Desejo e presente

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Podemos viver.

Viver o presente que não cessa de mudar e continuar. Sim, pois o presente é o lugar que existe para nós. Mas, com frequência, não nos damos conta disso e, em diversas situações, ou somos enovelados pelo passado (nostalgia), ou deslocados  pela ânsia com o amanhã (preocupação).  

Nada disso, o ser em ação, na ação de ser, irradia sua expressão apenas no aqui e agora, única forma de habitar a dimensão da realidade, associada à verdade.

Assim, podemos viver o presente e com desejo.  Mas seria o desejo entendido como falta?

Não, o desejo como potência, segundo a expressão de Espinosa, e, desse modo, desejar o que está diante de nós, e não fora ou à mercê de nós. Isso significa, simplesmente, transformar o desejo em prazer, cultivá-lo, fazê-lo durar e renascer, abrindo-se à capacidade de se encantar com a força de amar e desfrutar, com alegria, o que se coloca disponível para nós.

Nossos momentos de felicidade são aqueles em que desfrutamos daquilo que temos, a ponto de, por vezes, nada esperar do outro. Logo, sem complicação, ser feliz pode implicar nada esperar e tão-somente fazer a nossa parte e, com esperança, caminhar o caminho.

Não paramos de mudar, eis o fato. E se não somos pessoas sábias, temos nossos momentos de sabedoria e podemos gozar o gosto de sentir a bem-aventurança de estar vivo e, por isso, iluminar-se à medida que se deseja bem existir…

Vagar como a rosa e com aqueles que conhecemos, porém sem esconder-se do que não conhecemos. Deixar-se, então, lançar as âncoras e em meio ao Sol, seguir viagem para como o ouro purificar-se, sem se perder, pois o percurso, longo ou curto, é razão de encontros, segundo a meta do amor que nos põe a degustar beijos e realidades diversas, ecos do interior do Invisível.

Assim, o presente basta. E se houver “um dragão no caminho, usa o amor como esmeralda que o verde brilho nos salvará do monstro” (Rumi). No mais, degusta para tecer, a cada dia, a passagem de uma história edificante.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

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  1. Querida Eugênia,

    Se já não bastasse seus ensaios inspiradores de sempre, sinto que a abençoada maternidade potencializou tudo isso…está escrevendo cada vez melhor e sou-lhe grata por isso, por poder desfrutar dos seus escritos cada vez mais profundos e valiosos!
    Fica com meu abraço forte e fraternal

    • Stella, de volta da viagem, agradeço seu comentário amoroso. Sigamos, pois, rumo aos encantos e desafios do Novo Ano. Bênçãos para todos nós, os passantes… Bjs. Eugênia.

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