Auto imagem do santo(a)

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Outra autoimagem comum entre os buscadores da luz é a do santo. Confundimos desistência com renuncia, esquecimento e descuido de si mesmo com altruísmo, passividade com não violência, bondade com falta de proteção consigo mesmo. Não que não tenhamos estas qualidades, e sim porque, exageramos ou atuamos muitas vezes no lugar errado, quando a situação requereria de nós outro comportamento. O resultado é cansaço, carência, sensação de estar sendo injustiçado, desconsiderado, tristeza e depressão. Isso nos leva a um distanciamento das pessoas e intensificando o papel de santo, agora também, mártir, como compensação.
Apegamo-nos a esta imagem não como algo ruim, mas como uma condição especial apesar de incompreendida. Nela nos tornamos especiais aos olhos de Deus, mesmo que não reconhecido pelos homens.
A religião costuma reforçar esta autoimagem e o sofrimento de se identificar com ela é obviamente muito ruim. Ela nos afasta dos demais e ficamos cada vez mais solitários.
Precisamos rever este lugar. É possível que na infância ser bonzinho era uma condição de sobrevivência, mas será que os benefícios ainda são os mesmos?
Como renunciar algo que eu ainda não possuo, sem desistir? Como ser altruísta se ainda não conquistei amor por mim mesmo e sem valorizar o que tenho? Como atuar na não violência sem ter conquistado a coragem? Como ser bom com o outro sem ser bom antes consigo mesmo?

Flávio Vervloet

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