Labirintos do feminino

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“Eis aquilo em que creio: Que eu sou eu. Que minha alma é uma floresta sombria. Que o que eu conheço é apenas uma pequena clareira na floresta.Que deuses, estranhos deuses, vão da floresta para a clareira do eu conhecido, e depois se afastam. Que devo ter a coragem de deixá-los ir e vir. Que não deixarei jamais o meu pequeno Ego me dominar, mas sempre tentarei reconhecer os deuses que estão em mim e a eles me submeter, assim como àqueles que estão em outros homens e outras mulheres”.

D.H.Lawrence.

PARTE 1
lotus Um dos motivos que têm levado muitas mulheres à terapia é a busca do feminino perdido. E, muitas vezes, é durante a terapia que ela vai se dá conta dessa perda. Mas o que é o feminino?  E porque esse fascínio atual?   Essa necessidade de entender as diferenças entre Logos e Eros (no sentido filosófico de estar-relacionado), Sol e Lua, Yang e Yin?
A mulher sem o feminino pode se expressar tanto numa natureza dura quanto numa doce e suave, quase etérea.  O princípio feminino é algo maior que estereótipos a que estamos acostumados. E ele está presente em tudo, lado a lado, com o masculino. Sem distinção em homens e mulheres, apenas com peculiaridades importantes.
Segundo Esther Harding, em seu “Os mistérios da Mulher”, a feminilidade, o princípio feminino é, a despeito de qualquer coisa, mesmo nos tempos da masculinização feminina, a mola principal da mulher, controlando tanto sua vida psíquica quanto seu psicológico interior. E nos lembra que o mesmo princípio feminino  funciona no homem.  “Enquanto na mulher a sua personalidade  consciente está sob a regência desse princípio, no homem  não é seu consciente, mas seu inconsciente que é relacionado com Eros”.
Esther lembra que no inconsciente, o homem é transferido para o “outro lado”.
“Lá rege sua alma que a humanidade tem considerado feminina. Essa alma feminina do homem é a anima. A natureza desta e o relacionamento com ela determinam a natureza de suas relações com as mulheres e também suas próprias relações com o interior e com o reino espiritual”.
Nas sociedades primitivas, o culto da Lua cedendo lugar ao culto do Sol  iniciou o caminho da humanidade sob perspectivas de  um mundo guiado pelo masculino. Ou o que se entende por ele.  Para a autora, nossa atitude no século atual é o resultado dessa mudança de valores simbolizados pela Lua, para valores simbolizados pelo Sol. “O resultado foi a convicção de que o intelecto é  o maior poder espiritual e de   que tudo pode ser organizado corretamente se as pessoas utilizarem a inteligência”. Esquecem elas que o Logos também tem um  poder criativo não-humano do princípio masculino. Mas essa é outra história. Voltemos ao feminino.
O que é este feminino maltratado, rejeitado, perdido?  O feminino tem a ver com  o interior, o espiritual. Não é nada do que se convencionou chamar de feminino (sentimentalismo, benevolência indiscriminada, etc..). Em “Os Mistérios…” somos lembrados que na natureza, o princípio feminino é uma força cega, fecunda e cruel, criativa, acariciadora e destrutiva. “O poder que começa no outono e supera o Sol é o frio e a obscuridade do inverno. Isso é o que os chineses consideram a essência do princípio feminino, o grande Yin, simbolizado pelo tigre deslizando furtivamente pela relva, esperando para pular sobre sua presa com garras e dentes, e ainda parecendo todo tempo macio, manso como um gato, fazendo com que quase nos esqueçamos de sua ferocidade. Esse poder feminino foi chamado Eros pelos gregos, e significa o estar-relacionado, mais do que o amor, pois na idéia de Eros está contido tanto o negativo, ou o ódio, quanto o positivo, ou o amor”.
Esse caráter ambivalente do feminino é o que assusta os homens  e permeia, de forma inconsciente, a mulher. O que, algumas vezes, mesmo sem conhecer e entender esse princípio da forma vista pelos homens, faz com que ela, tal como os homens, o rejeite.  A integração disto não seria a integralidade do próprio ser e viver?
Jossânia Veloso

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Sobre Jossânia Veloso

Jossânia Veloso - Coach, jornalista, formação em Comunicação Social - Jornalismo, e em Filosofia, especialista em Filosofia -História do Pensamento Brasileiro e especialista em Comunicação Audiovisual (Cinema e TV). Áreas de interesse especial: saúde, filosofia, psicologia, fotografia, desenvolvimento pessoal, comportamento, mitologia e espiritualidade.

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  1. O feminino sempre foi visto como fraqueza, incapacidade ou coisa do tipo.

    Vemos isso na prática com alguns exemplos:

    1) Quando um homem homossexual, tem características do feminino, ele é mais discriminado do que um homem homossexual que não tem essas características.

    2) O humor sempre está envolvido com a figura do feminino. Todos os programas de humor da televisão, tem personagens que se utilizam da figura feminina para criar um ar de deboche.

    3) Se a mulher exercer uma profissão masculina que necessite de autoridade, tipo: polícia, delegado, juiz, ela tem que se masculinizar para poder ter o respeito na execução na profissão.

    Concluindo: Infelizmente, a figura feminina está cada dia mais sem valor, talvez por conta da banalização do feminino por ser o símbolo da fragilidade.

    Eu amo ser mulher e amo ser feminina!!!

    Muito bom artigo. Parabéns!!!
    Bjs…

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