Acalento

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Um dia todo ser humano se confronta com a necessidade de encontrar em si mesmo a imago da mãe, ou seja, o aspecto da mãe interna, hábil a lhe dar ânimo e proteção, a lhe possibilitar se sentir amado e fortalecido para conseguir preservar o significado em sua existência.
Este aspecto de mãe interna costuma ter certas características da mãe pessoal que tivemos quando crianças. Do jeito que nos sentimos tratados por ela, no geral, assim faremos conosco durante a vida.
Amiúde, é conveniente uma boa dose de autoconhecimento para (re)elaborar esta imagem interna e em consequência o modo de nos tratarmos, pois a maioria de nós é pouco receptivo ou acolhedor no que se refere ao próprio ser.
Além disso, por mais adequada que tenha sido a mãe pessoal, por ser humana, tem seus limites e falhas, e não pôde ser capaz de perceber as (reais) necessidades da alma da filha ou do filho que fomos no prelúdio de nossas vidas.
A certa idade, contudo, cabe a cada um fazer esta busca e reconhecimento particular para lograr alimentar-se nos momentos bons e proteger-se nas circunstâncias adversas.
Esta mãe interna pode ser ativada, principalmente, na hora da aflição, do desespero, das dificuldades ou transtornos emocionais.
Sim. Naqueles instantes de crise, quando o sol se esconde e surge a tempestade, a mãe interna ganha presença, pois emerge do inconsciente, do reino das águas. Guiada pela amorosidade e uma coragem discreta, dá apoio e simplesmente auxilia a recomposição de nosso ser fragilizado, combalido ou atingido pelas intempéries. Assim, somos consolados e nutridos. Refeitos, colocamo-nos novamente a caminho, pois o sentido maior do sofrimento, seja ele qual for, é conseguirmos realizar a sua travessia.
E a vida aspira sempre ao nosso crescimento (mesmo que assim não pareça…). E os momentos sombrios quase sempre reivindicam de nós o nosso aspecto maternal, generoso. É esta faceta em nós que confia nos sussurros internos, provocadores dos momentos de clara percepção ou epifanias, que acendem em nós o movimento ideal para roteiros novos, (re)estruturados ou inesperados.
Que se fale de intervenção divina, da Virgem Maria, pouco importa. Ao ativar a mãe interna nos tornamos mais inclinados à atitude de acreditar na vida e confiar que ela nos nutrirá com o “alimento” de que precisamos – e não necessariamente aquele de que gostaríamos… De forma espontânea, permitimos nos conectar às vibrações da generosidade e o existir se torna menos penoso, mais maleável e conseguimos, com isso, nos acalentar.
Uma mãe interna positiva nos ensina a cuidar de nosso ser com gentileza, carinho, paciência e persistência. Ajuda-nos a confiar nos valores que carregamos, no bem sagrado do qual somos portadores. Ela nos preserva dos perigos (as ilusões do caminho) e ao mesmo tempo nos encoraja a nos pôr em busca para encarnar sem medo nossa essência e assim irradiar nossa luz…
Saudação helena!
Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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