Caminhos e sintonias

Padrão

20120613-124333.jpg

Nenhum de nós consegue estar no mundo sem experimentar a dor ou os ferimentos na alma.
No entanto, se as feridas existenciais amiúde nos afetam de forma profunda, apenas a consciência cada vez maior nos dará recursos para nos percebemos num contexto mais amplo e, consequentemente, menos sujeitos às ilusões e aos apegos do caminho.
Com isso, ainda que de um modo particular, naturalmente entendemos que, além do nosso círculo estreito de coisas e interesses, o real significado do viver se liga à decisão de servir à natureza, aos outros e ao mistério do qual somos a experiência.

A conquista dessa percepção (solidária) tanto reforça nosso livre-arbítrio como faz ressoar um fato inexorável: somos responsáveis por tudo o que criamos em nossa vida. Logicamente, quanto mais disponíveis somos ao trabalho interno, mais cientes nos tornamos sobre a realidade de nossa experiência presente, sobretudo no que se refere aos relacionamentos e às metas nas quais estamos envolvidos.
Ademais, conscientizar-se sobre “quem sou realmente” permite um contato mais honesto com as intenções e as motivações (reais) que mobilizam tomadas de decisão cotidianas a fim de sondar-se se elas estão alinhadas (ou não) com “minha verdadeira natureza”, o que pode iluminar o itinerário, evitando a criação de carmas negativos no futuro.
Como medida de apoio, inclinada a ajudar a jornada individual, podemos incorporar que temos um suporte espiritual oferecido a cada um de nós incondicionalmente.
E no lugar de duvidar, negar, resistir, podemos, por um ato inteligente, abrir nosso coração a essas energias benéficas oriundas das dimensões superiores para recebê-las agradecidos, rompendo com a crença de que o caminho com significado, como também o crescimento em espiral, é tecido apenas a muito custo ou como resultado de um trabalho penoso ou expiatório.
Em verdade, quando resistimos ou negamos a presença (invisível) desse suporte espiritual, crises são sulcadas e a relação consigo mesmo e com o exterior adquire uma paisagem sombria, porque orientado o sujeito por uma visão circular – encapsulada no fluxo eu-eu.
Ao ignorar a dimensão espiritual – a experiência íntima do “re-ligamento” -, de alguma forma nos tornamos inflexíveis ao fluxo eu-tu-nós. Atuamos cegos à visão descrita por Jesus no Evangelho de Tomé: “o Reino de Deus está espalhado pela Terra e os homens não o veem”. Desperdiçamos a oportunidade de realizar nosso potencial divino como co-criadores deste planeta, pois não encarnamos plenamente nossa cota de potencialidades e de compaixão. Assim, distorcemos a experiência da comunidade que abarca destinos e sintonias que se cruzam a todo instante.

Eugênia Pickina

*Quadro Van Gogh

Anúncios

»

  1. Mãe,

    adorei esse texto. Muito lindo mesmo e o quadro do Van Gogh também.
    E adorei esse blog.
    Gosto muito do jeito que você escreve, sempre tão cuidadosa com as palavras… 🙂
    Beijo, amo você.

    • Rafinha, obrigada pela visita e carinho. Você foi muito gentil e acolhedora em seu comentário. Este blog, de amig@s, é muito caro para tod@s nós… E amo você também. Volte sempre, viu? Beijinhos e abraços.

Escreva seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s