happy-feetLeitura psicológica

Happy Feet

Tema: individualidade, aceitação das diferenças

O filme traz em desenho um tema significativo, a individualidade. Lembra o filme Fernão Capelo Gaivota, mas numa versão em desenho animado.

Um ovo quando chocado por seu pai pingüim, apaixonado e distraído, sofre as influências do inverno rigoroso que gera uma alteração no filhote que iria nascer. Lembra o que ocorre com muitas pessoas que sofreram as influências duras de uma gravidez, nascimento ou uma infância difícil e o quanto essas situações geram muitas vezes também comportamentos distintos dos usuais.

O pequeno pingüim nasce com dificuldades no canto, mas agilidade nos pés e gingado no corpo. Isto o torna diferente desde novo, o que reforçou ainda mais o seu sentimento de ser um estranho ou um estrangeiro. Sua inadaptação ao padrão conhecido o fez se tornar mais profundo, introspectivo e inquieto. O fez ter indagações pouco usuais ao seu grupo.

No filme o grande grupo e comunidade de pingüins valorizavam a espontaneidade e o tom pessoal e único na expressão dos sons, no canto. Todas as outras formas não eram reconhecidas e muitas vezes eram vistas como estranhas e até bizarras por serem diferentes. Seu pai pingüim ouvindo o bom senso e a razão queria que ele renunciasse o que representava sua diferença, sua mãe pingüim e sua amiga e pretendente, ouvindo o coração e o sentimento o aceitaram e acolheram em sua diferença.

Na sua diferença Happy Feet conseguia ser espontâneo e feliz, e não aceitou ser culpabilizado pelas dificuldades de alimentos escassos da comunidade, não se submeteu as regras que não concordava e partiu com sua “alma” inquieta em busca de uma resposta mais convincente que a gerada pelo medo e uma fé cega.

Ao sair em busca de respostas experimentou vida de inúmeras formas e conheceu outros seres e outros pingüins diferentes de seu grupo. Lá se viu valorizado e reconhecido, mas continuou ainda assim em busca de respostas para sua questão. Arriscou sua vida atrás desta resposta e trouxe uma solução para seu grupo, onde garantiu seu pertencimento ao invés de agarrar a lamúria, revolta e vingança. Não ficou na vítima com pena de si ou na vítima revoltada que rejeitava e criticava o grupo que não o compreendia. Foi atrás de respostas, atuou e não se entregou a vitimização, fez valer a sua diferença.

Aqui cabe algumas reflexões:

Como podem os adaptados e os bem sucedidos em seus desafios na sociedade e vida reconhecer, aceitar e acolher àqueles que somente conseguiram ser bem sucedidos da sua forma particular, na diferença e no não usual. Estes últimos trazem consigo valores e brilhos únicos e que seguramente somarão nos desafios maiores da sociedade e da vida encontrando soluções inovadoras ao senso comum e por isto mesmo complementares.

Como podem os inadaptados, os que não se sentem pertencendo ao sistema e que carregam o peso da diferença, que se sentem estrangeiros no mundo e na sua própria terra, reconhecer eles mesmos as contribuições, a complementaridade de sua diferença e de seu brilho pessoal. Como podem fazê-lo sem se entregarem a vítima que se paralisa na lamúria da autodesvalorização e desistência da vida ou na vítima revoltada que se fecha em sua mágoa e vira as costas àqueles que em suas limitações não o alcançam, não o percebem ou não o entendem.

Ambos os lados perdem: os adaptados ao deixar de reconhecer e acolher os diferentes, deixam de usufruir de suas características e particularidades que os complementaria e os enriqueceria. Pois estes viveram sobre outras influencias no passado, experimentaram outras experiências e desenvolveram outros aspectos igualmente importantes. Perdem também os inadaptados porque ao virar as costas para o grupo maior, deixam também de usufruir de suas particularidades e conquistas, que os complementariam e os enriqueceriam. Porque também viveram experiências igualmente importantes.

É talvez hora de acolher as diferenças e também o senso comum, de encontrar o valor em tudo e em todos, é hora de somar e encontrar uma saída para nosso mundo em crise, de alimento da alma, de humanidade de sentido de vida e amor.

Por Flávio Vervloet

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