Columbine – guardiã do meio da vida

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… e o sol se pôs e todos os caminhos ficaram escuros. Odisséia 11:12

É exatamente a fase do meio da vida, também conhecida como período liminar (do latim limen = “soleira da porta”, “portal”), que muitas pessoas ficam suspensas, perdidas, entrando e saindo, sem controle, das estruturas psicoemocionais e das identificações cognitivas elaboradas no decurso da vida.
Em outras palavras, o eu, em desassossego, é flagrado num terreno desconhecido e onde ele não se percebe mais como “eu” – um estado sombrio de desalojamento.
Surgem, amiúde, dúvidas, tensões corporais, estados depressivos, desinteresse pela vida, ou uma incômoda sensação de que não haverá tempo bastante para “viver com significado”.
De um ponto de vista simples, apesar da difícil eclosão de tantas incertezas, a crise do meio da vida pode gestar uma fecunda aliança com o Self, porque se trata de um processo individual crítico, no qual as intenções do ego são confrontadas por conteúdos derivados das regiões mais recônditas da psique, fazendo o sujeito compreender que a alma é essencial, e o corpo incidental.
A crise da meia idade é, então, a fase na qual acontece a dissolução de velhas estruturas emocionais e padrões mentais, o indagar radical de objetivos e relacionamentos, o exame das repetições crônicas e sem sentido, a presença dos sinais físicos do envelhecimento, a noção de que a morte é destino inexorável.

Mas é durante essa descida até as profundezas, e sem atalhos, que pode acontecer uma transformação salutar, mediada pelo encontro com o Self.
Num plano pragmático e existencial, este encontro pode desencadear a manifestação de novos interesses, reformulação de metas, gostos e desejos, tudo isso aplicado a uma reivenção profunda da própria aventura pessoal.
Por conseguinte, o caminho poderá ser desenrolado à frente despojado dos apegos aos padrões cristalizados, e há muito inadequados. Como efeito, o indivíduo lidará com mais “expertise” recursos internos, agora disponíveis, e práticas adquiridas, levando em consideração que incerteza e caos participam de maneira espontânea da vida.
Mas é óbvio que os transtornos, as angústias, e mesmo uma confusão interior ganhe status nesse período, tornando esses primeiros anos mais maduros bem difíceis.
Durante a fase liminar, há uma flor – Columbine (sistemas do Alaska/FES) -, que pode “funcionar” como uma guardiã para quem experimenta esse trânsito, pois favorece uma boa relação entre ego e Self, aclarando, principalmente através de sonhos e inspirações criativas, os conteúdos internos aflorados, a revisão de ações e escolhas cotidianas, todo o material interno/externo inerente à crise do meio da vida.
A Columbine tanto auxilia o processo da reconstelação das forças da alma, que ganha visibilidade pelo processo liminar, como ativa a expressão de uma individualidade diferenciada e radiante.
Como uma flor especializada na arte da “hermenêutica sutil”, ela promove a interiorização da principal lição derivada da crise do meio da vida – o ego a serviço do Self. Com isso, a pessoa se apropria de uma convicção muito particular sobre a singular tarefa que lhe cabe aqui, logrando um prosseguir no caminho feliz e equilibrado.

Eugênia Pickina

[foto: Steve Johnson – Alaska]

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  1. E o que mais dizer de algo especializado na ‘hermenêutica sutil’…! Nesse caos em que vivemos, seja interno ou externo conforme os passos do passageiro, os auxílios sublimes desse nível sao mais que bem-vindos, ousaria dizer essenciais.

    • Obrigada pelo preciso comentário. As flores são abençoadas e companheiras de nossa evolução. Assim, como comentou, tudo que auxilia o processo evolutivo humano é sempre um recurso sujeito à nossa gratidão profunda. A Columbine é uma guardiã sutil. Nossa gratidão aos sistemas FES/Alaska por nos possibilitar acesso a este sagrado auxílio sutil. Obrigada. Abraços.

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