Sob o evento da graça

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Podemos evocar as Graças que se juntam a nós quando nos pomos em contato com o outro e de um ponto de vista diverso dos nossos habituais julgamentos que necessitamos mascarar.

Então, esses encontros permitem tanto a extensão do coração ao céu como a inclinação em direção a terra, enraizando-nos com o outro, porque dissipadas as defesas e, como ressonância, uma partilha transparente.

Em quantos momentos a nossa vida se suavizou através do contato de alguém que nos consolou, nos valorizou, nos aceitou como somos?

Quando a mão da mãe foi doce, a mão do pai foi leve, ou quando fomos tocados como o Mistério que somos, de acordo com a luz que está sutilmente acesa em nossa matéria?

Tudo isso compõe o que somos – suscetíveis ao amor, à solidariedade e à gratidão, naturalmente receosos contra os preconceitos, a intolerância, a ausência do perdão.

Em cada encontro humano é possível apreender um pouco da Graça, porque podemos colher a alteridade do outro nele contido. Assim, despidos da prisão do julgamento, podemos nos dar a oportunidade de amar o diferente, ainda que não o compreendamos…

Talvez o segredo da Graça resida no fato de que amar não é pedir para ser amado, porém querer amar pelo amor apenas.

Sabemos que há muita sede em nós, muitos desejos e carências, mas, em razão da nossa luz, de tal sorte, é provável que consigamos dar sem nada esperar em troca. É raro, mas é isso que faz a Graça emergir do nosso íntimo para afirmar que a gratuidade é uma qualidade do amor…

Assim, não só da tirania do egoísmo vivemos.

Com efeito, num corpo e noutro corpo encontramos compaixão e vias abertas que provocam em nós transformações e avanços, pois nossa existência é feita de várias existências, sem subestimar o fato de que as folhas amarelas dão lugar às flores na primavera, sob o Sopro do inesperado vir-a-ser.

Eugênia Pickina

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Uma resposta »

  1. Excelente, “não só da tirania do egoísmo vivemos”… mas quantos saem desse “si-mesmo distorcido” para enxergar o outro, não só que ele existe, mas o que de belo e bom há além da margem do próprio ego?
    Quantos, no momento do teste moral, cumprem efetivamente com sua palavra e atingem o grau do “vir-a-ser”, fazendo-se unos com a verdade e com o que é correto?
    Se a gratutidade está como qualidade embutida no amor, os passos para essa gratuidade podem até ser lentos, mas precisam ser consolidados em rocha firme, como conquista interior, do contrário, doam-se apenas as palavras, mas nenhum sentimento.
    Mais uma vez, sou grato aos textos que no momento do meu encontro comigo mesmo, posso me atentar à caminhada e a construção contínua de uma atidudade madura e humanitária, pessoal e com meu próximo.
    Muchas Gracias! Beijos.

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