Leitura psicológica

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Tema: Relacionamentos, amor romântico e paixões. Um filme que trata especificamente sobre o tema relacionamentos e o amor. Das várias formas em que ele se apresenta na vida. Dos encontros e desencontros, das ilusões e desilusões, das ações diversas moldadas por seu intermédio. Faz uma reflexão sobre como cada um responde de forma distinta a força do sentimento. No entanto, coloca o amor como um grande mistério, com seus caprichos. Será que os caprichos do amor são dele mesmo ou da forma que cada um o filtra, o sente e expressa? O filme coloca como se a questão do amor fosse somente uma escolha certa, em que o casal se encaixa perfeitamente. Daí é feliz quem está desperto e sabe enxergar este encaixe perfeito, e que a paixão é o maior sinal deste encaixe. Mostra que esta paixão também se engana, mas não tão claramente neste filme. Este é um tema comum em filmes, o que tem de diferente neste? Mostra várias formas de amor: Um casal de amantes que se ligam através se sua intensidade e volúpia, que enxergam aí o amor e não quando ele é leve e tranqüilo. Um homem dócil e amoroso que enxerga o amor em relações onde não é valorizado, onde enxerga mais sua carência e necessidade de companhia que o sentimento de quem se relaciona. Um casal de jovens que se apaixonam, e se entregam profundamente e vêem aí amor. Um casal de mais idade que sustenta um relacionamento maduro de respeito e admiração. Um casal de mulheres que se apaixonam talvez não só pela atração mútua, mas também pelo intenso desejo de uma delas de ser vista. O quanto daria certo cada um destes encontros, principalmente os recentes, não é o foco deste filme, mas as formas diferentes das pessoas se ligarem afetivamente e a força do amor. Demonstra na atitude da jovem a grandeza do amor que se entrega, mesmo suspeitando profundamente que poderia perdê-lo. Da grandeza do amor de um casal idoso que acolhem esta jovem mulher gravida, dispostos a adotá-la como filha. Será que a paixão sem o amor sustenta esta entrega? Será que o amor sem a paixão se aventura ao novo e as mudanças? Parece que a paixão e o amor são igualmente valiosos. A paixão talvez não se sustente muito tempo sem que seja substituída pelo amor. Tem vida mais curta e se sustenta somente na medida em que existe o desconhecido, algo a ser descoberto. Mas ela tem a força da transformação, a coragem do enfrentamento e a ousadia de superar os obstáculos e o medo. A paixão é vista com suspeita pelos que nunca se apaixonaram, pelos que se apaixonaram e se decepcionaram e por aqueles que receiam sua intensidade e poder de mudanças, os que vêem nela perigo e ameaça a tradições. No entanto, a paixão ousa a ir além do conhecido, aceito, permitido, do possível e desejável, uma força que pode transgredir as regras, as normas, o estabelecido e a estabilidade da tradição. Mas é também um sentimento egocêntrico e somente dirigido ao outro, ao foco da paixão, onde todo o resto é secundário e excluído por um tempo. É um desejo de consumir e absorver o outro, uma atração irresistível, um fogo que arde e queima o corpo e seqüestra os pensamentos, sentimentos, emoções e ações de quem o sente. Dá a coragem para enfrentar quaisquer coisas, afasta o medo e traz à tona capacidades antes adormecidas e entorpecidas pela acomodação. Mas apesar de todo este poder, uma vez que o outro (foco da nossa paixão), é desvendado ou pretensamente desvendado, o novo, o conhecido, o mistério se esvai. E a paixão se definha e passamos a enxergar todos os defeitos, que antes não víamos e não mais nos sentimos vistos, amados e aceitos. Nesta altura o amor (de entrega) se não tiver acontecido e não for cultivado, o relacionamento e esfria e cada um se fecha em seu mundo pessoal, e com o passar do tempo nem mesmo o sexo, por melhor que seja, sustenta a relação e o casal se distancia. Por isto mesmo, quem não conhece o amor como entrega e doação, busca incessantemente novas paixões na esperança de encontrar a pessoa correta, o par definitivo. Da mesma forma que desconfiam da paixão, desconfiam também deste tipo de amor que é entrega e doação. Principalmente os que nunca amaram assim, os que amaram e depois perderam e principalmente os que vêem este tipo de entrega como arriscado, como uma expressão de fraqueza e submissão ao outro e a vida. Este tipo de amor tem uma grandeza única, que faz da entrega um ato de coragem extrema ante a vida, uma confiança inominada. Esta entrega desafia não mais as convenções e tradições, mas a pequenez, os limites humanos, enfrenta a vida e a morte, enfrenta o tempo e o espaço,a a própria realidade limitada de nossa compreensão. É este o sentimento que nos faz sustentar qualquer dor, dificuldade ou sofrimento, e dá sentido ao que não entendemos. Se a paixão nos dá forças para enfrentarmos a inércia e o medo de enfrentar os obstáculos ao prazer e a consumação do desejado, o amor que entrega dá forças para enfrentar a dor e as dificuldades da vida e dá sentido a tudo. O filme reflete algo interessante: sexo, paixão, amor de entrega é tudo amor. Cada um e em cada momento se expressando diferente, de acordo com o alcance ou o momento de cada um. Não existe jeito certo ou errado, existe sim uma busca incessante e infinita de amar e ser amado, que nos torna todos iguais e nos irmana. Por fim, reflete o relacionamento de pais respeitosos e “socráticos” com seu filho que acaba morrendo de overdose. Questionando de maneira significativa a importância de não compensarmos a educação invasiva e autoritária recebida, com uma educação respeitosa, mas que não se arrisca em se colocar, em opinar, ou por limites por receio, mas que acaba por se omitir, desprotegendo, dando ao outro a provável sensação de abandono. Relacionar-se amorosamente é fazer-se presente , arriscar-se, errar e ser inadequado, é se envolver e estar disposto a encontrar o caminho do coração e não do que é certo. É lançar-se no desconhecido, confiante no poder do que somos em nossa imperfeição humana. Por: Flávio Vervloet

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