Há dois vícios básicos que devemos nos acautelar no processo pessoal de transformação: O da dramatização e o da profundidade.
No inicio do processo de crescimento pessoal o lugar da dramatização é um lugar comum. Trocamos a negação de nossa realidade defendida para a realidade dramática de nossa história pessoal, nos agarramos a ela, nos fixamos e esta passa a ser a nossa bandeira ou pelo menos nosso argumento de vida. Tornamo-nos uma grande vitima quer passiva e fragilizada ou revoltada e passional. Este estado persiste até que começamos a assumir a autoresponsabilidade pela nossa vida e realidade do momento, apesar de nossa história.
É quando surge muitas vezes a fase mais difícil. Quando já consciente do nosso papel e agora agente ativo no processo de mudança, inconscientemente buscamos outros recursos e escapes para nosso ego. Talvez a fase mais difícil e árdua no processo de transformação pessoal é quando estancamos nosso movimento por nos fixarmos às nossas identificações, com a nossa profundidade. Identificamo-nos com o guru e sábio, nos identificamos com a experiência e a intensidade ou nos identificamos com a grandeza dos sentimentos. Fixamo-nos na importância de cada um destes ideais egóicos. Colocamo-nos de alguma forma acima, alem de viciados no conhecimento, nas emoções e no poder ou nos sentimentos nobres.
Esta identificação é um escape do ego para não sucumbir à grandeza real da alma. O ego e a alma se assemelham e o primeiro se veste de maneira impecável para parecer-se com a segunda. Mas a vida não pode ser enganada, e os acontecimentos mostram que algo não está fluindo bem, passamos por inúmeros percalços como uma forma de nossa alma comunicar o nosso afastamento e separação interna. Justificamos estes acontecimentos de inúmeras formas e mais uma vez projetamos, culpando o sistema, os governantes, os colegas de caminho, os companheiros e companheiras, a família etc.
A vida testifica nossos acertos e nossos equívocos, mas nos fazemos de desentendidos e criamos um ponto cego, exatamente no ponto em que mais necessitaríamos de enxergar. Nesse sentido urge abandonarmos as habilidades do ego que é incapaz de nos ajudar nesse aspecto e humildemente assumirmos nossa impotência ante a realidade de nossa ignorância e pedirmos ajuda espiritual. Pedirmos ajuda a uma realidade alem do ego e de nosso alcance. Se abrir, se entregar ao vazio do não saber, o vazio alem das experiências e dos nossos sentimentos, por melhor que sejam. É necessário paralelamente diminuir os movimentos, as buscas, as aventuras, as ações e se voltar para dentro, para o vazio, para o não conhecido, o não experimentado e o não sentido. Só assim então perder a separação e começar a se unir com tudo.