Nota de Recomeço

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O poeta Rilke certa vez avisou: “Em última análise, é com a nossa vulnerabilidade que nós contamos.”
Não há dúvida. Somos vulneráveis quando nos abrimos para o mundo, quando estamos cientes do “círculo” que abrange todos os seres. E, num nível mais profundo, à medida que reconhecemos com naturalidade tanto a nossa nobreza interna como os rudes apegos que nos visitam – em ressonância aos inimigos em nós, carentes de atenção, de um diálogo franco.
Nossa fragilidade humana depende, eu creio, da aceitação dessa sutil aversão que procuramos embotar quando nos confrontamos com nossa raiva, nossa dor, nossa ambição, nossa inveja, nossa (deprimida) Sombra.

Simplesmente, para que nossos valores floresçam, e com isso um coração corajoso, o itinerário mais apropriado condiz com a aceitação de nossa vulnerável complexidade, feita da mistura de ordem e caos, a fim de nos abrirmos aos fatos à nossa frente para bem compartilhar o caminho.
Em outras palavras, quando nos abrimos ao mundo e o escutamos com compaixão, nos habilitamos a uma compreensão profunda de nós mesmos e dos que nos cercam, porque aceitamos que em todos nós, apesar de nossas feias histórias e dificuldades, há uma luz que molda nossa (bela) natureza essencial.
E esta luz, responsável pela gestão de nossa nobreza interna, tanto nos alerta sobre a rede de mutualidade dos destinos de todos os seres como nos possibilita apostar, sem medo, no processo contínuo da (auto)transformação.
Eugênia Pickina

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