Sob a vidraça

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Dentro de cada um de nós há um outro que não conhecemos. Ele fala conosco através dos sonhos. Jung

O indivíduo ocidental, de maneira particular, tem tido dificuldade de assumir sua vida interior.
E essa incapacidade em perceber a natureza dos seus pensamentos, ou a matiz dos seus sentimentos, revela, de modo convincente, o hábito a uma má introspecção.
Amiúde, por causa dos esforços comprometidos com a sobrevivência, o impulso para o mundo exterior se converteu, sobretudo no Ocidente, numa vantagem evolutiva, mas isso em detrimento da visão interior.
Não sem sentido, cada vez despontam mais pessoas subjugadas pela depressão que, em sua lentidão, procura constelar um lado nada digno da personalidade para, no caso de uma travessia digna, dar vazão a uma maior tolerância.
De forma rotineira, esbarramos em homens que acham difícil lidar com a companheira tocada pelos sentimentos e, em sua mente prática, são impacientes com o amor criativo, que insiste fixá-los no tempo presente.
Mulheres que, ao confessarem às amigas sua frustração, de imediato afirmam: “No trabalho, eu me sinto competente. Mas acho difícil lidar com os filhos. Parece que nada do que faço é suficientemente bom”. Ou ainda aquelas que se sentem atraídas por homens autoritários e poderosos, sendo unilateralmente fiéis aos valores dele, correndo o risco de desligar-se de aspectos essenciais que carecem desenvolver-se.
Pessoas, dirigidas por papéis sociais, ressentidas por não saberem conduzir a vida na intimidade, e exauridas por uma atuação que se dá largamente nos limites do “logos”.
A fria solidão, o entusiasmo distraído, que furta as vivências da graça e invalida o apelo espontâneo por sabedoria.
Não é à toa que somos parte de uma época de síndromes e ansiedades, onde mais e mais carentes de interioridade desconfiam da intuição, sufocam dons e projetos pessoais, criando um muro entre a personalidade e o instrutor interno.
A cada um de nós é pedido a exploração da vida interior. Nela residem as ferramentas para a “configuração” de uma identidade diferenciada.
Quando o conteúdo interior nos inspira, tornamo-nos naturalmente menos influenciáveis ao mimetismo coletivo e banal.
No entanto, é óbvio: não há receitas infalíveis, pois cada um possui seu particular roteiro, e os conselhos, no geral, não servem a toda gente. Mas tanto as mulheres quanto os homens são capazes de imaginar que seu propósito essencial também participa do sol estendido sobre as estações; e muitas vezes são as tarefas modestas que revelam a singela beleza de nossas existências.
De um ponto de vista objetivo, porém, creio que alguns referenciais podem ser testados:
conscientizar-se de que nenhuma pessoa cresce imune ao atrito ou à frustração (certos níveis de estresse contribuem com a evolução de todos os reinos da Natureza); tentar sempre coisas novas; exercitar escolhas; praticar o silêncio (e escutar-se); ousar dizer não; combinar imaginação e práticas; resistir a assumir expectativas alheias; registrar (em diário pessoal) um propósito maior e lutar por ele; meditar; e aliar-se a uma existência com sentido;
Em palavras simples, porque é o mistério que acende almas e estrelas – e, oculto, fecunda nossa interioridade -, uma existência finita, mas significativa, reclama, de nossa parte, a atenção sutil às metáforas do Eu profundo, a fim de que as circunstâncias (ou o mau tempo) não aprisionem nossos ímpetos criativos e amorosos.
Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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