Crise e percepções

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Resistimos à dor, embora saibamos (ou suspeitemos) que o único recurso adequado é passar por ela, senão a experiência dolorosa se torna mais intensa – e por isso corremos o risco de mergulharmos na estagnação, na perda da alegria de viver.
Quando uma crise desperta, então, podemos, no lugar de erigir resistências, procurar atender as reivindicações de nossa alma e nos perceber de forma atenta e cuidadosa.
A experiência da dor não é algo ruim ou que acontece gratuitamente.
Somos, por força dos eventos cotidianos, das pressões, dos conflitos pessoais e sociais, continuamente afastados de nós mesmos. Depressa, escapamos ao (nosso) projeto individual evolutivo e com isso nutrimos, principalmente de maneira inconsciente e em razão de nosso “estilo de vida mecânico”, um condicionado distanciamento de nosso centro, ou seja, nos fazemos “surdos” para os ditames de nosso Eu Superior.
Muitos de nós, portanto, com o decorrer da vida, somos “treinados” para resistir a nos sondar ou entrar em contato com nossa intimidade, valores, dificuldades, receios, fantasmas, feridas.
Num primeiro momento, logicamente parece mais fácil ignorar no lugar de observar, assimilar, incorporar, ressignificar, se for o caso, e com isso expandir. Não é à toa que esbarramos todos os dias em pessoas sufocadas pela letargia, esvaziadas por tarefas automáticas e/ou por uma existência infecunda…
Assim, ao contrário, a experiência da dor possui um propósito e diz respeito a um processo interno que “grita e faz doer” para ser reconhecido e compreendido, dando-nos em consequência a oportunidade de alcançar um novo estágio de equilíbrio e de ampliação do autoconhecimento, à medida que assentimos nos abrir para as necessidades de nossa alma e em consequência um existir mais transparente.
Períodos de aflição e dificuldade, na verdade, se apresentam como episódios de intensa importância. Eles podem apontar disfunções emocionais, desarmonias físicas, objetivos pessoais que se tornaram obsoletos; podem ainda revelar hábitos que negligenciam a saúde da alma, relacionamentos tóxicos, carências ou um autoamor precário, desorientações vocacionais, sonhos esquecidos.
Quando começamos a assumir a responsabilidade por nossa luz e nossa sombra, percebemos as conexões entre maus hábitos, doenças e estilo de vida que teimam em desprezar tudo aquilo que em nós nos impede de sermos humanos, humildes, mas sem tolher nossa evolução. Logo, o evento da dor pode nos convidar a dar início ao trabalho interior e com isso nos aliarmos a uma existência mais autêntica porque mais autorrefletida e orientada pelo ritmo de nossa verdade interior.
Saudações e cariños.
Eugênia Pickina

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Sobre Eugênia Pickina

Este blog surgiu de uma necessidade criativa, muito ligada ao desejo de partilhar experiências e perguntas, mas algo independente de prazos ou de Krónos. Pertenci, anos atrás, ao mundo acadêmico (professora de Filosofia do Direito). Mas um dia fui capturada pela terapia floral e hoje procuro me dedicar às práticas de educadora e jardinista (gosto de sugerir essências para crianças, mães/pais, e mesmo todo ser humano que precise de cuidados florais... Atendo também projetos sociais implicados com crianças e famílias disfuncionais/em risco. Para finalizar, porque senão isso fica muito longo, adoro literatura e fotografia e tudo que nos impulsione a viver vivos, levando a sério o fato de estarmos aqui para "mais um dia de colégio"...

Uma resposta »

  1. Muito lindo esse texto, é bem interessante como ele se ‘encaixa’ com o momento atual… Mãe, adorei os últimos parágrafos. É bem verdade aquela frase “A dor ensina mais que a alegria”.

    Beijos, querida.

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