Balanço

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A vida, a prosa e a poesia transcorreram este ano como um riacho que provou das estações.

O escrever não rechaçou nada do que pôde garimpar em sua peneira de palavras, incrustadas no coração dos outros, à mercê da paciência da ação que reúne, arrisca e crê nos mistérios. Cumprimos a aventura, suspeito, embora tenhamos às vezes sofrido o desalento, o erro, o aprendizado, ou seja, vivido, nas trevas e nos espaços abertos, a nossa humanidade, que ainda é ensaio.

Poderia, por atrevimento, dar escuta à melancolia, pois, para abrir passagem, é preciso dirigir um olhar profundo para o que foi e se acumula no passado. Mas, não faremos desse modo porque a luz brusca da mudança impede a nostalgia multiplicar os desvarios de uma existência; então, se pôr em marcha.

Em cada época sentimos a presença do ódio, intolerância, amarguras e medos, fracassos e vitórias solitárias (estas duas são impostoras). Contudo, o canto do amor acompanhou os agonizantes, os fracos, os humildes, acalentou os poderosos e os indiferentes como uma tentativa (válida) de brotos à espera de fixar raízes… Ora, sabemos: há aqueles que podem sair das ilhas e afastar as brumas. Outros, ainda não. E mesmo assim o amor resiste.

O convite: abrir os olhos para dar sustento a quatro coisas preferidas: uma é a brandura quente e sem fim do amor; outra é arrastar-se ao inverno e conhecer o frio silvestre que esconde a chave no baú de gelo branco; outra é contar com a primavera e suas flores redondas; outra é o verão cálido das frutas cítricas e da chuva fina esvoaçante. Quanto ao outono, ele existe interestação e suas folhas são intermináveis…

Agora, caso haja a disposição do querer, no verão, podem viver dentro de si a luz, sair do escuro, pois a noite seguirá suas estrelas e o Sol espera sempre no campo para viver outro tanto…

Isso é tudo por hoje, pois o ano finda… E a Alma se alegra em havê-lo vivido, pois já não somos os mesmos.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

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  1. Eugenia querida. Que dom abençoado o seu, tocar o coração das pessoas através da sua poesia. As imagens que voce escolhe falam por si. Essa flor irradia tudo o que seu texto expressa. Depois de ler seus textos não somos mais os mesmos…Que em 2010 continue com toda essa inspiração.
    beijão.
    Vilma

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