Escuta de si mesmo

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Sacuda sua tristeza e recupere seu espírito. (…) com seu trabalho será capaz de um dia colher a si próprio. Miguel Unamuno

Todos os seres humanos estão sujeitos à dor em suas existências.
Mas, as feridas da alma, que solicitam escuta e transformação, revelam uma profunda cisão entre expectativas criadas pelos ditames externos e as necessidades da psique individual. É, no geral, o mal-estar deste desequilíbrio que leva as pessoas a lutar contra si e umas contra as outras.
Qual é a tarefa imediata que nos cabe?
Observar a realidade interna, investigar a divisão que nos causa sintomas e sofrimentos, ponderar sobre as imagens que emergem, sejam cognitivas ou oníricas. Se for o caso, pedir ajuda especializada.
Não somos um mecanismo, “uma montagem de várias seções”, no aviso de D. H. Lawrence. Por conseguinte, podemos ter o cuidado da expressão da alma para simplesmente realizar com alegria nossa tarefa pessoal e ajudar os outros, gozando da aventura de estar aqui por enquanto.
Nossas dores são sinceras. Dialogar com elas pode nos conduzir a estados purificadores e curativos, porque em diversos momentos elas nos revelam o quanto nossa vida exterior é inadequada às necessidades interiores.
Além disso, ainda que sejamos adaptáveis às exigências do mundo, as feridas da alma solicitam atenção para que até mesmo os instantes agradáveis da vida não sejam invadidos por um peso desconhecido no nível da personalidade. Afinal, a humilhação, quando não assumida, produz a mesma depressão que a raiva calada nas profundezas.
Viver com autonomia sugere ao indivíduo expressar mais conscientemente o que está dentro de si mesmo, pois o que a ele (nível do ego) é ignorado continua a atuar e em silêncio dirige em grande parte os padrões de suas condutas.
Com efeito, ou tendemos a repetir os padrões herdados (e inconscientemente armazenados), ou a vivermos em permanente reação a eles. O saudável seria gentilmente nos conhecer, compreendendo os plurais aspectos de nossa história pessoal, o que nos é comum e também o que nos faz singulares. Com isso, conduzir de forma mais consciente nossas (des)razões e destino, sem negociar nosso direito a uma jornada feliz.

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