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Mês de Maio

Mês de Maio

Quando chega o mês de Maio, meu coração se prepara para sentir saudades.
Uma nostalgia mágica que traz memórias singulares.
Começa florido, ameno, profundo, silencioso, enfeitado de rosas e jasmins.
Não sei como acontece a saudade.
Só sei que vem através das lembranças que desatam minha alma de menina.
Colocam-me no sonho. Leia o resto deste post

Labirintos do Feminino -parte 2

Labirintos do Feminino -parte 2

 No horizonte do infinito – nós  abandonamos a terra, tomamos o navio! Nós destroçamos as pontes às nossas costas – mais ainda, destroçamos a terra às nossas costas! Agora, pois, naviozinho! Tem cautela! Ao redor de ti se estende o oceano; ele nem sempre brame, é verdade, e por vezes se estende como seda e ouro e sonhos de bondade. Porém horas virão em que reconhecerás que ele é infinito e que não há nada mais terrível que a infinitude. Oh, pobre pássaro que se sentiu livre e agora se choca contra as paredes desta gaiola! Ai, se te acomete a saudade da ‘terra’, como se lá tivesse havido mais liberdade – e já não há mais terra nenhuma”. (Nietzsche)

Percebi, só agora, o longo tempo transcorrido entre a primeira parte  do texto Labirintos do Feminino e essa segunda. Descontado o fato de absoluta falta de tempo, perdida  em outros projetos,  na verdade  houve  também falta de condições de “dar conta”, assim de cara, de um tema que tem me instigado bastante, fazendo com que eu vá ao encontro e de encontro a inúmeras teorias.  Essa busca é justificada porque é visível  o quanto o brilho do feminino nos permite  deixar fluir o brilho do  ser humano , do ser  vivente  que somos… Quando isso nos foge, quase invariavelmente, é porque antes  fugiu a vida..
 É simples.  A  forma como lidamos com o feminino e  o masculino em nós  nos ajuda a definir o modelo de mulher ou de homem  que vivenciamos.   Deixa fluir em nós a vida ou  bloqueia seu fluxo natural… E é tão fácil esse “desvio” que, na maioria das vezes, nem percebemos… Às vezes, só vamos perceber quando o desequilíbrio, das mais diversas formas, bate à nossa porta, trazendo dores.
 
A ideia desse artigo nasceu na escuta de um papo entre duas Pérsefones- Atena (ver artigo, postado aqui, com o título A Força do Feminino) sobre a dificuldade de se abrir para a vida. Como dito no artigo em que é citada a tipologia das deusas, “conhecer e integrar o nosso feminino significa reverenciar quem somos ou aspectos de quem somos. Os arquétipos das deusas gregas (…) ajudam as mulheres a se conhecerem um pouco melhor (…), entendendo aspectos e características de seus comportamentos, anseios, sonhos, desejos. Padrões muitas vezes inconscientes que trazemos desde a nossa infância”.
A  insubstanciabilidade de Perséfone, unida à vulnerabilidade  disfarçada  por uma couraça, própria de Atena, tornam essa mulher “Perséfone-Atena”, um ser  quase inacessível, até para si própria, apesar de todo o seu conhecimento do mundo interior (Perséfone) e do mundo intelectual (Atena). Falta-lhe o contato com a vida vivida. Os mistérios do inconsciente e a magia dos livros fazem o seu universo.  E por isso passa boa parte do tempo sem ter contato com a vida de verdade. É como se fosse apenas uma observadora da vida, nada mais. Sem um papel real dentro dela. Invariavelmente, o mundo real lhe chama através de pequenas e grandes tragédias.
Para estabelecer canais com o mundo, o que nem sempre é fácil para essa mulher, ela tenta, inicialmente, negar quem é… Abre portas e janelas  aqueles considerados “normais”, mas nem tudo corre bem. O que no final acaba sendo uma coisa boa.  Em “As Mulheres  Que Correm Com os Lobos” , Clarice Pinkola Estés nos lembra que “embora seja útil abrir canais até mesmo para aqueles grupos aos quais não pertencemos  e seja  importante  tentar ser gentil, é também imperioso não nos esforçarmos demais, não acreditar demais que se agirmos corretamente, se conseguirmos conter todos os impulsos e contrações da criatura  selvagem [que nos habita], poderemos realmente passar por damas educadas, recatadas, contidas e reprimidas. É esse tipo de atitude, aquele tipo de desejo do ego de integrar-se a todo custo, que destrói o vínculo com a Mulher Selvagem  na psique”. Perder esse vínculo, em grande medida, é perder a Vida. A pulsão de vida.

 Nas outras deusas da tipologia ( Hera, Deméter, Afrodite e  Ártemis), algumas características também promovem essa negação da pulsão  de vida (falaremos sobre elas no futuro); porém, em Perséfone e Atena parece existir uma certa “opção”  por essa negação. Perséfone porque   ao se perceber entendendo a psique  de uma maneira extraordinária, prende-se ao mundo do invisível e não “valoriza”  aspectos do mundo “real”; enquanto Atena, do mesmo modo, ao prender-se ao “mundo das ideias”, menospreza com arrogância o pobre mundo dos mortais. Ambas, ao fazerem isso, perdem qualidade e sentido em suas próprias vidas. Quando uma mulher tem essas duas de maneira forte em sua personalidade, ela se torna, se não tomar cuidado, um bloco, espesso, de puro gelo.

Jossânia Veloso- Alto Astral

Labirintos do feminino

Labirintos do feminino

“Eis aquilo em que creio: Que eu sou eu. Que minha alma é uma floresta sombria. Que o que eu conheço é apenas uma pequena clareira na floresta.Que deuses, estranhos deuses, vão da floresta para a clareira do eu conhecido, e depois se afastam. Que devo ter a coragem de deixá-los ir e vir. Que não deixarei jamais o meu pequeno Ego me dominar, mas sempre tentarei reconhecer os deuses que estão em mim e a eles me submeter, assim como àqueles que estão em outros homens e outras mulheres”.

D.H.Lawrence.

PARTE 1
lotus Um dos motivos que têm levado muitas mulheres à terapia é a busca do feminino perdido. E, muitas vezes, é durante a terapia que ela vai se dá conta dessa perda. Mas o que é o feminino?  E porque esse fascínio atual?   Essa necessidade de entender as diferenças entre Logos e Eros (no sentido filosófico de estar-relacionado), Sol e Lua, Yang e Yin?
A mulher sem o feminino pode se expressar tanto numa natureza dura quanto numa doce e suave, quase etérea.  O princípio feminino é algo maior que estereótipos a que estamos acostumados. E ele está presente em tudo, lado a lado, com o masculino. Sem distinção em homens e mulheres, apenas com peculiaridades importantes.
Segundo Esther Harding, em seu “Os mistérios da Mulher”, a feminilidade, o princípio feminino é, a despeito de qualquer coisa, mesmo nos tempos da masculinização feminina, a mola principal da mulher, controlando tanto sua vida psíquica quanto seu psicológico interior. E nos lembra que o mesmo princípio feminino  funciona no homem.  “Enquanto na mulher a sua personalidade  consciente está sob a regência desse princípio, no homem  não é seu consciente, mas seu inconsciente que é relacionado com Eros”.
Esther lembra que no inconsciente, o homem é transferido para o “outro lado”.
“Lá rege sua alma que a humanidade tem considerado feminina. Essa alma feminina do homem é a anima. A natureza desta e o relacionamento com ela determinam a natureza de suas relações com as mulheres e também suas próprias relações com o interior e com o reino espiritual”.
Nas sociedades primitivas, o culto da Lua cedendo lugar ao culto do Sol  iniciou o caminho da humanidade sob perspectivas de  um mundo guiado pelo masculino. Ou o que se entende por ele.  Para a autora, nossa atitude no século atual é o resultado dessa mudança de valores simbolizados pela Lua, para valores simbolizados pelo Sol. “O resultado foi a convicção de que o intelecto é  o maior poder espiritual e de   que tudo pode ser organizado corretamente se as pessoas utilizarem a inteligência”. Esquecem elas que o Logos também tem um  poder criativo não-humano do princípio masculino. Mas essa é outra história. Voltemos ao feminino.
O que é este feminino maltratado, rejeitado, perdido?  O feminino tem a ver com  o interior, o espiritual. Não é nada do que se convencionou chamar de feminino (sentimentalismo, benevolência indiscriminada, etc..). Em “Os Mistérios…” somos lembrados que na natureza, o princípio feminino é uma força cega, fecunda e cruel, criativa, acariciadora e destrutiva. “O poder que começa no outono e supera o Sol é o frio e a obscuridade do inverno. Isso é o que os chineses consideram a essência do princípio feminino, o grande Yin, simbolizado pelo tigre deslizando furtivamente pela relva, esperando para pular sobre sua presa com garras e dentes, e ainda parecendo todo tempo macio, manso como um gato, fazendo com que quase nos esqueçamos de sua ferocidade. Esse poder feminino foi chamado Eros pelos gregos, e significa o estar-relacionado, mais do que o amor, pois na idéia de Eros está contido tanto o negativo, ou o ódio, quanto o positivo, ou o amor”.
Esse caráter ambivalente do feminino é o que assusta os homens  e permeia, de forma inconsciente, a mulher. O que, algumas vezes, mesmo sem conhecer e entender esse princípio da forma vista pelos homens, faz com que ela, tal como os homens, o rejeite.  A integração disto não seria a integralidade do próprio ser e viver?
Jossânia Veloso