Oikos e destino

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425528Hoje em dia nós ouvimos muito sobre o despertar de uma consciência ecológica.  A palavra grega oikos significa a casa natal. E por isso os helenos falavam de uma economia doméstica, voltada para a gerência da casa, com seus recursos e providências.

Mas essa palavra abarca um significado mais amplo. Ela abraça a urgência de aceitação do estado de interação entre o ambiente e a sociedade, implicando o acolher, do ritmo flutuante da vida, os ensinamentos para muitas de nossas limitações e, igualmente, para muitos dos recursos naturais, finitos. Parece-me notável que esse despertar nos possibilite lampejos de esperança perante uma situação mundial degradante, pois a casa, a Terra, é o coletivo, o habitado.

Eu não gostaria de cair no embaraço de que minha meditação venha a refletir a vontade indizível de uma pessoa ainda em busca-no-presente, mas querendo falar sobre perspectivas desconhecidas porque ligadas à ideia de futuridade, ou seja, nesse instante elas estão misturadas à escuridão – o desconhecido. Penso apenas que nossa parte como ser humano pode insistir na possibilidade humana de viver com futuro… E, por isso, bem provável a necessidade de reexame sobre esse viver no plano individual (micro) e também na dimensão global (macro).

Essa tarefa não me parece abstrata, mas continuamente concreta. Trata-se, aqui, de como garantir equilíbrio sinérgico na grande rede socioambiental, o que chama, é claro, manifestação da vontade, participação e solidariedade. Sem deixar de considerar como precondição o fato de que não temos apenas direitos (a dimensão existente da vida), mas, é certo, temos também deveres (a dimensão ética da vida).

Nós temos, por assim dizer, de aprender a reconhecer em todos nós uma inevitável suscetibilidade, que nos impele a revisar toda experiência de nossas limitações, assimilando, sem suspeita, um princípio que nos ata a todos em nossa casa natal: a interdependência.

Sem dúvida, em relação a perspectivas sobre o presente e sobre o futuro, no plano individual e no global, talvez possamos, honestamente, deixar de estimular/almejar uma economia de conforto excessivo ou de comodidade insaciável, mas nos propor a aplicar uma economia de responsabilidade compartilhada, aprendendo a efetiva solidariedade dos seres humanos e do cuidado com a Mãe Terra, nossa casa comum.

Às vezes, isso ainda é pouco visível em nossa sociedade e no convívio de muitas pessoas. Os jovens sentem isso. As crianças apenas sabem… Precisamos, talvez, nos render com humildade para reavaliar nossas necessidades, pois tudo muda, tudo flui, tudo passa. Esse é um tema de Heráclito, o devir. E, sem receio, sociedade e ambiente representam uma unidade indissolúvel, um dinamismo, pois estamos integrados a uma teia, a rede da vida, logo, a um coletivo destino.

Eugênia Pickina

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