A noite escura da alma – parte 2 – final

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A expressão  “Noite Escura da Alma”, segundo consta em literatura religiosa,  surgiu entre  místicos alemães do século 14 para designar o despojamento do ego. E  foi depois consagrada por  São João da Cruz, sacerdote do século 16, autor de várias obras, entre elas a que leva o nome “A noite escura da alma”.   Trata-se de uma metáfora para expressar uma experiência mística, geralmente dolorosa,  que leva a uma  revelação, epifania,  ou  mesmo à iluminação plena.   São João viveu sua noite escura, provavelmente, ao  ficar preso durante oito meses, num cárcere em  Toledo.  Foi durante essa experiência que  passou a escrever suas  poesias  místicas.
Na Bíblia, há alguns exemplos claros da Noite Escura. Segundo  Sérgio  Carlos Covello,  em seu artigo “ Noite Escura da Alma: O Paradoxo Místico”, ( in: www.teosofia-liberdade.org.br)  “ a noite escura do Cristo teve início no Getsêmane, pouco antes de o Divino Mestre ser preso, e terminou na cruz com a sensação de abandono: ‘ Eli, Eli, lamá sabactâni’ (MT 27.46). Graças, porém, à tormenta física e mental, Jesus de Nazaré ressurgiu como o Cristo Cósmico Eterno, dando ensejo a uma das mais influentes tradições religiosas do mundo”.
Covello lembra que  na expressão Noite Escura, “estão implícitos os vários sentidos figurados da noite: o mitológico (geratriz da luz), o sapiencial ( momento da sabedoria e da inspiração divina), o poético (instante doce  do amor) e o psicológico (centro de consciência transcendente)”.
Voltando um pouquinho, lá no Antigo testamento, iremos encontrar outros exemplos da vivência  da Noite Escura . Um é em Jonas e outro em Jó.  Os  dois viveram muitos séculos antes de Cristo. O primeiro, Jonas, foi mandado por Deus a uma cidade chamada Nínive, para levar conselhos e ensinamentos ao povo. Mas ele não atendeu ao chamado e  seguiu, num barco de pescadores, em outra direção.  Durante o trajeto, armou-se uma enorme tempestade. Os pescadores, apavorados e  desconfiados de que era Jonas quem estava trazendo maus augúrios,  não o quiseram mais no barco e  o lançaram ao mar.  Jonas foi então engolido por uma baleia.  Depois de passar três dias dentro da barriga do animal, encalha numa praia próxima à Nínive e  é, então,  resgatado com vida por transeuntes próximos ao mar.  Moral da história: Jonas resistiu,  fugiu, mas acabou indo ao encontro do  seu chamado.

A  outra história (essa mais conhecida) é a de de Jó. Por ser um homem  íntegro, puro, bondoso e  de enorme fé, Jó  tem todas as graças de Deus.  No entanto, questionado por Satanás, Deus permite que  esse filho seja testado, caíndo sobre  sua  cabeça todos os males imagináveis. Perde família e  bens, sofre física, moral , emocional e espitualmente e, apesar de ter sempre agido da forma mais correta possível, se vê  julgado e castigado de forma severa. Porém, inabalável em sua fé, não titubeia em sua integridade e mantém-se fiel a Deus. No final,  ele  teve sua vida de volta, com mais alegrias e bênçãos do que antes. E sua vida serve de reflexão a todos nós. Suas dores também. Elas representam a busca de sentido, em momentos que parecem não ter sentido.

 A Noite Escura da Alma  costuma ser caracterizada como  um desmoronamento de estruturas que antes pareciam praticamente inabaláveis:  coisas que cremos, vida que vivemos, etc.  As portas parecem todas fechadas e os céus,  antes atentos, permitindo uma ligação direta, parecem ter fechado suas janelas e  seus “ouvidos”.  São essas características que definem mais ou menos a Noite Escura.  As comunicações com os céus parecem ter cessado. A dor, a desesperança, a falta de fé tiram todo o sentido do mundo e da vida.  Você está sozinho, abandonado, sem forças, atravessando um rio… Na tentativa de chegar à margem seguinte..Nesse grande teste,  temos quase certeza de que  que não há mais nossos amigos invisíveis nos zelando.  E caminhamos solitários com o nosso passo trôpego…  

Nas noites escuras da alma, e oxalá que não vivamos muitas (embora, nunca vivamos mais do que realmente podemos), o grande teste que nos é pedido é  confiar… Confiar… Confiar…  Confiar…E só há duas coisas a serem feitas: rezar e esperar. Ajuda, em especial, a invocação da Chama Violeta, a chama do Divino Espírito Santo. Devemos pedir aos anjos da Chama Violeta que  dissolvam todos os impedimentos, que dissolvam aquilo que precisa ser dissolvido…  Há também florais especiais de apoio a esses momentos… É preciso buscar ajuda.

 Nesses tempos de muitas mudanças,  não são poucas as pessoas que  passaram ou estão passando por  situações assim…  É  o momento da Terra… O diferencial desse sofrimento é que ele traz uma marca, ao meu ver, de puro teste da fé… Por isso,  muita gente  o descreve como uma  experiência de dor  diferente de qualquer outra fase de dificuldade  já vivida… É a morte do ego mesmo, no sentido de nos preparar para outra etapa e somente a entrega e a confiança abrirão  as portas de nova morada que está a nossa espera.

Texto de Jossânia Veloso, colaborou Vilma Domeneghetti.

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Uma resposta »

  1. É um paradoxo… a “noite escura da alma” nos proporciona tanto a “silenciosa e dolorosa travessia” (o caminhar sem chão) como o “exultar” que preanuncia morte do pequeno eu para o expandir do Self (esse em mim que sabe mais do eu, euzinha)… Uma prova dura, eu sei… o consolo é a fé, a esperança do devir… Obrigada a ambas pelo texto. Bjs

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