Pais – facilitadores da esperança

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Qual poderia ser a atitude dos pais em relação aos seus filhos?

Ao pensar nessa pergunta, passei a refletir e deixei a inspiração ativar o seguinte impulso: “Escreva!“ Não tenho alternativa. Obedeço.

E eu não tinha intenção alguma de tratar, aqui, sobre o papel dos pais em relação às suas crianças. Mas, de repente, veio-me à mente que as sociedades humanas projetam o melhor e o pior de si mesmas na educação dos seus filhos. Dessa maneira, não há como escapar da afirmativa de Goethe: “só teremos filhos educados, quando tivermos pais educados”.

Aí a questão passou a se movimentar por conta própria à procura de respostas. Pensei na minha condição de filho-criança e emergiu o conselho de Rousseau:

Não se pensa senão em conservar a criança; não basta; deve-se-lhe ensinar a conservar-se em sendo homem, a suportar os golpes da sorte, a enfrentar a opulência e a miséria, a viver, se necessário, nos gelos da Islândia ou no rochedo escaldante de Malta. Por maiores precauções que tomeis para que não morra, terá contudo que morrer. E ainda que sua morte não fosse obra de vossos cuidados, ainda assim estes seriam mal entendidos. Trata-se menos de impedi-la de morrer que de fazê-la viver. Viver não é respirar, é agir; é fazer uso de nossos órgãos, de nossos sentidos, de nossas faculdades, de todas as partes de nós mesmos que nos dão o sentimento de nossa existência. O homem que mais vive não é aquele que conta maior número de anos e sim o que mais sente a vida”.

Sob o efeito da memória, vem à tona a palavra “ninho”, que bem traduz a ambiência da família.

Ninho, família, educação são profundamente identificados se articulados às necessidades do filho-criança. Por isso, há razão nos antigos quando eles nos revelam uma cilada contemporânea, que teima em crer que educação se resume à instrução formal (a vida escolar fadada à carreira e aos papéis sociais – o sucesso!, nada mais).

Os antigos (helenos) entendiam que a educação retém, essencialmente, o sentido de alimento, pois fundamental é o sabor das primeiras “nutrições” para a criatura que deve crescer não somente em estatura, mas também em qualidade de alma: de ser humano que tem o propósito de servir a si mesmo e à sociedade, ou seja, tem o direito à individuação e à felicidade.

Com isso, advém uma velha pergunta filosófica: o que torna o homem humano? Ou seja: que homem educar e para qual sociedade?  

Dessa maneira, como observador do filho-criança, suspeito que os pais podem preparar o terreno da criatura para que ela passe a confiar na expansão dos seus talentos e potências, e sem medo de errar!

Logo, na infância, tempo no qual o brinquedo tem razão de ser, o indivíduo precisa receber amor e ética para que, mais tarde, seja capaz de enfrentar, no momento do balanço de sua existência, duas perguntas importantes, na fala de Roberto Crema: “Você foi você mesmo? O que fez com os talentos que lhe confiamos?”

Sim, pai e mãe se transformam em facilitadores e dão exemplos por meio de seus comportamentos e atitudes, o que pressupõe, necessariamente, a integração neles próprios dos princípios, valores e sentimentos que recomendam.

Em outras palavras, penso na importância da bênção da esperança dada pelos pais antes do adormecer de uma criança e a transcrevo por carinho e gratidão:

“– Meus desejos não são teus desejos e por isso te desejo boa vontade, alegria e bem. Por isto, meu filho, que Deus te abençoe e te guarde para que possa ser o que Ele confia que possa ser. Assim seja!”

Eugênia Pickina

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