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Ressignificando o divino interior

Ressignificando o divino interior

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Quando nos propomos mudanças internas, todos os anjos conspiram a nosso favor.
A espiritualidade nos conduz e os caminhos vão tomando forma de outra forma.
Mas, antes mesmo que doa, precisamos desconstruir tudo aquilo que está estagnado.
Não se reconstrói em cima de velhos padrões estabelecidos, sentimentos sedimentados, ideias fixadas na carência, nas gavetas cheias de entulhos e sombras que rondam a inconsciência.
Ressignificar significa revisar, aprofundar a busca, nossas histórias pessoais, nos desidentificando de tudo aquilo que parecia verdadeiro sob o nosso ponto de vista. Leia o resto deste post

Prelúdio à cura

Prelúdio à cura

Nossa sociedade vem há muito tempo tratando as pessoas como máquinas, como corpos sacrificáveis em nome do progresso ou do mercado. E, consequentemente, muitos indivíduos tendem a desprezar as feridas e os prazeres da alma, pois são levados a pensar em si como um “mecanismo de várias seções”.

Esse desprezo, contudo, afeta profundamente e, por isso, a cura torna-se um processo tão dúbio, pois é esquecido que o médico, na verdade, é um servo da natureza (Physis). Em outras palavras: quem cura é a natureza, não o médico.

Quando o corpo está fragilizado, em desequilíbrio, o médico pode, sim, criar as condições que viabilizem a cura, mas não é apto a curar as feridas da alma, exigentes da autolibertação, ou seja, da transcendência das repetições do erro e do desconhecimento sobre si mesmo.

Como participantes da cultura, a maioria de nós sofre a cisão entre a socialização e a psique individual. E quando os papéis externos não se adaptam à modelagem da alma da pessoa é desencadeada uma terrível unilateralidade.

No geral, essa unilateralidade dá causa a uma série de desequilíbrios, tanto ligados ao inconsciente como ao mundo consciente, que podem se expressar através de estados diversos de inadequação, insatisfação ou doenças, cujas raízes têm sua justificativa na deformidade da alma.

Não podemos esquecer, ainda, que à semelhança da trágica sina do drama grego, as feridas ressoam pelas gerações. Logo, apenas as pessoas que se tornam cientes desses ferimentos históricos são capazes de transcender o peso ancestral do miasma familiar…

Um tempo atrás escrevi algo que pode decompor o drama de viver com uma mãe ferida: Minha mãe ficava a olhar a janela da sala noite após noite, olhos tristes e vazios, a ausência da lua assustando seu coração devorado pelas entranhas dos medos da sua mãe”.

Por essas mães precisamos chorar sem nenhuma vergonha… Elas, mais feridas do que imaginaríamos, sem alternativas culturais ou autorização emocional para serem elas próprias…

Assim, para percorrermos o (sinuoso) caminho da cura, e conscientes do profundo eu emocional, podemos ser paciente com relação a tudo que não está compreendido pela mente entorpecida, mas nos propor, de verdade, a viver tudo… Sim, porque a cura reclama o viver como um desafio principal.

Com efeito, a Natureza revela que o ser humano é portador da audácia de viver consigo mesmo, procurando não se esconder das feridas a fim de que sejam transcendidas, mesmo que exijam o perdão difícil. Então, reunir coragem para que a semente experimente, um dia, o espaço da árvore…

Eugênia Pickina – Palavra Terra

Ressonância saturnina

Ressonância saturnina

Todos nós somos intimados a crescer, mas nem sempre estamos abertos à tarefa. Isso porque, no geral, nossa criança interior, castigada, se recusa a suportar a ideia de externar sua dor para alcançar os recursos necessários à cura e transformação.

Penso nos homens e suas feridas. Fala-se muito do drama feminino, da opressão contra a mulher. No entanto,  existe uma disposição (cultural) por parte das mulheres de arriscar expor sua verdade interior, pois elas facilmente compartilham  sua dor e experiências positivas e negativas.

Já o homem, ele dificilmente se permite expressar sua verdade emocional, atuando no nível da persona, definindo sua realidade geralmente em função de critérios ligados à produtividade (salário, status social, o carro, o cargo etc.), afastando-se da verdade da sua alma e do caminho da transformação.

Sim, é necessário que sejamos feridos para que possamos nos libertar, em primeiro lugar, da dependência inerente às imagos de nossos pais (e para o filho principalmente a dependência ligada ao complexo materno, porquanto a experiência que ele teve com sua mãe foi interiorizada como complexo).

Contudo, é igualmente necessário  que tais feridas promovam o crescimento, o que obriga, por parte daquele que foi ferido, o reconhecimento desses ferimentos, pois, do contrário, instala-se uma espécie de ‘alienação’ que impede a germinação do processo de cura e libertação.

Volto a refletir sobre os homens. Eles, sobrecarregados com o fardo cultural, no lugar de enfrentar o sofrimento anímico, na maioria das vezes voltam sua raiva contra si próprios e contra seus afetos (mulher, filhos e filhas), estreitando-se na solidão e padecendo de ferimentos sem transformação.

Muitos analistas junguianos atribuem o patriarcado, que já domina o Ocidente há cerca de três mil anos, a uma criação por parte de homens inconscientes, “que sofrem de uma dúvida interior, que se sentem indefesos” (J. Hollis), apresentando-se como uma compensação/reação para a fraqueza interior.

Ora, as vastas patologias pessoais e sociais de nosso tempo são o inaudível grito de almas individuais deformadas pelos papéis procrustianos estabelecidos pela lógica patriarcal.

E se as mulheres, por infelicidade e repressão, desafiaram os parâmetros da feminilidade orientada pela cultura que receberam, os homens não estão felizes apesar do que realizaram, porque, sob o peso da cultura, continuam a negar os aspectos que não se encaixam nas exigências do legado patriarcal.

Com efeito, infelizmente os homens, em sua maioria, estão fechados à cura e à transformação, pois no íntimo encontram-se divididos entre a socialização e a alma, entre a normose coletiva e a psique individual e, desse modo, ingressam na vida com um falso eu, fazendo escolhas que mais alienam do que libertam, pois profundamente anestesiados contra a advertência do poeta Rilke: “sabemos que existe espaço dentro de nós para uma segunda grande vida intemporal”.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

Intróito

Intróito

musical notesGosto de pensar a vida na sua forma de passagem, pela própria efemeridade dos seus arredores e da forma como vamos alterando o nosso olhar ao longo da estrada. Semente passageira que somos, aprendemos a coletar os frutos (informações) necessários que nos ajudarão a enfrentar a força da chuva e do vento (lições e experiências inerentes ao caminho).

Entre as diversas ferramentas apresentadas, temos a homeopatia e a música. Uma distinta da outra, mas ambas reflexoras de comprimentos de onda que produzem excelentes estímulos (ambas são emissoras de energia), que podem, e muito, auxiliar no caminhar terreno. Uma boa música produz um bom resultado. Um bom tratamento homeopático é libertador.

Atualmente, tenho focado em entonações musicais mais leves e construtivas, mas também passei pelos períodos dos diversos sons, dos pesados aos batucados. Aos poucos, fui prestando um pouco mais de atenção nos significados dos conteúdos emitidos e em meu padrão vibratório.

Nem sempre estamos dispostos ao tocar da música erudita que, assim como a pintura e outras artes, pode apresentar conteúdos densos e confusos, dependendo do compositor ou intérprete escolhido. Por isso, é necessário ater-se àquelas que traduzem um bom sentimento de harmonia e tranquilidade.

Aliás, é preciso deixar claro. Não é só a musica clássica que provoca bons fluidos. Muitos álbuns destinados à prática de Reiki possuem compostos harmônicos incríveis, que podem, por si só, auxiliar na cura (processo inconsciente) dos seus ouvintes.

Minha proposta, enquanto passageiro desta Terra bendita, é, precipuamente, trazer algumas singelas impressões, segundo os meus conteúdos e perspectivas, das passagens musicais que tiver acesso e que podem, certamente, auxiliar na transformação e transmutação de nós todos.

Saudações!

Marcos Pickina