Perdão – um exercício de transformação

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O passado não reconhece seu lugar: está sempre presente. Mário Quintana

Um dos princípios da psicologia budista afirma que “nunca é tarde demais para encontrar o perdão e começar novamente”.
A maioria de nós procura meios de iluminar o passado para resgatar o bem-estar perdido, abrindo-se à cura das feridas emocionais causadas em razão do ferir (alguém) ou ser ferido (por alguém).
A psicologia budista oferece práticas específicas para a redenção e o desenvolvimento do perdão – algo indispensável a uma vida radiante, porque mantida pela consciência pacificada.
Derivado da compaixão, o perdão tem intimidade e respeito pelo teor do nosso sofrimento. Mas ele exige ousadia e integridade, pois é preciso ativar uma grande força interna para que haja a tenacidade relacionada ao impulso de perdoar – a si mesmo e aos outros. Ademais, a sabedoria espiritual reconhece que somente o perdão e o amor podem evocar a paz pela qual ansiamos, autorizando-nos a seguir em frente e desembaraçados.
Para muitos, no entanto, o trabalho do perdão é um processo lento e delicado, cujos estágios envolvem “dor, ira, tristeza, mágoa e confusão” (J. Kornfield). Porém, sua prática é espontaneamente ativada através da repetição paciente, porque o perdão, extraído de nossa natureza nobre e compassiva, pede cuidado e atenção.
Como estímulo ao exercício do perdão, deixarei aqui duas práticas. A primeira é destinada ao autoperdão; a segunda, ao pedido de perdão aos outros.
Em contraste com o peso da mágoa (e desejo de revide, ainda que inconsciente) ou do remorso que carregamos, o perdão provoca o resgate da nossa dignidade, pois nos reconcilia a uma oportunidade de cura de nossas feridas emocionais – antigas ou recentes, restaurando nossa luminosidade interior. No mínimo, a intenção sincera de perdoar evita o nosso adoecimento psíquico, porque o perdão liberta a alma.

Prática: Meditação do Perdão
Para praticar a meditação do perdão, sente-se com conforto. Permita que seus olhos se fechem e sua respiração seja natural e fácil. Deixe seu corpo e mente relaxarem. Respirando gentilmente na área do seu coração, permita-se sentir todas as barreiras que você erigiu e as emoções que você carregou por não ter perdoado, nem a si mesmo, nem aos outros, permita-se sentir a dor de manter seu coração fechado. E então, respirando suavemente, comece a pedir e a oferecer perdão, recitando as seguintes palavras, deixando que as imagens e sentimentos que aparecerem se aprofundem enquanto você as repete.

I. Oferecendo perdão a si mesmo
Recite:
De muitas maneiras eu magoei e prejudiquei a mim mesmo. Eu me traí e abandonei muitas vezes, por meio de pensamento, palavra ou ato, consciente ou inconscientemente. [respire e sinta a dor que você carregou por causa disso e perceba que você pode liberar essa carga]
Pelas maneiras em que eu magoei a mim mesmo por meio de ação ou inação, motivado por medo, dor e confusão, eu agora ofereço um perdão pleno e sincero, eu perdoo a mim mesmo, eu perdoo a mim mesmo.

II. Pedindo perdão aos outros
Recite:
De muitas maneiras eu magoei e prejudiquei outras pessoas, eu as traí ou abandonei, causando-lhes sofrimento, consciente ou inconscientemente, motivado por minha dor, medo, raiva e confusão.
[permita-se lembrar e visualizar as maneiras como você magoou outras pessoas. Veja e sinta a dor que você causou a elas, motivado por seu medo e confusão. Sinta sua própria tristeza e arrependimento. Perceba que finalmente você pode liberar essa carga e pedir perdão. E então, para cada pessoa em sua mente, repita]
Eu peço o seu perdão. Eu peço o seu perdão.

Essas práticas fazem parte do livro “Psicologia do Amor – ensinamentos universais para a busca da verdadeira felicidade”. Kornfield, J. SP: Cultrix, 2010, p. 370.

Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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