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Espelhos da alma

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Jung compreendia os sonhos como revelações da alma e, por isso, apontava o trabalho com o material onírico como um fator essencial àquele que buscava conhecer a si mesmo.
Recordo o caso de uma mulher que não falava com sua mãe há anos. Ela sofria com alergias alimentares severas e, como efeito, vivia anêmica e cansada.
Exaurida pelos sintomas, buscou ajuda especializada. Contou sua história ao terapeuta, mas deixou claro que a situação com a mãe estava resolvida e não queria tratar dessa questão durante os encontros semanais.
No entanto, o terapeuta solicitou a ela que fizesse um caderno de sonhos – geralmente um recurso para os que não costumam lembrar dos sonhos, como era o caso dessa mulher. Leia o resto deste post

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A função dos sonhos

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Sonhar faz parte da existência humana. E os sonhos são importantes para o projeto do cuidado de si e da contínua autocriação, ou seja, do processo de individuação.
No meu modo de ver, os sonhos têm um aspecto dimensional incomum: situam-se entre a terceira e a quarta dimensão. Posso explicar melhor: para muitas culturas, os sonhos estão além dos limites do espaço e do tempo. Por meio deles, podemos nos colocar em contato com conteúdos de outras eras, vidas passadas, contextos ligados ao devir e ao desconhecido e, por isso, os sonhos compõem um tipo de material referencial que tanto favorece o conhecer a si mesmo como carrega pistas sobre o (nosso) vir-a-ser. Leia o resto deste post

Olhos atentos

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Só de então, dos passos perdidos, podemos, de maneira profunda e não arisca, conhecer mais sobre nós mesmos sem imersos na confusa solidão –  pesada e fria como uma ferradura…

Sim, porque não estamos sozinhos e os clarões surgem quando estamos atentos, quando não nos misturamos aos fatigados pés, que sentem apenas os detritos de velhas flores, pois os olhos, distraídos, não querem reparar as aves, os novos brotos das árvores…

Assim, do cataclismo sem saída, podemos, caso depositemos um olhar de atenção sobre a vida, abraçar um segredo colhido quando  calamos os pensamentos afoitos, e não agimos, pois tocados pela alegria inocente da criança que, sem saber, confia na realidade.

Temos, sim, que abrir os olhos para que busquemos neles a paciência do caminho que, mesmo no tempo da miopia, nos esperava para deixar a lucidez nos invadir para não sair mais…

No início ou no meio da vida, as possibilidades como uvas, e o medo suspendido, enquanto nós, os passantes, perto do coração, amando e lutando, e do sol a colher dons e dons, pois que sigam os olhos ouvindo o vento e sem duvidar do tempo.

Sigamos vivos e tudo será cumprido.

Eugênia Pickina – Palavra Terra

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

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(Parte quatro)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Processo de cura

O primeiro passo para a cura é a ACEITAÇÃO.

Diga a si mesmo: Sou essa pessoa com todos esses sentimentos internos, com essa maneira diferente de ser e estar no mundo. Porém, não esqueça, por outro lado, que tem um propósito claro e definido. Sinta-se ligado aos seus ancestrais ou esferas espirituais, que embora não veja, sente profundamente com os olhos da alma.  Você precisa honrar a existência, esse momento o qual está vivendo e encontrar a força na vulnerabilidade, a sabedoria na sensibilidade, o amor na não-agressividade, a certeza na desconfiança, a presença na ausência.

Diga: Sou assim e é exatamente assim que vou cumprir aquilo que me foi determinado.

Para ser mensageiro do novo, ou mensageiro entre o céu e a terra é necessário sentir-se pertencente ao lugar onde nasceu, afinal é aqui que está o agora.

Do que adianta nos sentirmos especiais, se nos isolamos e não compartilhamos? De que adianta um dom não-compartilhado? No isolamento não ocorre a transformação. Ao contrário, o crescimento é inerente à interação, ao envolvimento e à doação.

É necessário deixar de procurar pela validação externa. Não procure validação naqueles que não a podem dar. Só você sabe aquilo que está no mais profundo do seu ser e você possui essa certeza interna. Qual é a verdadeira validação? Com toda certeza é a interna, aceitando a si mesmo, com toda sensibilidade, diferença, com todo conhecimento interior. Não se sinta melhor nem pior que os outros. Saiba-se, simplesmente, diferente. Valide-se! Honre sua vida e sua diferença, afinal é a única coisa que realmente possui. Valide-se enquanto SER.

Sinta-se especial, sim! Nem santo, nem anjo, nem superior, nem inferior, nem mais espiritualizado, nem mais evoluído. Talvez mais desperto, apenas. Desta forma, poderá ser um mensageiro da certeza da eternidade da alma, com o conhecimento de que a matéria passará, mas que temos a vida para todo o  sempre.

Para que possa cumprir sua missão, precisa integrar o poder do seu coração, com a força do seu olhar. Perceber que existe um “Deus” comum a todos os seres humanos, que habita todas as religiões e que ama a todos, da mesma forma. E esse “Deus” é puro amor. Deixe o Amor fluir através de você!

Quem sabe, você possa despertar definitivamente e acordar! O momento é agora! Sua terra, lugar ou o planeta é este! Não existe outro, pois nada é ao acaso e toda vida possui, em si mesma, um projeto enriquecido de possibilidades! E, se você está aqui, é porque tem muito a contribuir! Rompa com as divagações ou o isolamento, pois não construiremos nada se não colocarmos alicerces nos nossos sonhos! A vida se anima, pela busca da unidade, integrando a diversidade e saindo da separatividade.  O importante é trazer a paz, harmonia, espiritualidade, unidade para o aqui e agora, nada está fora, em outro lugar, em outro planeta, em outra morada.

Não existe fora, só existe o agora!

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

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(Parte três)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Aspectos práticos

Suponhamos que esta hipótese seja possível, a de que alguns de nós tenhamos vindo de outro sistema planetário. Temos então que considerar algumas coisas.

Se isto é possível temos que considerar o fato de que mesmo que não saibamos o porquê deve haver algum propósito.

Talvez para ajudar em alguma necessidade específica deste planeta, no qual estamos. Ou, quem sabe, trazer alguns novos dons e habilidades, continuar o nosso processo evolutivo, iniciado em um local distante, ou contribuir para a evolução deste, a partir inclusive de nossas diferenças. É difícil saber qual o propósito. Seguramente deve ter algum, se aceitarmos que tudo no universo tem um sentido, mesmo que nos escape num primeiro momento.

Entretanto, se não se pode retornar a esta pátria, por ela estar tão distante, nos resta acolhermos este sentimento nostálgico e validá-lo, para que ele possa ser aliviado, como as pessoas fazem aqui, quando com saudades de um país distante, para o qual não podem, no momento, retornar.  A aceitação faz com que o bem-estar se instale.

Ainda não nos é possível compreender claramente tudo isto, mas podemos, através da imaginação, nos reabastecer e nos preencher da força, do bem e do amor e aconchego desse “lar”  do qual sentimentos falta.

Segundo vários teóricos da mente humana, é necessário validar os sentimentos independentemente de sua veracidade ou autenticidade, para que ele possa ser alterado e modificado.

Então se você tem esse sentimento e sente como se estivesse longe de seu lar, um lar desconhecido para você, quer relacionado a  outro país  ou mesmo  outro planeta, você pode criá-lo em sua imaginação e trabalhar com esta imagem.

Visualização

Imagine então, que você veio de muito longe, de um planeta ou de uma estrela bem distante. E lá era uma pessoa “especial”, desenvolveu muitos dons,  muita sensibilidade, certa inocência de alma, uma forte vontade de ajudar!  Agora, imagine essa estrela ou planeta, perceba suas características (cor, textura, energia desse local, se há flores, oceanos, animais, edificações…Sinta-se totalmente integrado a esse local, perceba-se inteiro e tente imaginar, também, como são as pessoas  pertencem a esse lugar. Elas são afetuosas, amorosas, gostam de compartilhar? Estabeleça um vínculo com esse local, se reabasteça, fique o tempo que necessitar… Até sentir que está completo. Respire profundamente… Recorde todos os seus dons, anteriormente adquiridos, traga-os aqui para este momento, integre-os. Eles são seus.

Agora, volte… Sinta-se preenchido, completo, curado, pronto a compartilhar estes dons com este local onde nasceu ou com o planeta Terra, que escolheu como sua casa, sua morada, neste momento da sua existência. Procure, então, simplesmente “sair da sua toca” e ofereça o seu melhor.  Lembre-se que muitas cidades e países só se concretizaram pelo empenho de todos os que lá um dia se instalaram, apesar da saudade de suas terras de origem.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

“Recolhe-te aos teus espaço

como as aves retornam aos ninhos

depois de muito ver do alto”

“Vá mais longe que a alma grita

Vá mais dentro que o mergulho insista

Vá onde nunca tentaste

É lá o teu lugar”

Onde vês é onde vais…

“A coragem é mais que viagem

a todos os portos que fores capaz de ancorar.

Precisas transpor outras fronteiras e distâncias

Tudo é preparação, malas para a viagem que não tem fim…

“Desfaz malas, mas esteja sempre pronto a partir…”

“Nas estradas, nos atalhos que elas têm

no impulso de além adiante

profundo vai e vem”

“Buscamos longe o que está próximo e esquecemos de ir além…”

“Lembra-te dos quilômetros que a alma pede chão”

“Quanto mais longe vou, mais perto de mim estou”.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro-ParteII

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(Parte dois)

Mecanismos de sobrevivência

Os mecanismos de sobrevivência são estratégias desenvolvidas inconscientemente e têm como objetivo uma maior adaptação e sobrevivência ao meio. Dividiremos aqui de uma forma didática, mas estes mecanismos costumam se somar, de forma que cada indivíduo pode se utilizar de vários ao mesmo tempo. É bem possível que ainda existam outros não mencionados.

Auto-suficiência – Tendem a buscar encontrar seus próprios caminhos na vida. Porém, em função de sua autonomia e das frustrações que vai vivenciando, desenvolvem com frequencia um sentimento de individualismo e auto-suficiência. Confiam mais em si mesmos e não contam muito com as pessoas.
Arrogância – Às vezes, para lidar com o sentimento de menos-valia, gerada pela sensação de inadequação, tornam-se arrogantes. E apesar do desejo de pertencer, reforçam a própria diferença. Muitas vezes, sobrevivem procurando se sentir especiais, no sentido de acima e melhores. Orgulham-se de sua inteligência, sensibilidade, intensidade, profundidade, criatividade etc,. E, com isto, apesar de admirados, tornam-se cada vez mais solitários.
Melancolia – Alguns são afetados de forma drástica pela melancolia, dando asas à sua nostalgia e apegando-se à dor da separação. Tornam-se muito insatisfeitos com a vida e com tudo em volta, entrando, às vezes, em depressão ou em outros transtornos psicológicos.
Adaptáveis – Alguns procuram esquecer sua diferença e fazem tudo o que podem para parecerem iguais a todos os outros. Tentam esconder o que se passa em seu íntimo, mas continuam se sentindo diferentes e incompreendidos.
Desvinculados – Outros mergulham em estudos e pesquisas para não pensarem em suas próprias vidas, se vinculam com o objeto de sua atenção para atender sua curiosidade. No entanto, esses objetos dizem respeito ao intelecto, animais e plantas e não com o ser humano. A intenção do indivíduo aqui é não estabelecer muitos vínculos com as pessoas.
Comunicativos – Alguns desses indivíduos têm uma grande capacidade de comunicação e doação; no entanto, não deixam que cheguem muito perto com receio de, mais uma vez, se sentirem feridos. Por isso, tornam-se solitários mesmo em meio a multidão: podem até se comunicarem, porém sem conseguirem “pertencer”.
Alienados – Outra forma comum de sobrevivência é a alienação. É natural que esses indivíduos fiquem fora do ar, desconectados (as) da realidade prática da vida, tendo que fazer muito esforço para lidar com seus compromissos práticos. Tendem a ser alheios ao que acontece próximo de si e no seu meio. São distraídos e perdem facilmente as coisas, só se ligam naquilo que está no campo de seus interesses.
Sonhadores – Existem também aqueles que ficam meio alados, descorporificados, desencarnados. Esses desenvolvem um corpo frágil, não toleram exercícios, não têm muita vitalidade e também são muito introspectivos e sonhadores.
Distraídos – São aqueles que estão sempre distraídos, sem foco, fazem muitas coisas ao mesmo tempo, ávidos de informações, estão sempre iniciando algo novo, um novo projeto que não terminam ou perdem muito energia para dar conta de todos. Têm dificuldade de concentração, de atenção e, às vezes, de memória. São desorganizados e indisciplinados.

Os mecanismos de sobrevivência desempenharam importante função durante a vida destes indivíduos. Ajudando-os seguramente a lidarem com o dia-a-dia, mas como são inconscientes, não são funcionais como gostariam que fossem.
Desta forma, em algum momento, se tornaram disfuncionais causando mais dor e desconforto do que vantagens ou benefícios. Uma vez identificado os mecanismos usados com mais freqüência, é necessário refletir e encontrar outras estratégias substitutas, mais eficientes. Este processo às vezes é muito complicado, necessitando em muitos casos de ajuda psicológica para que se efetive esta mudança e transformação. É difícil desapegarem-se daquilo que de certa forma os manteve “vivos” até agora. Mas na seqüência desta série de textos, faremos algumas reflexões para facilitar este processo de mudança.

Estratégias compensatórias

São estratégias utilizadas inconscientemente. Elas visam compensar e aliviar a dor profunda do sentimento de estrangeiro.

Andarilhos – Não se vinculam a nada nem ninguém, vão em busca de uma fonte externa de preenchimento, têm fome do novo, de contato com a diferença, porém sem vinculação. A cada novo lugar é tomado por uma esperança de ter finalmente “encontrado”, seguida de uma profunda frustração, pois percebe que não foi dessa vez e se põe novamente a caminho… Muitos perdem totalmente a esperança e vagam sem destino algum em busca contínua de novas experiências.

Viajantes – Têm o sonho de que encontrarão em outras cidades, países, culturas, a paz, preenchimento e nutrição que tanto anseiam. Desejam, desta forma, ser acolhidos e tornar-se parte deste novo local, mas na realidade não são dali e novamente vem a sensação de “não-pertencimento”. Alguns se tornam “almas ciganas” e passam a viajar de lugar em lugar sem expectativas, a não ser a de continuar a caminho.

“Viajantes”- Buscam o “estado alterado de consciência” através do uso de substâncias psicoativas, para uma viagem interna em busca de si mesmo, buscando dar um sentido ao vazio existencial. Buscam o preenchimento através das experiências interiores e mergulham no mar do inconsciente, em busca de respostas nem sempre encontradas. Muitos intensificam esta busca e perdem a referência de si mesmos ou do próprio caminho.

Visionários – Buscam através de construções concretas trazer o “Shangri-lá”, o paraíso perdido, para o plano terrestre ou criam comunidades para uma “convivência harmoniosa” entre pessoas das mais diversas procedências. Como promessa de um mundo novo possível.
Antecipam uma realidade ainda dificilmente sustentada. Alguns fazem desta busca o motivo central de sua existência e passam a viver de sua visão e muitas vezes perdem o contato com a realidade próxima.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Autoconhecendo-se

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No processo de autoconhecimento temos momentos de grande alivio, prazer e também de muita dor. Entramos em contato com nossas ilusões, nossas crenças distorcidas sobre nos mesmos o outro e sobre a vida, com o nosso passado e as estratégias que criamos para sobrevivermos.

Descobrimos nossos muitos eus, aprendemos a nomea-los, nos decepcionamos conosco mesmos e aliviamos também muitas auto-exigências. Tudo isto consome muita energia, e nos tira do eixo em muitos sentidos.

O ato de conhecer a si mesmo, seu universo interior pode gerar alguns distúrbios em seu funcionamento mental e também físico. Poderíamos dizer que é um bom desequilíbrio em função de seu resultado mais profundo, mas também se não cuidarmos pode ser inconveniente e incomodo.

Alguns cuidados básicos podemos ter nesta aventura de autodescoberta: Cuidar bem do corpo (cuidando da alimentação, fazendo exercícios, alongamentos, tomando sol, tomando muito liquido, dormindo bem),  diminuído as tensões do dia a dia (yoga, Tai-chi, relaxamento psicofísico, etc.). Entrar em contato com freqüência com a natureza, descansar a mente (meditação, visualizações), procurar ajuda de profissionais de saúde física e mental quando necessário.

Flávio Vervloet