Amor por si mesmo e vida intersubjetiva: uma mesma trama

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picassoDalai Lama já disse: “amar os outros é uma maneira especial de amar a si mesmo”.  Mas, em geral, resistimos a esse clima de afeto e de indulgência, mesmo cientes de que o amor pelo outro e o amor por si mesmo não são separados. E, aqui, reside uma de nossas dificuldades – a abertura do coração. E por quê?

Ao negar-se o amor por si mesmo, nos encerramos em nós mesmos. Passamos a usar, sem discernimento, as ferramentas mentais do julgar e do discriminar, afastados do fato de que é graças à vida de relação, às trocas interpessoais,  que podemos aprender a expandir, também, a qualidade dos sentimentos que nutrimos por nós mesmos.

Uma cultura que preza a educação puramente intelectual, limitada ao processo de aprender a conhecer e a fazer, inclina-se a desprezar o ser e o conviver, o que largamente dificulta o encontro entre pessoas, naturalmente predispostas à expressão de intuições autênticas e sem o receio de punições ou condenações verbais (expressas ou veladas).

Com efeito, amar a si mesmo liga-se basicamente à aceitação da aventura do trabalho interior, enraizado no reconhecimento da própria potencialidade de plenitude,  o que impulsiona o indivíduo a se aproximar  do melhor de si mesmo e, consequentemente, permitir-se a diversidade de novos relacionamentos, pois nascemos, sobretudo, para compartilhar e amar.

E é nesse sentido que podemos afirmar que somos “condenados” a Ser, pois somos habitados pela Presença,  e se ninguém pode obrigar ninguém à arte de amar, o ser humano se realiza (e se liberta) quando consente com o caminho da individuação, criativamente suscetível a encontros diversos.

Certamente, este convite-desafio possibilita uma lição colhida na concepção platônica de que “aprender é recordar”: do mesmo modo que ninguém pode aprender sozinho, ninguém pode amar sozinho, pois a autonomia e o amor próprio, base da autoestima, dependem também do cuidado com a vida intersubjetiva, responsável pelo florescimento dos experimentos e afetos apreendidos com o outro, que causam ressonância no si-mesmo.

Eugênia Pickina – Palavra Terra 

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