Não te esqueço

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Na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã…
Mas não via você no momento.

Que saudade…
(Saudade – M. Quintana)

Muitas vezes me pergunto sobre o que é preciso para que as pessoas se tornem capazes de intimidade com a alma. Não apenas para honrar seus dons e dar significado à existência, mas, principalmente, para extrair força e esperança quando um estado de “não saber”, no geral provocado por crises e colapsos psíquicoemocionais, adquire o comando sobre o si mesmo, tornando o tempo um abismo.Tenho observado que uma maneira austera de criar-se um diálogo com a alma, em muitas circunstâncias e para muitas pessoas, se dá quando a experiência da perda as devasta, pois geralmente esquecemos que esta “vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia (Quintana).
Diante da perda, nossos padrões emocionais conhecidos simplesmente deixam de “funcionar”, nossas crenças se diluem e o controle sobre a própria vida se torna inoperante.
Além disso, nestas situações sombrias, como primeiro passo, somos convocados a realizar com paciência e coragem a travessia desse tempo que se arrasta e nos faz doer profundamente. Basta que fixemos o olhar sensível para a experiência da morte de um ente querido e o que ela reivindica de seus familiares…
Ao lado disso, como segundo passo, somos chamados a integrar, e de maneira radical, um fato singelo, difícil principalmente para aqueles que não dispõem de um “parâmetro” espiritual para guiar suas escolhas e ação no mundo: nossa natureza de “passantes”.
Mas, de outro aspecto, sempre que somos devastados pelas experiências de morte e luto, podemos testemunhar, por nós mesmos, o quanto somos (e estamos) intimamente ligados àqueles que amamos, segundo o âmago de nossa unicidade – indestrutível e permanente.
Cada pessoa evoca por si mesma um escrutínio psicológico cuidadoso, mas todo ser humano, quando imerso na dor da perda, inclina-se a deslizar de uma vivência no desbotado mundo cotidiano (e sua agenda de afazeres, impostos e estratégias de aceitação) para uma (gradativa) (re)condução a regiões emocionais que ficariam intactas, ou até mesmo proibidas, caso não fosse tocado pela erosão emocional provocada por esta experiência ímpar, dolorosa e muito subjetiva…
Certamente muitos de nós aprenderam que quando se atravessa um período de perda de alguém querido, a sensação menos difusa seja o sentimento vago de mudança das circunstância e, mais visceral, uma saudade, cujo buraco autoriza apenas a ideia obsessiva de ter sido traído, roubado, golpeado pelo destino…
Felizmente, no meio de emoções confusas e antagônicas, nos quais, no geral, nos sentimos caóticos, um sentimento de conforto interno, e fruto da travessia realizada, começa de forma gradativa a aflorar no meio de nossas ocupações cotidianas. Assim pouco a pouco identificamos não mais um espaço interno devastado, mas sim uma saudade que faz silêncio entre as conversas… Então, uma coisa verdadeiramente difícil de expressar toma conta de nosso ser ferido e nos ajuda a assimilar que a vida sempre sabe mais e melhor do que nós e nosso desejo (infantil) de querer controlar eventos e pessoas – mesmo as que amamos.
Quando meu irmão morreu, e isto é ainda recente, creio que (meu) aprendizado mais difícil foi tornar consciente no meu cotidiano a natural ausência dele – a ausência física – a sua presença. Compreender que não poderei, quando envelhecer, repartir com ele passado, presente, futuro imediato ou simplesmente rir de algo engraçado, dividir uma pequena vitória ou uma dúvida teimosa; não poderei capturá-lo em uma foto no agora. Assim deixá-lo partir foi o aprendizado mais severo, mais custoso. Uma grande lição de desapego…
Mas, para aqueles que são tomados pela dor da saudade, particularmente sugiro o uso de uma essência floral que impulsiona a coragem de prosseguir à medida que faz a alma recordar suas conexões espirituais. Isso tanto gera alento e força interior como impulsiona uma tomada de consciência profunda dos reinos sutis, assegurando-nos o sentimento de que “invisibilidade” não é, necessariamente, sinônimo de “ausência”, pois uma de suas indicações diz respeito à solidão e isolamento em decorrência da morte de um ente querido: Forget-Me-Not ( Flower Essence Society – florais da Califórnia).
Quanto à forma de uso: escolhida esta essência (ela pode ser usada sozinha ou com outras essências), preparar em farmácia de homeopatia/florais e tomar 4 gotas, no mínimo, 4 vezes ao dia. Podendo ser utilizada também a cada dez minutos, meia hora ou a cada hora, a depender da gravidade ou necessidade pessoal. Contudo, o uso desta essência floral não substitui o tratamento com um terapeuta floral quando é adequada a terapêutica através de consultas regulares.
Gostaria ainda de acrescentar que estas experiências devastadoras podem nos colocar em contato com nosso Eu real, que é eterno, e ligado ao Eu eterno daqueles que amamos e partiram.
Finalmente, a experiência da perda, do luto e a condição de permanente saudade nos auxiliam a vislumbrar nosso Eu espiritual. E estes “vislumbres” nos tornam cientes da nossa provisoriedade aqui, no contexto físico da Mãe Terra. De outro aspecto, nos faz conscientes da necessidade de viver ética e afetivamente bem durante a passagem, seja ela breve ou longa… No final, o que importa é a forma como realizamos nossa jornada – e o testemunho diante de nós mesmos e da Consciência Maior…
Saudações e carinhos!
Eugênia Pickina.

*Foto: Forget-me-not

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