Nenhum de nós está a salvo de momentos de medo ou letargia. A questão significativa é se essa atitude (irrigada pelo medo ou pela letargia) está muito presente na conduta geral de nossas vidas. Sempre que há uma fixação por uma mania, uma aderência a algum preconceito, ou uma necessidade de controle que trazemos para nossas relações, uma recusa de mudança enfraquece nossa vontade e reforça o distanciamento do melhor de nós mesmos, naturalmente inclinado a significativos avanços e suas práticas correspondentes.
Uma evitação da possibilidade de expandir a consciência, ou abrir o coração, nos manterá circunscritos em uma forma de infância psicológica, diariamente reativada pelo desejo de cuidados, o que aponta uma dificuldade de caminhar com os próprios pés.
Mas, quando uma pessoa decide tomar o caminho do autoconhecimento, a ela se integrará o campo da mudança de mentalidade, a metanoia, que positivamente debilita a sabotagem dos relacionamentos e das boas oportunidades, ativando os recursos internos e externos para a trilha da individuação.
O sinal de que a metanoia realmente nos tocou é que não aceitamos mais viver da mesma maneira que antes. Procuramos compreender tanto sobre o ocorrido como sobre o vir-a-ser e, desse modo, integramos a humildade necessária para apreender um discernimento mais nítido sobre nós mesmos e sobre as situações que nos cercam, pois pitadas de espírito novo introduzem outras cores à rotina e ao presente, preparando-nos para novos pontos de partida. Dito de outro modo: Para atingir o ponto que tu não conheces, tu deves pegar o caminho que tu não conheces (San Juan de la Cruz).
Eugênia Pickina