Cercanias

Padrão

20120925-102234.jpg

Talvez seja sutil definir a diferença entre medo, ansiedade e angústia. O medo é específico. Temos medo de água porque quase nos afogamos na piscina uma vez. A ansiedade “é um mal flutuante que pode ser ativado praticamente por qualquer coisa, pode iluminar durante algum tempo uma coisa específica, mas que geralmente tem origem na insegurança genérica que sentimos na vida” (J. Hollis). Já a angústia é inerente a todos nós, pois função da nossa frágil condição de humanos. Em palavras simples, poderíamos definir a angústia como “ansiedade existencial; ou seja, ela decorre de sermos um animal que pode se tornar consciente de quão fino é o fio no qual ele está pendurado” (J. Hollis).
Há um poema de M. T. Cooper que descreve as várias formas pelas quais o medo, a ansiedade e a angústia se combinam e, com isso, parecem a mesma coisa:

Suponha que o que você teme
pudesse ser encurralado,
e mantido em Paris.
Você teria então
a coragem de ir
a todos os lugares do mundo.
Todas as direções da bússola
se abrem para você,
exceto os graus leste ou oeste
do verdadeiro norte
que conduz a Paris.
Ainda assim, você não ousaria
pôr os pés
no centro dos limites da cidade.
Você não está realmente disposto
a se erguer na encosta de uma colina
a milhas de distância, e
a contemplar as luzes de Paris
se acenderem à noite.
Apenas por uma questão de segurança,
você decide ficar completamente
longe da França.
Mas então o perigo
parece excessivamente próximo
até mesmo dessas fronteiras,
e você sente
a parte tímida de você
cobrindo novamente todo o globo.
Você precisa do tipo de amigo
que aprende seus segredos e diz:
“Veja Paris primeiro”.

Paris vai aonde vamos… Até mesmo quando nos afastamos das coisas que nos causam medo, Paris nos segue.
E o (precioso e sábio) “amigo” que diz “Veja Paris primeiro” é a voz do Eu, o centro regulador interno que busca nossa cura e conhece a única maneira pela qual podemos nos superar para continuar a crescer, deixando de pagar pequenas/grandes contas emocionais para evitar Paris…
Afinal, a coragem não é a ausência do medo. Ela é a percepção de que algumas coisas são mais significativas para nós do que o que tememos. Realmente essas coisas existem e, além disso, apenas por nós mesmos, em razão de nossa jornada, a coragem vale a pena…

Saudações e carinhos.
Eugênia Pickina

Anúncios

Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

Escreva seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s