O que significa o fim de uma relação?

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O que significa o fim de uma relação?
Na relação temos espaço e tempo, e o tempo é sempre o presente.
Obviamente, cada união é completamente distinta, pois os dois protagonistas criam um campo particular, no qual se elaboram mutuamente para crescerem juntos.
Assim o fim de uma relação implica, principalmente, uma desestruturação que havíamos, pouco a pouco, construído.
Como efeito, no momento da ruptura colocamos em discussão pontos essenciais da nossa existência, porque é a própria existência que se altera, pois além da referência na própria individualidade, ela, a existência, sofre a perda (involuntária) do referencial ligado a uma outra pessoa – aquela que provoca o abandono, a cisão no relacionamento.
Toda situação de fim não encontra, em seu poslúdio, consolo e muito menos amparo em discurso fundado na razão.
Isso porque no momento em que somos abandonados amontoa-se em nossa memória toda uma série de episódios graças aos quais assumimos uma identidade que agora nos é furtada: a identidade referencial àquele encontro particular e tecido por um encadeamento de eventos afetivos/corporais, simbólicos, marcantes.
E é aqui que de nós é pedida uma larga coragem, pois não há possibilidade, interna ou externa, que nos ofereça, ao menos neste “redondo agora”, um amparo efetivo.
Assim, no geral, a única oportunidade que pode ser dada a este momento é o da elaboração do próprio isolamento. Sobreviver-se-á justamente porque a perda deve ser vivida até o fundo.
É verdade: o fim da relação sulca uma vivência dolorosa, mas, passado o luto, o isolamento, ela se torna também, em absoluto, uma conquista.
Embora ser abandonado sugira a (auto)indagação (obsessiva) de que “não fui bastante” e, por isso, arrasado o valor do próprio ser, é desse ponto que parte o nosso trabalho de (re)estruturação, que aspira a recriar as condições para o advento de uma nova presença – o nosso ser transformado.
Sim. É no instante em que somos feridos por amor, e diante de uma devastação psicológica, que a vida nos oferece uma chance que não devemos deixar escapar: podemos ir até o fundo dessa experiência de dor, porque ela representa um daqueles momentos que nos fazem conhecer quem somos nós e nos transformar positivamente.
Além disso, mesmo que a ruptura seja difícil de aceitar, pois quem é abandonado é arrasado, são as cisões nas relações amorosas que nos dão a necessidade de viver com alguém, apesar do risco do abandono.

Namaskaram!
Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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