relação.

Humanizar-se provoca uma pergunta: que tipo de felicidade buscamos?  Frequentemente confundimos felicidade com segurança, pois se o pão é necessário, o ser humano não é somente o homo economicus… Somos carentes de outras qualidades e sentimos urgência de amor, amizade, compaixão, de um caminho evolutivo, que nos leve a conspirar pela inteireza do projeto humano – eis a grande aventura pessoal e coletiva.  

Eugênia Pickina – Palavra Terra