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Transitório e Confiança

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passageiro

Ontem estávamos revendo o filme Sete anos no Tibete (1997), de Jean-Jacques Annaud (“O Nome da Rosa”), baseado no livro de Heinrich Harrer (personagem principal da estória). O que mais me impressionou no filme, afora a fotografia estampada pela beleza das montanhas da região, é o princípio de transitoriedade que permeia a filosofia budista.

Em vários momentos do filme isso fica claro, como quando da presença dos generais chineses na cidade sagrada de Lhasa, os monumentos dos deuses haviam sido feitos em manteiga, que ia derretendo, para demonstrar que tudo é passageiro, momentâneo. Além de fazer-nos perceber a passagem de tudo, constitui uma grande lição de desapego.

E é esse momentum que esquecemos no nosso dia-a-dia. Quando os problemas se apresentam, são eternos, infindáveis, de dureza irrestrita. Já nossa perspectiva sobre a felicidade é temerária, sentimos em expressá-la sob pena de perder o seu efeito, de acabar logo ou alguém derrubá-la, roubá-la, etc.

Quanto da cultura ocidental ainda trafega de ponta-cabeça nas nossa próprias mentes!

Contudo, é preciso destacar, isso já vem sido mudado e discutido há algum tempo, e hoje a consciência sobre o assunto já é indício de que possamos – facilmente – mudar a trajetória que vimos aplicando no nosso caminhar no Universo.

Eu gosto de acreditar no sentido de que somos co-criadores e de que podemos, a qualquer momento, inverter a polaridade do negativo-positivo para positivo-positivo (aplicada ao exemplo acima). O que quero dizer com isso é a necessidade de aplicação do conceito de devir, de mudança, do vir-a-ser sobre a nossa estrutura de viver a vida.

Uma das outras expressões do filme diz respeito à inutilidade da preocupação. O criador não deseja que nos preocupemos. “Preocupar-se para que? Se o problema tiver solução, nós iremos encontrá-la; e se não tiver solução, também não precisa se preocupar, porque não iremos encontrá-la” (Dalai Lama).

Concordo com Bombonato Jr (link*este link estava quebrado, por isso transmito o trecho do cache do Google). “A preocupação vem da incerteza de que o melhor irá acontecer, assim como esta incerteza vem da falta de confiança na vida, em Deus, nas Leis Universais que governam nossas vidas e, sobretudo, da falta de confiança em nós mesmos”.

A felicidade pode ser vivida desde já e, mesmo que temporal, que se estenda ao longo do momentos difíceis (que são, na verdade, lições para um melhor caminhar, que nos levam a mudanças, como aquelas ocorridas com o personagem Heinrich no filme). E crer na força do positivo, que se multiplica ao infinito, é um sentimento que traz inexplicável tranquilidade para o espírito. É a confiança plena que somos cuidados que altera essa visão limitada do nosso ser a afasta-nos da energia do medo (vale a pena a leitura deste texto).

Por fim, vale a pena relembrar que o Dalai Lama é o líder espiritual e temporal do povo do Tibete. Não é belo isso?

Saudações.

Marcos Pickina – spagbas.

Uma ideia sobre a metanoia

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Nenhum de nós está a salvo de momentos de medo ou letargia. A questão significativa é se essa atitude (irrigada pelo medo ou pela letargia) está muito presente na conduta geral de nossas vidas. Sempre que há uma fixação por uma mania, uma aderência a algum preconceito, ou uma necessidade de controle que trazemos para nossas relações, uma recusa de mudança enfraquece nossa vontade e reforça o distanciamento do melhor de nós mesmos, naturalmente inclinado a significativos avanços e suas práticas correspondentes.

 

Uma evitação da possibilidade de expandir a consciência, ou abrir o coração, nos manterá circunscritos em uma forma de infância psicológica, diariamente reativada pelo desejo de cuidados, o que aponta uma dificuldade de caminhar com os próprios pés.

 

Mas, quando uma pessoa decide tomar o caminho do autoconhecimento, a ela se integrará o campo da mudança de mentalidade, a metanoia, que positivamente debilita a sabotagem dos relacionamentos e das boas oportunidades, ativando os recursos internos e externos para a trilha da individuação.

 

O sinal de que a metanoia realmente nos tocou é que não aceitamos mais viver da mesma maneira que antes. Procuramos compreender tanto sobre o ocorrido como sobre o vir-a-ser e, desse modo, integramos a humildade necessária para apreender um discernimento mais nítido sobre nós mesmos e sobre as situações que nos cercam, pois pitadas de espírito novo introduzem outras cores à rotina e ao presente, preparando-nos para novos pontos de partida. Dito de outro modo: Para atingir o ponto que tu não conheces, tu deves pegar o caminho que tu não conheces (San Juan de la Cruz).

 

Eugênia Pickina