Arquivo da tag: Saudade

Não te esqueço

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Na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã…
Mas não via você no momento.

Que saudade…
(Saudade – M. Quintana)

Muitas vezes me pergunto sobre o que é preciso para que as pessoas se tornem capazes de intimidade com a alma. Não apenas para honrar seus dons e dar significado à existência, mas, principalmente, para extrair força e esperança quando um estado de “não saber”, no geral provocado por crises e colapsos psíquicoemocionais, adquire o comando sobre o si mesmo, tornando o tempo um abismo. Leia o resto deste post

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Saudade e nova vida

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Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou
. Neruda

Culturalmente, somos treinados a estar conscientes das condições externas e a como aliviá-las. Por exemplo, se tomamos um paracetamol, deciframos se a dor está cedendo ou não.
Mas há processos mais sutis e que dependem de uma perspectiva fundida nas condições interiores, isto é, sujeita ao campo, não mapeado, do mundo interior e para o qual, no geral, não estamos muito preparados.
E como este treinamento cultural nos “forma” para olhar para fora, não para dentro, quando somos invadidos por um estado emocional nostálgico, e então conduzidos a um território pouco familiar (dentro de nós), somos, de imediato, tomados por uma (incômoda) sensação de impotência.
Particularmente, mudei de cidade há poucos dias. Leia o resto deste post

Sentimento de Estrangeiro

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pokekale
(Parte um)

Introdução

Este sentimento é comum em um número considerável de indivíduos. Sentimento de não pertencimento, de inadequação, uma sensação de estranheza, como se esse indivíduo não coubesse neste lugar onde agora se encontra.

Esta sensação pode ser resultante de um fato real, isto é, de estar de fato longe de sua terra natal ou da terra onde se sentia em casa. Essa sensação acomete muitas pessoas que mudam de local, transferindo-se de suas cidades de origem para tentar a vida, sobretudo profissional, em outras cidades. Passam, muitas vezes, anos sem conseguirem criar vínculos reais neste novo local, temendo com isto criarem raízes e talvez não voltarem mais para o lugar onde deixaram seu “coração”. Outras vezes evitam criar vínculos para não sofrerem novamente com o afastamento. Muitos, no entanto, não conseguem se adaptar e voltam à terra natal como única alternativa que encontram.

Esta sensação também pode ser de origem sistêmica, isto é, “adotamos” este sentimento dos nossos antepassados que deixaram seu país de origem, terra natal, carregando consigo muitas vezes, dores profundas de um afastamento não desejado, quer por fuga, por sobrevivência, deportados ou por escolhas dos pais, dentre outros fatores compulsórios.

Acontece que existe um número grande de pessoas que tem a mesma sensação e não está, como no caso acima, distante de sua terra de origem ou de onde sente identificação. Pelo menos, não no sentido objetivo da palavra. Estas pessoas têm a mesma sensação, relacionada ao local onde nasceram, ou em relação à sua família, ou a determinados ambientes, sem que nada explique isto de maneira objetiva. Muitas vezes, elas moram no mesmo lugar desde que nasceram.
Poderíamos explicar isto de muitas formas, psicologicamente, elaborar algumas análises e interpretações, porém gostaríamos de dar aqui outro enfoque.

Há uma explicação mais metafísica que fala do processo de múltiplas vidas em que o indivíduo tem saudades de outras terras onde sua alma habitou anteriormente. E há também outra que fala da origem não-terrena de algumas almas.

No Evangelho de Jesus há uma referência clara sobre esta possibilidade: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. E alguns cientistas são enfáticos em afirmar o fato de que é bastante provável que haja vida fora do nosso planeta.

Mas independentemente do quanto isto é verdadeiro ou não, precisamos compreender este fenômeno. E aprender uma forma de lidar com ele.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

Sintomas e características comuns das pessoas com esse sentimento
(Origem metafísica)

Desde a infância, no indivíduo onde esse sentimento começa a se manifestar, existe uma sensação muito forte de inadequação. O indivíduo que tem este tipo de sentimento tem alta sensibilidade, costuma-se sentir um “estranho no ninho”, tem saudades de lugares desconhecidos e de pessoas que nunca viu. Traz idéias de algo que não consegue recordar. Alguns acreditam que alguém venha lhes buscar, passam horas nessa espera e, como isso não acontece, criam um sentimento profundo de frustração e de abandono. Sentem-se “mais velhos” e que nada é novo, gerando inquietude e impaciência no convívio familiar e escolar.
Dentro da própria família não se sentem aceitos, sentem-se verdadeiros estranhos. Desde cedo em suas vidas, se vêem diferentes e isolados dos outros, solitários e incompreendidos. Têm muita dificuldade de relacionamentos.
Têm resistência a aceitar decisões ou valores baseados somente no poder e hierarquia e com isso sofrem com conflitos de autoridade. Possuem dificuldade de se defender, pois, não sabem lidar com a agressividade. São ingênuos, sonhadores, profundamente idealistas, vivem no “mundo da lua” com muita dificuldade de estar na terra. Possuem normalmente os pés e as mãos frias, arrepios e tremeliques repentinos, costumam ser pálidos e terem o olhar distante e vago. Assustam-se com facilidade, porque normalmente estão “viajando”, têm dificuldade de concentração e são muitos desligados. Normalmente criam um mundo à parte. Profundo sentimento de indignação com relação às injustiças sociais e humanas e senso de honestidade muito acima da média das pessoas.
Têm também uma facilidade enorme para captarem os sentimentos de outras pessoas e são verdadeiras “esponjas psíquicas”, por isso necessitam ficar um tempo a sós para identificarem o que é realmente deles e o que é do outro. Normalmente sente fortes intuições e não gostam de grandes aglomerações e multidões.
Como não conseguem se adaptar à ordem estabelecida, concluem que deve haver algo de terrivelmente errado com eles. Buscam sempre a validação externa, através dos pais, professores, amigos e da própria sociedade.
Têm afinidades com ciência e tecnologia, astronomia, astrofísica e coisas espaciais, filmes de ficção científica, efeitos e fenômenos paranormais, etc. São pessoas usualmente inteligentes, com uma boa capacidade criativa, parecendo às vezes alheias, outras até muito ligadas. Se sentem diferentes porque percebem, pensam e sentem as coisas de uma forma muito própria. São extremamente curiosos e perguntam muito. São muito ligados à natureza. Têm necessidade de liberdade e não toleram muito as filiações.
Tendem à melancolia, solidão e muitas vezes sentem vontade de morrer. É comum não se adaptarem facilmente a grupos de interesse, pois mesmo nos grupos de seu interesse tendem a divergir e pensar diferente da maioria, seja em assuntos religiosos, filosóficos ou metafísicos.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti