Ser-capaz-de-escutar

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The TulipsNo geral, a nossa existência social é tão coagida e apressada que o encontro se torna difícil e raramente dá um resultado positivo.

Assim, é verdade, que de alguma maneira o ser-capaz-de-escutar possa se colocar como uma precondição da orientação comunicativa de mundo que possibilite uma brecha para um possível encontro. Em todo caso, isso, ao menos, nos retiraria da experiência de solidão e de incompreensão, estreitamente ligada ao descaso com a vida de relação.

Sem correr grave perigo, o ponto de vista alheio pode ser valioso, pois dá acesso a uma via para a escuta do conhecido (ou o sabido) e do ignorado (o não-sabido), meio que faz irromper alétheia, o descobrimento.

Escutar solicita a não-indiferença àqueles que partilham seus saberes e experiências conosco. E é claro que nem sempre isso é tranquilo, pois, no geral,  somos treinados, culturalmente, a duvidar dos sinais da vida e das escolhas disponíveis àquele que sabe ouvir.

Intuitivamente, consideramos que a rede da Vida indica os relacionamentos como caminhos para que ampliemos nossa criatividade e sensibilidade com as outras pessoas. Mas, como hábitos cristalizados, em muitas ocasiões, estar em companhia provoca dispersão…

Como a nutrição íntima depende da capacidade de prestar atenção às nossas necessidades e sentimentos, o saber escutar  pode favorece uma maior consciência sobre o que necessitamos de fato, porquanto a Mãe Terra coloca à nossa disposição muitos interlocutores diferentes, aptos a nos ajudar a descobrir respostas às nossas perguntas mais essenciais.

Além disso,  a habilidade da escuta evita o desperdício do precioso tempo de outras pessoas, pois impede que joguemos, nelas, queixas ou enunciados vazios. No lugar das lamúrias, mais cientes da nossa autoexpressão, simplesmente nos colocamos à escuta, atentos aos perigos de recair no “tagarelar” em vez de compartilhar.

Para ir além de nós mesmos, precisamos acolher  a atitude que implica um distanciar-se de si mesmo, pois não há escuta possível quando estamos colados ao próprio corpo. Ao contrário, a escuta possível depende do despojar-se do “eu já sei” para honrar a comunicação de o outro.

Eugênia Pickina

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