Acerca da criança interior

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Por que a sensação de peso, o cansaço da alma, a tensão no corpo? O que aconteceu àquela criança, e seu assombro por estar sobre esta Terra que gira, e cheia de si?

Ela ainda vive nos sonhos transparentes que pululam da consciência enquanto não nos dirigimos às tarefas diárias… Ainda vive, mas muito profundamente, e está exaurida pela sombra das ilusões e do medo.

Sem desprezar a história pessoal de cada um, a única forma de reacender esta criança é trabalhar com ela, pois isso a ativará de tal forma que provocará tanto uma exploração quanto uma compreensão mais autêntica sobre as profundezas da raiva, da tristeza ou da falta de espontaneidade, pois nem só de pão vive o homem…

Na verdade, como toda transformação tem início dentro de nós, precisamos perceber que, silenciada a criança interior, a nossa vida torna-se defesa contra a vida, contra o inusitado e a responsabilidade, porque se negligencia a confiança na realidade e no mundo circundante, natural a esta criança.

Ora, o contato com a criança interior nos propicia a partilha de segredos relacionados com o processo de humanização,  à medida que nos religa com a natureza, com o próprio corpo e nos abre à verdade da nossa alma, pois nos permite voltar para trás para retomar os recursos reprimidos.

Esta experiência, ainda, está mais relacionada com a comunhão da alma do que com a vida prática e, por isso, a resistência do ego adulto em servir a esse objetivo.

Além disso, a ausência da vida que não vivemos e as culpas que lançamos em nós mesmos também são projetadas sobre esta criança, que passamos a evitar e, como efeito, um grau de receio resignado acaba por predizer o estado psíquico negativo e expressado através de sofrimentos diversos – ressonâncias de um coração assustado e silencioso.

No entanto, somente reencontraremos o fio que nos liga à fonte criativa de nossa alma quando entendermos que estamos afastados desta criança porque a tememos, e que a tememos porque estamos cheios de medo de nós próprios.

Logo, a transcendência do “terrível” risco de amarmos a nós próprios só será possível a partir da visibilidade desta criança, que nos ensina que a substituição do medo por amor começa em casa…  

Eugênia Pickina – Palavra Terra

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