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Honrando o Sagrado Feminino

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As mulheres em tempo antigos honravam a sua natureza, o seu ritmo biológico e o corpo seguia o ritmo da Lua.
Honravam todas as manifestações do corpo, honravam o Sagrado feminino, o templo sagrado, seus movimentos …de forma natural. E eram ainda honradas pelos homens que as reverenciavam pelo seu grande poder que não era pela competição, mas pela magia de ser mulher.
Com o tempo, as cobranças da sociedade, o sistema passou a ser cruel e exigente.Muitas mulheres então adotaram comportamento masculinos afastando-se da sua alma, sofrendo consequências tanto física, mental e espiritual – e que são a negação da essência feminina.
Homens e Mulheres nasceram para brilharem juntos! Leia o resto deste post

O endereço da felicidade

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Muitos se esforçam para encontrar o endereço da felicidade, mas poucos o encontram.
No mundo das ilusões, ela se esconde enganando aos que a buscam de forma sofisticada, material e sem sentido.
Mas o que é felicidade?
Felicidade é um estado de ser que pode durar um segundo ou um “algo” luminoso que se repete desde que estejamos abertos, desde que sejamos disponíveis… Leia o resto deste post

Sensibilidade: um recurso bendito

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Notei apenas agora o quanto tenho procurado partilhar sobre o feminino e suas funções… Isso talvez seja derivado do meu próprio instante aclarado por uma maternidade recente. Ou talvez seja tão-só acrescido da minha condição humana e do sincero desejo de aprender a viver bem, com mais lucidez e mais solidariedade.

Sim, a sensibilidade é compreendida como uma das principais qualidades ligadas à dimensão do feminino ( *o feminino compõe tanto o homem como a mulher e por isso encontramos homens sensíveis e mulheres insensíveis, e vice-versa).

O excesso de sensibilidade, porém, faz tal característica se transformar em suscetibilidade. Consequentemente, algo se complica em termos comportamentais: a pessoa desequilibra-se por qualquer incidente e o medo toma lugar, impedindo aprendizados, mudanças positivas ou tomadas de decisões objetivas.

Mas uma sensibilidade “adequada”, com justa medida, pode, ao contrário, tornar a vida mais rica, mais saborosa, evitando o peso da rigidez, da indiferença, da ausência de cuidado nos relacionamentos ou de uma má condução sobre os eventos existenciais que nos afetam todos os dias.

Ora, tanto as situações conhecidas como as inesperadas tendem a convidar uma leitura afirmativa dos acontecimentos, sejam eles serenos ou truncados, pois é próprio à vida instalar formas e arranjos para o autodesenvolvimento do ser humano.

Contudo, nos casos em que a rotina perde o comando das coisas, a sensibilidade pode especialmente auxiliar a razão a decifrar com mais riqueza e profundidade as lições que nos chegam, muitas vezes, disfarçadas de adversidades, mas recheadas de semeaduras que, no futuro, darão alegria.

Além disso, é ela, a sensibilidade, a interlocutora capaz de nos possibilitar o reconhecimento dos aspectos simbólicos daquilo que aparentemente parece doloroso ou ininteligível à racionalidade, espontaneamente habituada à mesmice da rotina – no geral, pouco assustadora…

Viver, pensar e agir sem o auxílio do sentimento ou da intuição – manifestações ligadas à sensibilidade – alimentam, no geral, os valores e hábitos desgastados e, desse modo, não há progresso, nem transformação, pois a mudança exige busca e coragem para que haja renovação e seu decorrente acréscimo…

Se as riquezas materiais são pura ilusão, do ponto de vista do destino humano sempre há possibilidades para que a Alma, em sua função feminina, redirecione a bússola rumo a novidades e oportunidades evolutivas, sempre reivindicadoras de aceitação para que haja a conquista da lição adequada ao momento.

Logo, a sensibilidade é um meio apto a favorecer um tipo especial de opulência – o desenvolvimento pessoal –, porquanto cada ser humano necessita desfrutar também com o coração dos eventos do caminho.

Ora, o caminho com coração permite a florescência de dons e potencialidades sem o freio do medo, porque, diante do desconhecido ou das adversidades, mais e mais ciente será o indivíduo dos seus recursos internos: meios que o ajudarão a enfrentar com sabedoria o “já conhecido” e o “ainda desconhecido”…

Eugênia Pickina – Palavra Terra

Sentimento de Estrangeiro – Parte IV

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(Parte quatro)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Processo de cura

O primeiro passo para a cura é a ACEITAÇÃO.

Diga a si mesmo: Sou essa pessoa com todos esses sentimentos internos, com essa maneira diferente de ser e estar no mundo. Porém, não esqueça, por outro lado, que tem um propósito claro e definido. Sinta-se ligado aos seus ancestrais ou esferas espirituais, que embora não veja, sente profundamente com os olhos da alma.  Você precisa honrar a existência, esse momento o qual está vivendo e encontrar a força na vulnerabilidade, a sabedoria na sensibilidade, o amor na não-agressividade, a certeza na desconfiança, a presença na ausência.

Diga: Sou assim e é exatamente assim que vou cumprir aquilo que me foi determinado.

Para ser mensageiro do novo, ou mensageiro entre o céu e a terra é necessário sentir-se pertencente ao lugar onde nasceu, afinal é aqui que está o agora.

Do que adianta nos sentirmos especiais, se nos isolamos e não compartilhamos? De que adianta um dom não-compartilhado? No isolamento não ocorre a transformação. Ao contrário, o crescimento é inerente à interação, ao envolvimento e à doação.

É necessário deixar de procurar pela validação externa. Não procure validação naqueles que não a podem dar. Só você sabe aquilo que está no mais profundo do seu ser e você possui essa certeza interna. Qual é a verdadeira validação? Com toda certeza é a interna, aceitando a si mesmo, com toda sensibilidade, diferença, com todo conhecimento interior. Não se sinta melhor nem pior que os outros. Saiba-se, simplesmente, diferente. Valide-se! Honre sua vida e sua diferença, afinal é a única coisa que realmente possui. Valide-se enquanto SER.

Sinta-se especial, sim! Nem santo, nem anjo, nem superior, nem inferior, nem mais espiritualizado, nem mais evoluído. Talvez mais desperto, apenas. Desta forma, poderá ser um mensageiro da certeza da eternidade da alma, com o conhecimento de que a matéria passará, mas que temos a vida para todo o  sempre.

Para que possa cumprir sua missão, precisa integrar o poder do seu coração, com a força do seu olhar. Perceber que existe um “Deus” comum a todos os seres humanos, que habita todas as religiões e que ama a todos, da mesma forma. E esse “Deus” é puro amor. Deixe o Amor fluir através de você!

Quem sabe, você possa despertar definitivamente e acordar! O momento é agora! Sua terra, lugar ou o planeta é este! Não existe outro, pois nada é ao acaso e toda vida possui, em si mesma, um projeto enriquecido de possibilidades! E, se você está aqui, é porque tem muito a contribuir! Rompa com as divagações ou o isolamento, pois não construiremos nada se não colocarmos alicerces nos nossos sonhos! A vida se anima, pela busca da unidade, integrando a diversidade e saindo da separatividade.  O importante é trazer a paz, harmonia, espiritualidade, unidade para o aqui e agora, nada está fora, em outro lugar, em outro planeta, em outra morada.

Não existe fora, só existe o agora!

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro-ParteIII

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(Parte três)

“O importante é sentir-se em casa no lugar onde estamos”.

Aspectos práticos

Suponhamos que esta hipótese seja possível, a de que alguns de nós tenhamos vindo de outro sistema planetário. Temos então que considerar algumas coisas.

Se isto é possível temos que considerar o fato de que mesmo que não saibamos o porquê deve haver algum propósito.

Talvez para ajudar em alguma necessidade específica deste planeta, no qual estamos. Ou, quem sabe, trazer alguns novos dons e habilidades, continuar o nosso processo evolutivo, iniciado em um local distante, ou contribuir para a evolução deste, a partir inclusive de nossas diferenças. É difícil saber qual o propósito. Seguramente deve ter algum, se aceitarmos que tudo no universo tem um sentido, mesmo que nos escape num primeiro momento.

Entretanto, se não se pode retornar a esta pátria, por ela estar tão distante, nos resta acolhermos este sentimento nostálgico e validá-lo, para que ele possa ser aliviado, como as pessoas fazem aqui, quando com saudades de um país distante, para o qual não podem, no momento, retornar.  A aceitação faz com que o bem-estar se instale.

Ainda não nos é possível compreender claramente tudo isto, mas podemos, através da imaginação, nos reabastecer e nos preencher da força, do bem e do amor e aconchego desse “lar”  do qual sentimentos falta.

Segundo vários teóricos da mente humana, é necessário validar os sentimentos independentemente de sua veracidade ou autenticidade, para que ele possa ser alterado e modificado.

Então se você tem esse sentimento e sente como se estivesse longe de seu lar, um lar desconhecido para você, quer relacionado a  outro país  ou mesmo  outro planeta, você pode criá-lo em sua imaginação e trabalhar com esta imagem.

Visualização

Imagine então, que você veio de muito longe, de um planeta ou de uma estrela bem distante. E lá era uma pessoa “especial”, desenvolveu muitos dons,  muita sensibilidade, certa inocência de alma, uma forte vontade de ajudar!  Agora, imagine essa estrela ou planeta, perceba suas características (cor, textura, energia desse local, se há flores, oceanos, animais, edificações…Sinta-se totalmente integrado a esse local, perceba-se inteiro e tente imaginar, também, como são as pessoas  pertencem a esse lugar. Elas são afetuosas, amorosas, gostam de compartilhar? Estabeleça um vínculo com esse local, se reabasteça, fique o tempo que necessitar… Até sentir que está completo. Respire profundamente… Recorde todos os seus dons, anteriormente adquiridos, traga-os aqui para este momento, integre-os. Eles são seus.

Agora, volte… Sinta-se preenchido, completo, curado, pronto a compartilhar estes dons com este local onde nasceu ou com o planeta Terra, que escolheu como sua casa, sua morada, neste momento da sua existência. Procure, então, simplesmente “sair da sua toca” e ofereça o seu melhor.  Lembre-se que muitas cidades e países só se concretizaram pelo empenho de todos os que lá um dia se instalaram, apesar da saudade de suas terras de origem.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

“Recolhe-te aos teus espaço

como as aves retornam aos ninhos

depois de muito ver do alto”

“Vá mais longe que a alma grita

Vá mais dentro que o mergulho insista

Vá onde nunca tentaste

É lá o teu lugar”

Onde vês é onde vais…

“A coragem é mais que viagem

a todos os portos que fores capaz de ancorar.

Precisas transpor outras fronteiras e distâncias

Tudo é preparação, malas para a viagem que não tem fim…

“Desfaz malas, mas esteja sempre pronto a partir…”

“Nas estradas, nos atalhos que elas têm

no impulso de além adiante

profundo vai e vem”

“Buscamos longe o que está próximo e esquecemos de ir além…”

“Lembra-te dos quilômetros que a alma pede chão”

“Quanto mais longe vou, mais perto de mim estou”.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro-ParteII

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(Parte dois)

Mecanismos de sobrevivência

Os mecanismos de sobrevivência são estratégias desenvolvidas inconscientemente e têm como objetivo uma maior adaptação e sobrevivência ao meio. Dividiremos aqui de uma forma didática, mas estes mecanismos costumam se somar, de forma que cada indivíduo pode se utilizar de vários ao mesmo tempo. É bem possível que ainda existam outros não mencionados.

Auto-suficiência – Tendem a buscar encontrar seus próprios caminhos na vida. Porém, em função de sua autonomia e das frustrações que vai vivenciando, desenvolvem com frequencia um sentimento de individualismo e auto-suficiência. Confiam mais em si mesmos e não contam muito com as pessoas.
Arrogância – Às vezes, para lidar com o sentimento de menos-valia, gerada pela sensação de inadequação, tornam-se arrogantes. E apesar do desejo de pertencer, reforçam a própria diferença. Muitas vezes, sobrevivem procurando se sentir especiais, no sentido de acima e melhores. Orgulham-se de sua inteligência, sensibilidade, intensidade, profundidade, criatividade etc,. E, com isto, apesar de admirados, tornam-se cada vez mais solitários.
Melancolia – Alguns são afetados de forma drástica pela melancolia, dando asas à sua nostalgia e apegando-se à dor da separação. Tornam-se muito insatisfeitos com a vida e com tudo em volta, entrando, às vezes, em depressão ou em outros transtornos psicológicos.
Adaptáveis – Alguns procuram esquecer sua diferença e fazem tudo o que podem para parecerem iguais a todos os outros. Tentam esconder o que se passa em seu íntimo, mas continuam se sentindo diferentes e incompreendidos.
Desvinculados – Outros mergulham em estudos e pesquisas para não pensarem em suas próprias vidas, se vinculam com o objeto de sua atenção para atender sua curiosidade. No entanto, esses objetos dizem respeito ao intelecto, animais e plantas e não com o ser humano. A intenção do indivíduo aqui é não estabelecer muitos vínculos com as pessoas.
Comunicativos – Alguns desses indivíduos têm uma grande capacidade de comunicação e doação; no entanto, não deixam que cheguem muito perto com receio de, mais uma vez, se sentirem feridos. Por isso, tornam-se solitários mesmo em meio a multidão: podem até se comunicarem, porém sem conseguirem “pertencer”.
Alienados – Outra forma comum de sobrevivência é a alienação. É natural que esses indivíduos fiquem fora do ar, desconectados (as) da realidade prática da vida, tendo que fazer muito esforço para lidar com seus compromissos práticos. Tendem a ser alheios ao que acontece próximo de si e no seu meio. São distraídos e perdem facilmente as coisas, só se ligam naquilo que está no campo de seus interesses.
Sonhadores – Existem também aqueles que ficam meio alados, descorporificados, desencarnados. Esses desenvolvem um corpo frágil, não toleram exercícios, não têm muita vitalidade e também são muito introspectivos e sonhadores.
Distraídos – São aqueles que estão sempre distraídos, sem foco, fazem muitas coisas ao mesmo tempo, ávidos de informações, estão sempre iniciando algo novo, um novo projeto que não terminam ou perdem muito energia para dar conta de todos. Têm dificuldade de concentração, de atenção e, às vezes, de memória. São desorganizados e indisciplinados.

Os mecanismos de sobrevivência desempenharam importante função durante a vida destes indivíduos. Ajudando-os seguramente a lidarem com o dia-a-dia, mas como são inconscientes, não são funcionais como gostariam que fossem.
Desta forma, em algum momento, se tornaram disfuncionais causando mais dor e desconforto do que vantagens ou benefícios. Uma vez identificado os mecanismos usados com mais freqüência, é necessário refletir e encontrar outras estratégias substitutas, mais eficientes. Este processo às vezes é muito complicado, necessitando em muitos casos de ajuda psicológica para que se efetive esta mudança e transformação. É difícil desapegarem-se daquilo que de certa forma os manteve “vivos” até agora. Mas na seqüência desta série de textos, faremos algumas reflexões para facilitar este processo de mudança.

Estratégias compensatórias

São estratégias utilizadas inconscientemente. Elas visam compensar e aliviar a dor profunda do sentimento de estrangeiro.

Andarilhos – Não se vinculam a nada nem ninguém, vão em busca de uma fonte externa de preenchimento, têm fome do novo, de contato com a diferença, porém sem vinculação. A cada novo lugar é tomado por uma esperança de ter finalmente “encontrado”, seguida de uma profunda frustração, pois percebe que não foi dessa vez e se põe novamente a caminho… Muitos perdem totalmente a esperança e vagam sem destino algum em busca contínua de novas experiências.

Viajantes – Têm o sonho de que encontrarão em outras cidades, países, culturas, a paz, preenchimento e nutrição que tanto anseiam. Desejam, desta forma, ser acolhidos e tornar-se parte deste novo local, mas na realidade não são dali e novamente vem a sensação de “não-pertencimento”. Alguns se tornam “almas ciganas” e passam a viajar de lugar em lugar sem expectativas, a não ser a de continuar a caminho.

“Viajantes”- Buscam o “estado alterado de consciência” através do uso de substâncias psicoativas, para uma viagem interna em busca de si mesmo, buscando dar um sentido ao vazio existencial. Buscam o preenchimento através das experiências interiores e mergulham no mar do inconsciente, em busca de respostas nem sempre encontradas. Muitos intensificam esta busca e perdem a referência de si mesmos ou do próprio caminho.

Visionários – Buscam através de construções concretas trazer o “Shangri-lá”, o paraíso perdido, para o plano terrestre ou criam comunidades para uma “convivência harmoniosa” entre pessoas das mais diversas procedências. Como promessa de um mundo novo possível.
Antecipam uma realidade ainda dificilmente sustentada. Alguns fazem desta busca o motivo central de sua existência e passam a viver de sua visão e muitas vezes perdem o contato com a realidade próxima.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti

Sentimento de Estrangeiro

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(Parte um)

Introdução

Este sentimento é comum em um número considerável de indivíduos. Sentimento de não pertencimento, de inadequação, uma sensação de estranheza, como se esse indivíduo não coubesse neste lugar onde agora se encontra.

Esta sensação pode ser resultante de um fato real, isto é, de estar de fato longe de sua terra natal ou da terra onde se sentia em casa. Essa sensação acomete muitas pessoas que mudam de local, transferindo-se de suas cidades de origem para tentar a vida, sobretudo profissional, em outras cidades. Passam, muitas vezes, anos sem conseguirem criar vínculos reais neste novo local, temendo com isto criarem raízes e talvez não voltarem mais para o lugar onde deixaram seu “coração”. Outras vezes evitam criar vínculos para não sofrerem novamente com o afastamento. Muitos, no entanto, não conseguem se adaptar e voltam à terra natal como única alternativa que encontram.

Esta sensação também pode ser de origem sistêmica, isto é, “adotamos” este sentimento dos nossos antepassados que deixaram seu país de origem, terra natal, carregando consigo muitas vezes, dores profundas de um afastamento não desejado, quer por fuga, por sobrevivência, deportados ou por escolhas dos pais, dentre outros fatores compulsórios.

Acontece que existe um número grande de pessoas que tem a mesma sensação e não está, como no caso acima, distante de sua terra de origem ou de onde sente identificação. Pelo menos, não no sentido objetivo da palavra. Estas pessoas têm a mesma sensação, relacionada ao local onde nasceram, ou em relação à sua família, ou a determinados ambientes, sem que nada explique isto de maneira objetiva. Muitas vezes, elas moram no mesmo lugar desde que nasceram.
Poderíamos explicar isto de muitas formas, psicologicamente, elaborar algumas análises e interpretações, porém gostaríamos de dar aqui outro enfoque.

Há uma explicação mais metafísica que fala do processo de múltiplas vidas em que o indivíduo tem saudades de outras terras onde sua alma habitou anteriormente. E há também outra que fala da origem não-terrena de algumas almas.

No Evangelho de Jesus há uma referência clara sobre esta possibilidade: “Há muitas moradas na casa de meu Pai”. E alguns cientistas são enfáticos em afirmar o fato de que é bastante provável que haja vida fora do nosso planeta.

Mas independentemente do quanto isto é verdadeiro ou não, precisamos compreender este fenômeno. E aprender uma forma de lidar com ele.

“Presságios, de volta ao lar, que de fato ainda não encontrei. Sou estrangeiro de mim, e sei que apenas dentro está o que busco”

Sintomas e características comuns das pessoas com esse sentimento
(Origem metafísica)

Desde a infância, no indivíduo onde esse sentimento começa a se manifestar, existe uma sensação muito forte de inadequação. O indivíduo que tem este tipo de sentimento tem alta sensibilidade, costuma-se sentir um “estranho no ninho”, tem saudades de lugares desconhecidos e de pessoas que nunca viu. Traz idéias de algo que não consegue recordar. Alguns acreditam que alguém venha lhes buscar, passam horas nessa espera e, como isso não acontece, criam um sentimento profundo de frustração e de abandono. Sentem-se “mais velhos” e que nada é novo, gerando inquietude e impaciência no convívio familiar e escolar.
Dentro da própria família não se sentem aceitos, sentem-se verdadeiros estranhos. Desde cedo em suas vidas, se vêem diferentes e isolados dos outros, solitários e incompreendidos. Têm muita dificuldade de relacionamentos.
Têm resistência a aceitar decisões ou valores baseados somente no poder e hierarquia e com isso sofrem com conflitos de autoridade. Possuem dificuldade de se defender, pois, não sabem lidar com a agressividade. São ingênuos, sonhadores, profundamente idealistas, vivem no “mundo da lua” com muita dificuldade de estar na terra. Possuem normalmente os pés e as mãos frias, arrepios e tremeliques repentinos, costumam ser pálidos e terem o olhar distante e vago. Assustam-se com facilidade, porque normalmente estão “viajando”, têm dificuldade de concentração e são muitos desligados. Normalmente criam um mundo à parte. Profundo sentimento de indignação com relação às injustiças sociais e humanas e senso de honestidade muito acima da média das pessoas.
Têm também uma facilidade enorme para captarem os sentimentos de outras pessoas e são verdadeiras “esponjas psíquicas”, por isso necessitam ficar um tempo a sós para identificarem o que é realmente deles e o que é do outro. Normalmente sente fortes intuições e não gostam de grandes aglomerações e multidões.
Como não conseguem se adaptar à ordem estabelecida, concluem que deve haver algo de terrivelmente errado com eles. Buscam sempre a validação externa, através dos pais, professores, amigos e da própria sociedade.
Têm afinidades com ciência e tecnologia, astronomia, astrofísica e coisas espaciais, filmes de ficção científica, efeitos e fenômenos paranormais, etc. São pessoas usualmente inteligentes, com uma boa capacidade criativa, parecendo às vezes alheias, outras até muito ligadas. Se sentem diferentes porque percebem, pensam e sentem as coisas de uma forma muito própria. São extremamente curiosos e perguntam muito. São muito ligados à natureza. Têm necessidade de liberdade e não toleram muito as filiações.
Tendem à melancolia, solidão e muitas vezes sentem vontade de morrer. É comum não se adaptarem facilmente a grupos de interesse, pois mesmo nos grupos de seu interesse tendem a divergir e pensar diferente da maioria, seja em assuntos religiosos, filosóficos ou metafísicos.

Por Eugênia Pickina, Flávio Vervloet, Isabel Muller, Jossânia Veloso, Vilma Domeneghetti