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Labirintos

Labirintos

“O encontro do labirinto é considerado pelos gnósticos como um símbolo de iniciação. Em seu percurso haveria um centro espiritual oculto, uma dissipação de trevas pela luz e o renascimento pessoal. Nesse sentido, a superação seria encontro da verdade ou opus”. Achei essa definição, numa de minhas navegações pela internet. Labirintos sempre me encantaram. No início, porque têm a ver com essa coisa de esconde-esconde dos jogos infantis, além do desafio de se chegar ao outro lado. Depois, em função da analogia com a própria vida: quantas vezes, não nos sentimos presos a um?

O Labirinto do Fauno, um filme de Guilhermo Del Toro, 2006, de certa maneira, faz a mesma analogia que os gnósticos: no labirinto, existe um centro espiritual oculto e seu percurso é um pouco a jornada do herói. Os desafios da pequena Ofélia, personagem central do filme, numa Espanha dominada pelo ditador Franco, visitam o mundo da “realidade” e “fantasia”, confundindo um e outro, ou quem sabe mostrando que os dois, de alguma forma, se encontram. Do mesmo modo, a analogia premente entre o que podemos chamar de “mundo consciente” e “mundo do inconsciente” convida o telespectador para uma viagem dentro de si.

Afinal, quais são os nossos labirintos? Quais desafios teremos de enfrentar nesses dois “mundos”, a fim de libertar o herói (o príncipe ou a princesa) em nós? Onde está, tal qual Ofélia encontra, a trilha subterrânea que nos levará a entendermos a nós mesmos? Mais: a curar nossas emoções de tal forma que possamos unificar esses mundos e viver de forma plena?

Jossânia Veloso

A jornada do herói

A jornada do herói

Ao ler uma das definições de Pathwork, “uma jornada das regiões conhecidas para as desconhecidas da alma, semelhantes às narradas por contos de fada…”, percebo o quanto estamos definitivamente ligados à “jornada do herói”. O termo refere-se ao conceito de jornada cíclica, existente nos mitos, e foi popularizado pelo antropólogo Joseph Campbell, quando da publicação de seu Herói de Mil Faces, em 1949. Também conhecida como monomito, alguns estudiosos explicam sua influência maciça, pelo fato desta idéia em Campbell representar uma mescla entre os conceitos junguianos de arquétipos, forças inconscientes, tais quais as definidas por Freud, e ritos de passagem, como os pesquisados pelo antropólogo Arnold van Gennep.

O fato é que a jornada humana e a jornada do herói se confundem. Conscientemente ou não, também abandonamos nosso “mundo familiar” em busca de uma vida mais rica. Tesouros ou ilusões podem nos guiar. Durante a busca, ora quereremos desistir da jornada, ora seremos guiados a ela, seja pelos nossos corações ou, forçosamente, pelo destino. Ao longo do caminho nos deparamos com monstros diversos, temos que enfrentar nossos próprios demônios e limitações, testarmos nossa coragem, para finalmente, despidos de enganos e ilusões, nos tornarmos merecedores do tesouro que buscamos.

Tememos esta jornada, mas algo em nós a ama muito. É o aventureiro latente, que sabe que a aventura representa vida. É por isso que ela é constantemente celebrada desde os mitos gregos até os dias atuais, através dos heróis modernos descritos em livros ou em filmes. O herói em nós deseja essa empreitada. Sonha com esses desafios. Embora, tal como o jovem inexperiente dos mitos ou contos de fadas, não saiba direito o que a aventura de fato representa, até iniciá-la.

Jossânia Veloso