Notas de um viageiro

Padrão

Não eu, não eu, mas o vento que sopra através de mim. D. H. Lawrence

Não podemos predizer, nem advertir sobre o que é certo para a vida de alguém.

Para alguns, a fidelidade a um propósito particular é algo que deve ser honrado, sofrido, até alcançar uma realização significativa; para outros, o propósito é negligenciado, contaminado por alguma fixação (interna ou externa) que estanca o autodesenvolvimento, causando desequilíbrios e aflições.

Sabemos que somos dirigidos internamente por um Navegador – a alma e seus eventos  que nos compelem a seguir adiante para dar cumprimento aos aspectos diversos de nossos dons e potências. E quando aceitamos a presença desse Navegador, somos instigados a tornar o viver mais rico e mais honesto, ou seja, menos doloroso e menos contaminado pelas ilusões (as pedras) do caminho.

Porém, caso o sujeito recuse as intimações que são sussurradas pelo Navegador, distribuídas em sonhos ou em situações que se repetem, será puxado para baixo, ou seja, levado a contragosto para o mundo subterrâneo – e a depressão, por exemplo, poderá contê-lo em limites muito estreitos, minando a alegria, a esperança e os recursos criativos que auxiliam o conduzir da viagem…

O que nos bloqueia ou confunde? Quase sempre é o medo, o antagonista que se opõe à conquista da autonomia, que incentiva o retrocesso, a queixa renitente que torna a vida sem motivo, ou, mais grave, desviada da sua meta essencial.

Como a tendência forte da nossa época é a despersonalização, a força que nos estimula à realização do propósito essencial está aparente, sem dúvida, na mais humilde das vidas, sobretudo naqueles que acordam exaustos e saem para trabalhos exploratórios para poder sustentar suas famílias. Ora, quem quer se levante para fazer o que tem de ser feito, comunga algo valioso com todos nós.

Desse modo, na contramão da nossa sociedade narcisista e superficial, que transfere  o status de heróico aos astros de cinema, às celebridades de todos os tipos,  o  protagonista do próprio destino é aquele que busca expandir seus dons, vencendo a si mesmo e ajudando a modelar os grandes atos (normalmente anônimos), que irradiam tanto a alteridade como a solidariedade – diretivas para o bom desenvolvimento da individualidade junto à coletividade.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

Anúncios

»

  1. Pingback: Recomendação spagbas: Notas de um Viageiro « spagbas

Escreva seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s