Brincar é coisa séria!

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Os pais, com cada vez mais frequência, usam as mídias* ou atividades dirigidas por adultos para entreter seus filhos, pois têm dificuldade de lidar com o tédio das crianças, crendo que elas são incapazes de fazer nada por si mesmas.
E essa é uma situação complicada e que gera consequências negativas para os pequenos.
Se você considera que necessita entreter seu filho (ou filha) menor de 7 anos o tempo todo com as mídias, aulas extracurriculares e/ou atividades monitoradas por adultos, ele (ou ela) não aprenderá como brincar sozinho, pois brincar é uma ação que ocorre no campo do imaginar, constituindo uma básica atividade humana criadora.
Crianças que não têm tempo para si mesmas não dispõem de um momento no qual possam estar em um estado de não saber o que fazer e daí partir para um estado imaginativo, no qual encontrarão imagens e recursos interiores para criar coisas de dentro para fora.
Quando você possibilita o tédio ao seu filho, o não saber o que fazer cria para a criança a oportunidade de mergulhar no processo de criatividade interior.Além disso, o fato de que as crianças “são capazes de ficarem por sua conta própria, para criar suas próprias brincadeiras sem a direção de um adulto é de extrema importância”, afirma a educadora waldorf da Dinamarca Helle Heckmann. E isso porque durante os 7 primeiros anos tudo diz respeito à capacidade infantil de criar. Em outras palavras, infância pressupõe a garantia da experiência de brincar, o que vão fecundar, no futuro, escolhas e ações ligadas a uma existência com significado e autonomia, e, portanto, ritmada pela ética e pelo afeto – logo, norteada pelo belo, um corolário do bem.
De outro modo, se rotineiramente as atividades são desencadeadas de fora (mídias/direcionamento de adultos), o campo da criação interior da criança não encontra espaço para ser explorado e desenvolvido.
Ao permitir que seu filho se envolva com sua própria brincadeira enquanto você está se dedicando aos seus afazeres, mas, ao mesmo tempo, estando presente/alerta, você contribui para que a confiança entre você e seu filho adquira força e firmeza e de modo espontâneo e gentil.
É o brincar que proporciona à criança o contato com mundo. Por meio das brincadeiras, das atividades criadoras, ela explora, experimenta, faz pequenos ensaios, compreende e assimila, segundo os ritmos do inspirar-expirar, as regras e padrões culturais, porém absorvendo o mundo no qual está inserida em doses pequenas e toleráveis, o que protege sua individualidade.
A melhor coisa que podemos fazer pelos pequenos é deixá-los livres e à vontade para brincar, imaginar, criar, ou seja, desfrutar do seu direito pleno à infância. Afinal, “brincar não é perder tempo, é ganhá-lo” (Carlos Drummond de Andrade).

Saudações e carinhos.
Eugênia Pickina

*Quando falo “mídias” me refiro às tecnologias de informação e comunicação (TIC): televisão e suas variantes (DVD, antena aberta, por assinatura), jogos de vídeo (videogames, e de computador, máquinas fotográficas e filmadoras de vídeo, IPod, IPad, MP3, telefones celulares e redes telemáticas).
**Segundo recente pesquisa do IBGE, a criança brasileira é a que mais assiste a TV no mundo, com uma média de 4h e 50 min.
***De acordo com Thomas Hammarberg, estima-se que “uma criança norte-americana média atingindo hoje os 18 anos tenha presenciado cerca de 20 mil assassinatos simulados na televisão” (Cf. “Crianças e Influências Nocivas da Mídia”).

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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