Passante

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Quando estamos longe da terra nunca a recordamos em sua aridez.

E por isso o crepúsculo abre a transição para o aroma noturno, procurando demonstrar a solidão do céu, e, no espaço, todo o movimento das estrelas, suas cinturas incendiadas, que nos revelam dons desconhecidos, e, no silêncio, as aves que dormem em árvores à espera do amanhecer.

Enquanto isso, nós, os homens, perto do sonho, lutando e esperando, junto à inútil ansiedade, que torna a esperança em agonia e suspende o coro das possibilidades trazido pelo devir, mesmo que seja no depois de amanhã, porque até ele chegará com sua luminosidade.

Não sei. Mas é ilusão crer-se sozinho.

Estamos vivos e mesmo os passos perdidos nos levarão a encontros no caminho.

E será (se quisermos) um caminho desembaraçado da confusa nostalgia – acorde do medo e das trepadeiras, que nos prendem em muros sem saída.

Decidir-se, então, pelo pacto com o caminho.

Gentilmente, então, o caminho se revelará e o viveremos entregues e sem desespero.  Sim, porque respiraremos com leveza e confiança e, assim, haverá a inocente gratidão pelo ar, água, solo e vento, fecundos para as sementes.

É hoje minha alma: simplesmente sucede que podemos fazer do coração em movimento, andando ou repousando, nossa parte no mundo

Eugênia Pickina – Palavra Terra

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