Impreciso (e alegre) viver

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2347580382_5104f6a767_oA  falta de alegria se cristaliza no hábito do girar em círculos, o que faz a alma adoecer, pois ela deseja abrir-se à transparência de qualquer circunstância que se anuncia.

É preciso caminhar o caminho. É preciso singrar rumo ao esperado que dá oportunidade ao inesperado, pois há em nós uma abertura para a boa qualidade de nossas forças criativas.

Como sou quando estou a sós? Não há outro meio: precisamos explorar o que nos falta, mas dando rumo ao que nos preenche, mesmo que isso cause medo, pois essa permissão faz colapsar a turgescência.

E como a qualidade de (re)inventar é nossa natureza essencial, por que sentimos medo? Em algum instante nebuloso perdemos a confiança essencial, asfixiada no “primeiro medo”, enterrado em terras submersas, e passamos a viver segundo a trama da mesmice, influenciada pelo jogo, inglório, do padrão e do descaso com a própria originalidade.

Arrisco: nossa vida vale pelo novo olhar que pomos nela. Por esses olhares renovados podemos redimensionar nossa verdadeira face, sem o cansaço das máscaras, tediosas, pois repetidamente testadas, o que consuma em nós a falta do encanto.

O autodesenvolvimento é solícito a um modo de vida que seja baseado no testar das aptidões, mas também nos erros e experimentos que as partilhas possibilitam, pois essa flexibilidade, em si mesma, é capaz de aprofundar nosso amor por nós mesmos.

Rollo May afirma que “amar significa essencialmente dar; e dar exige maturidade no conceito de si mesmo”. Essa exigência, por sua vez, liga-se à consolidação da autovalorização, tecida, sobretudo, pela vida de relação…

E se o reino de Mefistófeles é o reino da ilusão, toda circunstância que a vida desdobra dá condição para ser apreciada, nunca para dar guarida ao fugir nem fingir: e dela devo dispor para viver como se fosse, sobretudo, eu mesmo.

O presente pode ser fecundo, pode ser eivado de mistérios… Já dizia Quintana, no seu Baú de Espantos: “Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo…”

Então, não ilhado na rigidez das horas, dê vazão a si mesmo – para o interior e o exterior. Permita-se fluir como um rio, que não pode parar. Alegremente, cativa o amor  e não represa o espanto emerso do impreciso viver…

Eugênia Pickina – Palavra Terra

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  1. “Como sou quando estou a sós”, creio que esta frase enlança grande parte das necessidades que temos de realizar o caminho da viagem interna, do eu-transformar-se. O olhar sobre nós mesmos não pode ser vazio de sentido ou conteúdo (não pode ser SUPERFICIAL), do contrário não servirá de auxílio na caminhada – aquela, que deve levar ao interior e ao encontro e consciência daquilo que falta em nós.
    Gracias pelo texto. Beijos!

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