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REBELDIA X LIMITE

REBELDIA X LIMITE

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Um temperamento rebelde é necessário e saudável para que mudanças ocorram dentro e fora de casa. Desde a infância e juventude, quando reais valores são passados pelos pais, escola e sociedade, seres mais conscientes se formam. Levantar vozes contra sistemas que massacram é positivo. A passividade e a omissão fazem com que nenhuma mudança aconteça dos velhos padrões quer sejam na cidade, pais ou mundo. Que seria de nós se vozes não se levantassem contra abusos indiscriminados mundo a fora? Se crianças e jovens não fizessem suas queixas e reclamações desmascarando pais, escola e sociedade em abuso de poder? Do lado positivo, a rebeldia traz liberdade, conquistas, crescimento, livre expressão, criatividade e principalmente fortalecimento pessoal e emocional. Do lado negativo a liberdade sem limite se torna libertinagem. Formas negativas de chamar a atenção, através de birras, agitação exagerada, invasão de espaços, consumo de drogas, alcoolismo, violência, agressividade, sem o mínimo de educação e respeito levam seres a agirem na contra mão do caminho. Crianças e jovens donos da verdade, professores de Deus, achando que tudo podem, desde ferir pessoas até animais com atitudes hostis são frequentes nos dias atuais. Pessoas assim são chamadas ¨gangorras¨ que quando sentam todos levantam. Isto também serve para adultos. A noção de respeito ao próximo, do amor e compaixão pela natureza pelos seres e tudo o mais, é passado primeiro pelos pais, depois a escola e sociedade. Há deveres que são dos pais e outros que são de todos. Diante da realidade do mundo todos devem cuidar uns dos outros sempre que possível. Tudo começa na sociedade limitada (casa) e vai para a anônima (social). Uma educação exclusiva adotada pelos pais, onde nenhum espaço é aberto para o compartilhar e sinalizar atitudes negativas dos filhos, dará espaço a filhos egoístas, superprotegidos,¨poderosos¨, irresponsáveis e folgados. Acima de tudo sem poder pessoal e inseguros. Atrás de pais sufocados tem filhos folgados. Pais que não tem forças para educar, direcionar precisam ter a humildade de reconhecer que precisam de ajuda. Não ter estrutura para aguentar as frustrações dos filhos significa que eles próprios não lidam com as suas próprias frustrações. A manipulação estará presente e ao invés de doadores criativos, serão filhos e indivíduos manipuladores de emoções alheias em função de suas próprias necessidades e desejos. Tornam-se indivíduos caprichosos, mimados e insaciáveis. Estes nunca serão rebeldes, mas revoltados, de relações periféricas. Para os pais é necessário observar o que são as reais necessidades e o que são os caprichos, a vaidade. A criança que é suprida o tempo todo não terá a chance de experimentar os desafios tão importantes ao longo da vida. Estimular as qualidades e dons é importante, mas sinalizar o excesso é muito mais. Crianças super protegidas e sem limites, com adultos justificando sempre as atitudes negativas se tornam rebeldes sem causa. Rebeldia saudável só estará presente em seres livres dentro e fora. O limite é importante para possibilitar o retorno a fonte onde está guardado a nutrição dos sentimentos de amor, da verdade da realização. A realização do ser espiritual, mental e emocional requer amor e proteção na medida certa.

DICAS

• Não tenha medo de dizer não.

• Os filhos precisam de proteção e amor para um bom desenvolvimento emocional

• A verdade tem que estar nos olhos dos pais NUNCA minta.

• Estimule as boas ações e dê oportunidades para a individualidade.

• Dê bons exemplos nas próprias ações e atitudes pois os filhos tudo observam.

• Só prometa aquilo que pode cumprir.

Que todos os seres sejam felizes!!

Por Tereza Valler

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

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(Parte quatro)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Processo de cura

O primeiro passo para a cura é a ACEITAÇÃO.

Diga a si mesmo: Sou essa pessoa com todos esses sentimentos internos, com essa maneira diferente de ser e estar no mundo. Porém, não esqueça, por outro lado, que tem um propósito claro e definido. Sinta-se ligado aos seus ancestrais ou esferas espirituais, que embora não veja, sente profundamente com os olhos da alma.  Você precisa honrar a existência, esse momento o qual está vivendo e encontrar a força na vulnerabilidade, a sabedoria na sensibilidade, o amor na não-agressividade, a certeza na desconfiança, a presença na ausência.

Diga: Sou assim e é exatamente assim que vou cumprir aquilo que me foi determinado.

Para ser mensageiro do novo, ou mensageiro entre o céu e a terra é necessário sentir-se pertencente ao lugar onde nasceu, afinal é aqui que está o agora.

Do que adianta nos sentirmos especiais, se nos isolamos e não compartilhamos? De que adianta um dom não-compartilhado? No isolamento não ocorre a transformação. Ao contrário, o crescimento é inerente à interação, ao envolvimento e à doação.

É necessário deixar de procurar pela validação externa. Não procure validação naqueles que não a podem dar. Só você sabe aquilo que está no mais profundo do seu ser e você possui essa certeza interna. Qual é a verdadeira validação? Com toda certeza é a interna, aceitando a si mesmo, com toda sensibilidade, diferença, com todo conhecimento interior. Não se sinta melhor nem pior que os outros. Saiba-se, simplesmente, diferente. Valide-se! Honre sua vida e sua diferença, afinal é a única coisa que realmente possui. Valide-se enquanto SER.

Sinta-se especial, sim! Nem santo, nem anjo, nem superior, nem inferior, nem mais espiritualizado, nem mais evoluído. Talvez mais desperto, apenas. Desta forma, poderá ser um mensageiro da certeza da eternidade da alma, com o conhecimento de que a matéria passará, mas que temos a vida para todo o  sempre.

Para que possa cumprir sua missão, precisa integrar o poder do seu coração, com a força do seu olhar. Perceber que existe um “Deus” comum a todos os seres humanos, que habita todas as religiões e que ama a todos, da mesma forma. E esse “Deus” é puro amor. Deixe o Amor fluir através de você!

Quem sabe, você possa despertar definitivamente e acordar! O momento é agora! Sua terra, lugar ou o planeta é este! Não existe outro, pois nada é ao acaso e toda vida possui, em si mesma, um projeto enriquecido de possibilidades! E, se você está aqui, é porque tem muito a contribuir! Rompa com as divagações ou o isolamento, pois não construiremos nada se não colocarmos alicerces nos nossos sonhos! A vida se anima, pela busca da unidade, integrando a diversidade e saindo da separatividade.  O importante é trazer a paz, harmonia, espiritualidade, unidade para o aqui e agora, nada está fora, em outro lugar, em outro planeta, em outra morada.

Não existe fora, só existe o agora!

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

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(Parte três)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Aspectos práticos

Suponhamos que esta hipótese seja possível, a de que alguns de nós tenhamos vindo de outro sistema planetário. Temos então que considerar algumas coisas.

Se isto é possível temos que considerar o fato de que mesmo que não saibamos o porquê deve haver algum propósito.

Talvez para ajudar em alguma necessidade específica deste planeta, no qual estamos. Ou, quem sabe, trazer alguns novos dons e habilidades, continuar o nosso processo evolutivo, iniciado em um local distante, ou contribuir para a evolução deste, a partir inclusive de nossas diferenças. É difícil saber qual o propósito. Seguramente deve ter algum, se aceitarmos que tudo no universo tem um sentido, mesmo que nos escape num primeiro momento.

Entretanto, se não se pode retornar a esta pátria, por ela estar tão distante, nos resta acolhermos este sentimento nostálgico e validá-lo, para que ele possa ser aliviado, como as pessoas fazem aqui, quando com saudades de um país distante, para o qual não podem, no momento, retornar.  A aceitação faz com que o bem-estar se instale.

Ainda não nos é possível compreender claramente tudo isto, mas podemos, através da imaginação, nos reabastecer e nos preencher da força, do bem e do amor e aconchego desse “lar”  do qual sentimentos falta.

Segundo vários teóricos da mente humana, é necessário validar os sentimentos independentemente de sua veracidade ou autenticidade, para que ele possa ser alterado e modificado.

Então se você tem esse sentimento e sente como se estivesse longe de seu lar, um lar desconhecido para você, quer relacionado a  outro país  ou mesmo  outro planeta, você pode criá-lo em sua imaginação e trabalhar com esta imagem.

Visualização

Imagine então, que você veio de muito longe, de um planeta ou de uma estrela bem distante. E lá era uma pessoa “especial”, desenvolveu muitos dons,  muita sensibilidade, certa inocência de alma, uma forte vontade de ajudar!  Agora, imagine essa estrela ou planeta, perceba suas características (cor, textura, energia desse local, se há flores, oceanos, animais, edificações…Sinta-se totalmente integrado a esse local, perceba-se inteiro e tente imaginar, também, como são as pessoas  pertencem a esse lugar. Elas são afetuosas, amorosas, gostam de compartilhar? Estabeleça um vínculo com esse local, se reabasteça, fique o tempo que necessitar… Até sentir que está completo. Respire profundamente… Recorde todos os seus dons, anteriormente adquiridos, traga-os aqui para este momento, integre-os. Eles são seus.

Agora, volte… Sinta-se preenchido, completo, curado, pronto a compartilhar estes dons com este local onde nasceu ou com o planeta Terra, que escolheu como sua casa, sua morada, neste momento da sua existência. Procure, então, simplesmente “sair da sua toca” e ofereça o seu melhor.  Lembre-se que muitas cidades e países só se concretizaram pelo empenho de todos os que lá um dia se instalaram, apesar da saudade de suas terras de origem.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

“Recolhe-te aos teus espaço

como as aves retornam aos ninhos

depois de muito ver do alto”

“Vá mais longe que a alma grita

Vá mais dentro que o mergulho insista

Vá onde nunca tentaste

É lá o teu lugar”

Onde vês é onde vais…

“A coragem é mais que viagem

a todos os portos que fores capaz de ancorar.

Precisas transpor outras fronteiras e distâncias

Tudo é preparação, malas para a viagem que não tem fim…

“Desfaz malas, mas esteja sempre pronto a partir…”

“Nas estradas, nos atalhos que elas têm

no impulso de além adiante

profundo vai e vem”

“Buscamos longe o que está próximo e esquecemos de ir além…”

“Lembra-te dos quilômetros que a alma pede chão”

“Quanto mais longe vou, mais perto de mim estou”.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Infância Roubada

Infância Roubada

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Depressão, ansiedade, dificuldades de aprendizagem, obesidade, pânico e diversas alterações de comportamento, são inúmeros os transtornos que aumentam a lista de atendimento de psicólogos, psiquiatras e pediatras. Crianças e adolescentes psico-somatizados como os adultos, sinalizam que algo não vai bem no desenvolvimento. Pais ansiosos, mergulhados num sistema cruel e exigente, que cobra posturas, incentiva a competição, maior rendimento e status, são massacrados e consequentemente massacram os filhos. Inúmeras atividades extra-curriculares tiram da criança e do adolescente o direito de brincar, de viver as experiências naturais e necessárias para o seu desenvolvimento. Cada etapa tem seu encanto e se perdidas, provocam um vazio, pois a criança deixa de ser ela mesma para atender as expectativas dos adultos. Projetos feitos sem a aprovação dos filhos dos filhos, levam a inúmeras situações que roubam a infância e adolescência. Quando não há tempo para entrar em contato com os sentimentos e as emoções, também não há esperança para os pais conhecerem seus filhos intimamente. Pais impacientes, ansiosos e imaturos “tercerizam” suas responsabilidades por falta de preparo emocional. O mais triste é que perdem também esta etapa de proximidade. As atividades extras são importantes quando bem dosadas e vem para a ajuda psico-social dos filhos. O exagero é que rouba dos filhos o direito de descansar e aprenderem a relaxar e podem levar a conseqüências posteriores. Um desenvolvimento natural, emocional e espiritual dará aos filhos e pais aconchego e uma educação de coração para coração. A linguagem Espiritual, do sentir, da amorosidade fará a integração natural da educação e os sentimentos. Neste espaço de harmonia ficarão as boas lembranças, a convivência saudável e a referência positiva. Limites, respeito, amor sem super proteção dará como resultado adultos saudáveis.

DICAS

Quantidade de tempo não é qualidade.
Ouvir com atenção cada filho em espaços individuais.
Ter contato físico e amoroso através de abraços, contato olhos nos olhos com freqüência.
Não projetar nos filhos aquilo que vocês não fizeram.
Ensinar aos filhos que nem tudo é competição.
Respeitar as individualidades.

Que todos os seres sejam felizes e em amor!!
Tereza Valler

Carta aos pais e adultos

Carta aos pais e adultos

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Estou cansada de ficar escondida nos seus medos e agonias. Coloque-me  no sol.

Mostra-me a luz do dia claro, da lua e do frescor da chuva nos dias de verão.

Mostra-me os pássaros, os bichos de quem os adultos tem medo e eu não.

Faz-me tremer de alegria como se tudo fosse um parque de diversão e me mostre todos os brinquedos. Não me boicote nos sorrisos e nas lágrimas. Ensina-me a enfrentar as sombras da noite sem viver o seu mundo imaginário e assustador.

Abra seus braços e me acolha quando eu tiver frio e sono. Cante cantigas de ninar e conte historias onde os finais sejam bons e me transmitam confiança.

Deixe-me livre para criar, para dançar, para amar. Não coloque obstáculos nas  minhas atitudes para que eu admita erros. Com delicadeza me ensina que amar não é repetir. Deixe meu corpo dançar como o trigo nos campos ao vento, para desenvolver meu prazer sem culpa. Não coloque olhares de repressão como açoites nas minhas manifestações singelas e simples. Assim, poderei olhar a beleza da vida, das artes, das cores. Não tire o brilho do  meu olhar quando eu me voltar para a simplicidade da vida. Dessa forma, poderei olhar o mundo adulto com  mais certeza e sensibilidade. Não me diga não, quando sujar as mãos de terra, pois neste contato me sentirei segura nas minhas sensações. Acorda-me devagar para a vida e me deixe acordar. Não grite seus desejos e anseios para que eu não me torne rígida querendo corresponder ao seu mundo. Deixe-me sentir, falar dos meus sonhos, planos, desejos, pequenos que sejam, para que se tornem grandes.

Deixe que eu ache a formula da felicidade, mesmo que não seja para você a certa.

Deixe meu coração bater para cada momento, cada pessoa, cada situação.

Só assim poderei sentir  meus sentimentos e viver minhas emoções. Preciso sentir raiva para expressar a sombra, para que ela se torne luz. Deixe-me sair da terra como uma semente que não sabe em que flor irá se transformar, e mesmo assim me sinta amada e admirada. Assim, posso espalhar perfume e beleza por onde passar.

Abra seus braços e me acolhe, eu sou criança que precisa de limites sem ser limitada.

Veja e sinta o mundo que existe em mim, não queira mudá-lo sem que eu queira. Não tire minha pureza e  momentos de silêncio que são meus! Não invada minha privacidade com violência, para que numa jornada pessoal eu possa expandir em amor. Quando viver esta expansão tocarei o céu, as estrelas e me sentirei aquecida pelos amigos guardiões que protegem os inocentes e onde só as crianças conseguem chegar.

Por Tereza Vallér

Sentimento de Estrangeiro-ParteII

Sentimento de Estrangeiro-ParteII

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(Parte dois)

Mecanismos de sobrevivência

Os mecanismos de sobrevivência são estratégias desenvolvidas inconscientemente e têm como objetivo uma maior adaptação e sobrevivência ao meio. Dividiremos aqui de uma forma didática, mas estes mecanismos costumam se somar, de forma que cada indivíduo pode se utilizar de vários ao mesmo tempo. É bem possível que ainda existam outros não mencionados.

Auto-suficiência – Tendem a buscar encontrar seus próprios caminhos na vida. Porém, em função de sua autonomia e das frustrações que vai vivenciando, desenvolvem com frequencia um sentimento de individualismo e auto-suficiência. Confiam mais em si mesmos e não contam muito com as pessoas.
Arrogância – Às vezes, para lidar com o sentimento de menos-valia, gerada pela sensação de inadequação, tornam-se arrogantes. E apesar do desejo de pertencer, reforçam a própria diferença. Muitas vezes, sobrevivem procurando se sentir especiais, no sentido de acima e melhores. Orgulham-se de sua inteligência, sensibilidade, intensidade, profundidade, criatividade etc,. E, com isto, apesar de admirados, tornam-se cada vez mais solitários.
Melancolia – Alguns são afetados de forma drástica pela melancolia, dando asas à sua nostalgia e apegando-se à dor da separação. Tornam-se muito insatisfeitos com a vida e com tudo em volta, entrando, às vezes, em depressão ou em outros transtornos psicológicos.
Adaptáveis – Alguns procuram esquecer sua diferença e fazem tudo o que podem para parecerem iguais a todos os outros. Tentam esconder o que se passa em seu íntimo, mas continuam se sentindo diferentes e incompreendidos.
Desvinculados – Outros mergulham em estudos e pesquisas para não pensarem em suas próprias vidas, se vinculam com o objeto de sua atenção para atender sua curiosidade. No entanto, esses objetos dizem respeito ao intelecto, animais e plantas e não com o ser humano. A intenção do indivíduo aqui é não estabelecer muitos vínculos com as pessoas.
Comunicativos – Alguns desses indivíduos têm uma grande capacidade de comunicação e doação; no entanto, não deixam que cheguem muito perto com receio de, mais uma vez, se sentirem feridos. Por isso, tornam-se solitários mesmo em meio a multidão: podem até se comunicarem, porém sem conseguirem “pertencer”.
Alienados – Outra forma comum de sobrevivência é a alienação. É natural que esses indivíduos fiquem fora do ar, desconectados (as) da realidade prática da vida, tendo que fazer muito esforço para lidar com seus compromissos práticos. Tendem a ser alheios ao que acontece próximo de si e no seu meio. São distraídos e perdem facilmente as coisas, só se ligam naquilo que está no campo de seus interesses.
Sonhadores – Existem também aqueles que ficam meio alados, descorporificados, desencarnados. Esses desenvolvem um corpo frágil, não toleram exercícios, não têm muita vitalidade e também são muito introspectivos e sonhadores.
Distraídos – São aqueles que estão sempre distraídos, sem foco, fazem muitas coisas ao mesmo tempo, ávidos de informações, estão sempre iniciando algo novo, um novo projeto que não terminam ou perdem muito energia para dar conta de todos. Têm dificuldade de concentração, de atenção e, às vezes, de memória. São desorganizados e indisciplinados.

Os mecanismos de sobrevivência desempenharam importante função durante a vida destes indivíduos. Ajudando-os seguramente a lidarem com o dia-a-dia, mas como são inconscientes, não são funcionais como gostariam que fossem.
Desta forma, em algum momento, se tornaram disfuncionais causando mais dor e desconforto do que vantagens ou benefícios. Uma vez identificado os mecanismos usados com mais freqüência, é necessário refletir e encontrar outras estratégias substitutas, mais eficientes. Este processo às vezes é muito complicado, necessitando em muitos casos de ajuda psicológica para que se efetive esta mudança e transformação. É difícil desapegarem-se daquilo que de certa forma os manteve “vivos” até agora. Mas na seqüência desta série de textos, faremos algumas reflexões para facilitar este processo de mudança.

Estratégias compensatórias

São estratégias utilizadas inconscientemente. Elas visam compensar e aliviar a dor profunda do sentimento de estrangeiro.

Andarilhos – Não se vinculam a nada nem ninguém, vão em busca de uma fonte externa de preenchimento, têm fome do novo, de contato com a diferença, porém sem vinculação. A cada novo lugar é tomado por uma esperança de ter finalmente “encontrado”, seguida de uma profunda frustração, pois percebe que não foi dessa vez e se põe novamente a caminho… Muitos perdem totalmente a esperança e vagam sem destino algum em busca contínua de novas experiências.

Viajantes – Têm o sonho de que encontrarão em outras cidades, países, culturas, a paz, preenchimento e nutrição que tanto anseiam. Desejam, desta forma, ser acolhidos e tornar-se parte deste novo local, mas na realidade não são dali e novamente vem a sensação de “não-pertencimento”. Alguns se tornam “almas ciganas” e passam a viajar de lugar em lugar sem expectativas, a não ser a de continuar a caminho.

“Viajantes”- Buscam o “estado alterado de consciência” através do uso de substâncias psicoativas, para uma viagem interna em busca de si mesmo, buscando dar um sentido ao vazio existencial. Buscam o preenchimento através das experiências interiores e mergulham no mar do inconsciente, em busca de respostas nem sempre encontradas. Muitos intensificam esta busca e perdem a referência de si mesmos ou do próprio caminho.

Visionários – Buscam através de construções concretas trazer o “Shangri-lá”, o paraíso perdido, para o plano terrestre ou criam comunidades para uma “convivência harmoniosa” entre pessoas das mais diversas procedências. Como promessa de um mundo novo possível.
Antecipam uma realidade ainda dificilmente sustentada. Alguns fazem desta busca o motivo central de sua existência e passam a viver de sua visão e muitas vezes perdem o contato com a realidade próxima.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti