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De acordo com a médica Michaela Gloecker, “os termos mãe, pai e filho sempre tiveram um significado duplo – um natural e um ideal. Inicialmente, é a criança que faz a mãe ser mãe e o pai ser pai, por meio da procriação, da concepção, da gestação e do parto. Nessa sucessão, a mulher vivencia o processo de tornar-se mãe como um processo predominantemente corporal, em que a criança se apodera dela e nela se desenvolve. O homem, no entanto, embora tenha impulsionado o processo fisicamente, vivencia o tornar-se pai principalmente no âmbito anímico. A ele cabe o papel de acompanhar a gravidez e o parto com uma atitude de observação sensível.O resultado sensato disso é que ele pode estar à disposição para ajudar, não apenas nas semanas e meses após o parto, mas, além disso, para cuidar da base existencial exterior da família em desenvolvimento. No pai isso coincide com uma tendência instintiva. Ele fica feliz em poder fazer algo para a proteção, a segurança e as necessidades da mãe e da criança; fica magoado quando é impedido de realizar esses feitos, ou quando seus esforços não são levados a sério. O elemento especificamente paterno está na capacidade de estar presente interiormente e exteriormente, quando a mãe e o filho necessitam dele, percebendo-os e levando-os em sua consciência. Essa é a origem do profundo sentimento de pertinência, que permite à mãe e ao filho sentirem-se protegidos animicamente.
Neste espaço anímico aberto pelo interesse paterno, as habilidades específicas da mãe podem desenvolver-se com a maior efetividade possível: estas consistem na prontidão e na abertura amorosas, necessárias para executar com paciência e alegria os infinitos atos repetitivos requeridos pelo crescimento da criança no período inicial. Dispensada, sempre que possível, das preocupações materiais, a mãe pode dedicar-se livremente ao filho. Essa situação se estende até o momento em que a criança desenvolve por si mesma a tendência a passar regularmente algumas horas do dia em outros espaços vitais, isto é, quando ela se torna madura para frequentar o jardim de infância. No caso de uma relação a três intacta, ela pode assimilar então, de maneira marcante, o modo como dois adultos inteiramente diferentes lidam entre si e com ela, possibilitando seu desenvolvimento como ser humano.
Reconhecendo as necessidades específicas para o desenvolvimento da criança pequena, os órgãos oficiais instituíram a licença maternidade, com duração de quatro meses.
Queremos salientar que ser mãe, isto é, estar de corpo e alma à disposição das crianças durante o dia inteiro, representa uma atividade profissional plenamente válida. Seria correto ter um reconhecimento financeiro a partir dos recursos públicos! Quando, principalmente na fase pré-escolar as crianças podem ter um verdadeiro lar, um espaço vital em que sejam percebidas e onde alguém se dedique a elas, não sendo a mãe obrigada a trabalhar fora para ganhar dinheiro, elas manifestam sua gratidão aos pais com saúde e alegria de viver.
Por isso recomendamos, no interesse das crianças, que se aproveite esta oportunidade sempre que possível. Nada pode substituir as vivências infantis de proteção, confiança e relacionamento constante nos primeiros três anos.
Mesmo quando os pais dividem esta tarefa entre si, ainda se mantém um gesto fundamental, ideal, dessa trindade: no centro, a criança, que exige e aceita tudo com naturalidade, e a seu lado, os pais, que acompanham seu desenvolvimento, alegram-se com seus progressos e, como retribuição, recebem o amor e a confiança do filho.
Com isso tocamos o lado ideal do que significa ser pai e mãe: com toda a naturalidade, a criança vive protegida e com plena confiança nos pais. Porém a mãe e o pai são como que os representantes daquilo que em todas as religiões foi venerado como aspectos divinos paterno e materno, ao lado do elemento eternamente em devir e que, no cristianismo, tem sua designação suprema na Santíssima Trindade. Quem quando criança, experimentou a aceitação carinhosa e sem reservas de sua própria essência tal qual ela é, e também o empenho para se atingir o que é puramente humano, verdadeiro e bom, gosta de lembrar-se de sua infância mesmo que tenha sofrido pobreza e penúria materiais. Jacques Lusseyran declarou em sua biografia que o amor que seus pais nutriam por ele, criança cega, era como a armadura mágica que, uma vez colocada, protege por toda a vida
.”

Assim, de acordo com a visão desta pediatra, reconhecemos: há um ideal. Mas, na prática, o que acontece? Será que conseguimos dar significado prático a esta imagem de Pai e de Mãe?
Um dos grandes desafios de se educar filhos em nossa época nasce do fato de pertencermos a uma cultura que, de forma efetiva, não valoriza a maternidade como um trabalho válido e nobre.
No geral, as pessoas consideram aceitável e digno a dedicação integral à esfera da produção (trabalho/carreira). Em palavras simples, há escasso crédito à postura de quem escolhe dedicar-se aos filhos.
E a sociedade, apegada às suas prioridades econômicas (campo da produção), largamente colabora para desprestigiar o trabalho de educação das crianças. Afinal, quem recebe os maiores salários no país? Certamente não são os encarregados dos cuidados com as crianças, nem os professores do jardim da infância, cujo ofício expressivo auxilia a missão dos pais.
Certamente, há bons motivos e razões para se ter esperança, pois existem pessoas que consideram sua função de pai/mãe como uma missão sagrada e procuram tecer práticas criativas e calorosas de orientar seus filhos e cuidar deles, mesmo diante dos desafios e obstáculos diários.
E embora nos deparemos mais e mais com situações emocionais desconcertantes, porque o ambiente social é, no geral, hostil para a família educar filhos saudáveis, somos testemunhas de cuidados diários de amor, apoio, energia e presença por parte de adultos atentos e responsáveis, mães e pais plenamente disponíveis a assegurar o desenvolvimento ético e afetivo de suas crianças [= nossa (cara e preciosa) humanidade].
Façamos, pois, com atenção e amor o que nos cabe neste (longo) instante de transição, guiada pela luz do Arcanjo Miguel, e para que a Era do Espírito resplandeça na Terra…
Saudações e carinhos.
Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

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