Epifanias

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Buscamos nos conhecer para escapar ao fardo de estarmos atados a um “campo de vida determinista”, pois é através do sondar-se, na pretensão de uma (auto)compreensão, que podemos contar com nosso justo potencial e, principalmente, nossa aversão a uma existência que pareça ser dirigida mais por um “cruel destino” do que por uma (possível) bem-aventurança.
Sem dúvida, reside geralmente na epifania do “mal” interior os elementos “quânticos” essenciais à recomposição de uma ordem (interior) subvertida pela força destrutiva, e repetitiva, das crenças e apegos que desmentem nossas (reais) necessidades de crescimento mais recônditas, pois, geralmente, elas estão depositadas sob os níveis de vigilância do ego. Ora. Na maioria das vezes são essas necessidades que podem nos ajudar ao desenvolvimento do nosso ser integral e caso as evitemos, como pessoas negligentes e mesmo que de maneira inconsciente, seremos consumidos pelo vazio existencial e isso nos tornará, pouco a pouco, ansiosos, sistematicamente insatisfeitos ou mesmo indiferentes.

Em verdade, o ser humano tende a se debruçar sobre si mesmo no momento da dor (ou sob o efeito de grandes perigos ou ameaças), porque este sombrio instante “nos toma” a vida e faz agir nossos fantasmas interiores – quase sempre os guardiões de nossos talentos e potencialidades mais preciosas.
Assim emergem conteúdos ignorados que forçam o empreendimento de escancarar-se, porque o interno se dilata e o indizível pode ser comunicado – as vivências profundas, mas também os medos que remetem, depois de comunicados, a condições luminosas.
O elemento construtivo/criativo, desse modo, pode viver ocultadamente, manifestando-se por meio de aparições eventuais, mas quando o autoconhecimento, ou circunstâncias externas (uma perda, uma demissão de emprego etc.) ou internas (uma depressão, perda da libido, insônia renitente etc.) o favorecem, essa instância emerge com toda sua força e pode conduzir uma mudança profunda, uma reorientação de projetos e prioridades.
A transformação nasce da própria dimensão interior, nasce do sentir-se pobre (rico), feio (bonito), triste (alegre), vulnerável (forte), para romper com o drama daquele que se recusa a crescer e com integridade, pois a força para viver, e viver bem, não nos é doada, mas sim conquistada gradualmente no decorrer da dinâmica da própria existência. Somos então convidados a participar ativamente da aventura de encarnar, dia-dia, nossa essência, nossos atributos e singularidades para que nossa “viagem” tenha significado e possamos, juntos, no concerto que favoreça o bem-estar comum, e apesar das catástrofes, encontrar suporte na luz pura.

Saudação helena!

Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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